COTIDIANO / Quarta, 28 Julho 2021 13:54

Com frio intenso, saúde da população em situação de rua corre risco

Neste inverno, já foram contabilizadas 13 mortes na cidade de São Paulo; prefeitura acionou programa emergencial para o frio e distribuiu 12 mil cobertores

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Prefeitura de São Paulo

ônibus recolhe população de rua durante campanha contra o frio em SP
Introdução:

Neste inverno, já foram contabilizadas 13 mortes na cidade de São Paulo; prefeitura acionou programa emergencial para o frio e distribuiu 12 mil cobertores

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Prefeitura de São Paulo

A cidade de São Paulo deve enfrentar temperaturas abaixo de 0ºC nas próximas madrugadas, o que agrava o risco para a saúde das cerca de 24,3 mil pessoas em situação de rua - sendo 68,6% delas negras, quase o dobro do percentual de negros na população geral da cidade, que é de 37%.

Segundo o Movimento Estadual da População em Situação de Rua, entre os dias 30 de abril e 17 de julho, morreram 13 pessoas desabrigadas nas madrugadas de frio na capital, que ainda deve ter as temperaturas mais baixas do ano nos próximos dias, de acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Em apenas dois dias, 29 e 30 de junho, foram sete mortes: três na região da Sé, uma no Glicério e uma na Tiradentes, todas áreas centrais, além de duas mortes na Barra Funda, na região Oeste. No dia 19 de julho, um homem de 60 anos morreu no parque Dom Pedro, na região central.

“Uma das complicações que podem resultar da exposição da população de rua ao frio, vento e umidade, é a hipotermia. A hipotermia é o quadro caracterizado pela diminuição da temperatura corporal abaixo de 35ºC. Um dos fatores que esse estado é caracterizado, é a vasoconstrição que pode resultar por exemplo, acidentes vasculares, choques, entre outros problemas de saúde”, explica a enfermeira sanitarista Caroline Pereira, mestre em Ciências da Saúde e doutoranda em Saúde Pública.

O censo mais recente da prefeitura, feito no final de 2019, registrou que são 24.344 pessoas em situação de rua na cidade, sendo que a maioria está no centro (46,8% na Sé, 15,7% na Mooca, 4,2% na Lapa, 4,1% em Santana e 3,4% em Santo Amaro), a idade média é 41 anos; 26,1% são brancos e 68,6% são negros (soma de pardos, 48,9%, e negros, 19,7%).

Entre as pessoas em situação de rua vivendo na cidade de São Paulo, 55% são paulistas, 9,5% são baianos e 6,3% são mineiros. O censo apontou também que 3,4% são estrangeiros, entre eles, os venezuelanos representam 38,8%. Congoleses, nigerianos e angolanos somam 12%, igual a soma de argentinos (6%) e portugueses (6%).

A estação de medição de temperatura, que fica no bairro de Interlagos, na zona Sul, marcou uma sensação térmica de 6,7ºC, nesta quarta-feira, dia 28, às 8h. Em todo o Estado, a temperatura deve cair e há possibilidade de geada e talvez neve em algumas regiões, por conta de uma intensa frente fria que veio da Argentina.

Prefeitura

Por conta da pandemia e das ondas de frio na cidade, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), realizou 1.043.307 acolhimentos com a Operação Baixas Temperaturas em 82 dias, desde o começo do inverno, em 30 de abril. Foram distribuídos 12 mil cobertores. A operação é intensificada sempre que as temperaturas ficam abaixo de 13ºC.

Segundo a prefeitura, desde o dia 30 de abril até 20 de julho, foram feitos 14 mil encaminhamentos de pessoas em situação de rua para Centros de Acolhida e outras 1.246 pessoas recusaram o acolhimento.

Na Operação Baixas Temperaturas, a prefeitura disponibiliza quatro linhas especiais de ônibus, com partida do centro, para os clubes municipais preparados para o acolhimento. Os ônibus saem da Sé (16h, 17h e 19h), Pateo do Colégio (16h30 e 18h), praça Princesa Isabel (18h) e metrô Tietê Portuguesa (18h), para os clubes Tietê (no Centro) e Pelezão (na Lapa).

“O acolhimento de pessoas em situação de rua é de extrema importância para garantir a sobrevivência nos dias de frios mais intensos, garantindo além do abrigo, a alimentação, roupas secas, locais seguros para a permanência. A recusa ao acolhimento deve ser respeitada, ainda que garantindo os outros fatores”, aponta a enfermeira Caroline.

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