COTIDIANO / Terça, 24 Agosto 2021 10:41

Caminhada e sarau celebram Luiz Gama 139 anos após sua morte

Evento foi criado no final do século 19; cortejo sai do cemitério da Consolação, onde o abolicionista foi enterrado, até seu busto, no largo do Arouche

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Caminhada Luiz Gama

caminhada Luiz Gama em São Paulo
Introdução:

Evento foi criado no final do século 19; cortejo sai do cemitério da Consolação, onde o abolicionista foi enterrado, até seu busto, no largo do Arouche

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Caminhada Luiz Gama

A celebração da memória e dos grandes feitos do advogado, escritor e abolicionista Luiz Gama (1830-1882) fazem parte dos festejos da Caminhada Luiz Gama, que irá acontecer nesta terça-feira, 24 de agosto, dia de sua morte. A marcha começa partir das 18h, na cidade de São Paulo, com saída do Cemitério da Consolação, onde está enterrado o corpo de Gama, até o largo do Arouche, onde foi erguido um busto para ele em 1931.

A caminhada é uma tradição da luta antirracista e começou ainda no final do século 19, na ocasião da sua morte, seis anos antes de oficializarem o fim do período da escravidão. O cortejo fúnebre reuniu milhares de pessoas e parou a cidade de São Paulo, na época.

“A caminhada por Luiz Gama se tornou popular também nos anos 1920 e 1930. Naquela época, havia um movimento liderado pela imprensa negra pela instalação da herma (busto de concreto) do Largo do Arouche, inaugurada em novembro de 1931”, afirma o escritor Abílio Ferreira, um dos organizadores da caminhada.

Nos anos 70, durante a ditadura militar e uma grande repressão à luta antirracista, a caminhada Luiz Gama era um marco de resistência.

“Na metade dos anos 1970 houve ao menos uma visita ao túmulo. Eu tomei conhecimento de Luiz Gama no final dos anos 1980. E, em 1991 alguns integrantes, Arnaldo Xavier, Cuti e eu, do movimento da Literatura Negra retomaram a caminhada, com a criação do projeto Rhumor Negro, que se seguiu por cerca de seis anos”, lembra Abílio.

A atual versão da Caminhada Luiz Gama acontece, ininterruptamente, há oito anos. Essa retomada começou em 2013 com a iniciativa de um grupo de militantes do movimento negro, entre eles o escritor e jornalista Oswaldo Faustino, autor do livro 'À luz de Luiz: por uma Terra sem Reis e sem Escravos'.

Este ano, a Caminhada acontece em um momento de destaque da figura de Luiz Gama na cultura brasileira, por conta do filme Doutor Gama, do cineasta Jeferson De, em cartaz em várias salas de cinema do país.

O corpo de Luiz Gama está no jazigo 17, rua 12 e quadra quatro do cemitério da Consolação, onde começa a caminhada. Em seguida, o cortejo segue até a sede do sindicato dos jornalistas do Estado de São Paulo, na rua Rego Freitas, depois vai até o largo do Arouche, e encerra com um sarau. Os organizadores pedem que as pessoas usem máscaras e respeitem o distanciamento social durante toda a atividade.

Gama foi oficialmente reconhecido como advogado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em 2015, e como jornalista pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, em 2018. Em 2012, recebeu o título de doutor honoris causa da USP (Universidade de São Paulo).

Cristina Adelina (cofundadora e coordenadora do Slam da Guilhermina), Flávio Carrança (membro da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial, Cojira-SP) e Max Muratório (produtor cultural, responsável pela exposição sobre Luiz Gama na Caixa Econômica Federal em 2015), também participam da organização da Caminhada Luiz Gama.

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