COTIDIANO / Segunda, 21 Fevereiro 2022 14:57

Em Franco da Rocha, uma em cada quatro famílias desalojadas não recebe auxílio-aluguel

Benefício seria liberado em caráter emergencial após 18 pessoas morrerem no deslizamento do dia 30 de janeiro; 315 foram cadastradas, porém, 76 ainda não receberam o dinheiro para alugar uma nova casa

 

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Juca Guimarães

Introdução:

Benefício seria liberado em caráter emergencial após 18 pessoas morrerem no deslizamento do dia 30 de janeiro; 315 foram cadastradas, porém, 76 ainda não receberam o dinheiro para alugar uma nova casa

 

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Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Juca Guimarães

Em Franco da Rocha, por conta das piores chuvas dos últimos cem anos no final de janeiro, 18 pessoas morreram em deslizamento de encosta e centenas de famílias ficaram desabrigadas. Quase um mês após a tragédia, um quarto dessas pessoas que perderam suas casas ou estão com a moradia condenada, não receberam ainda a primeira parcela do auxílio-aluguel. Na região, estão acabando as opções de imóveis disponíveis para alugar e a tendência é que o valor da moradia fique mais caro. A casa que ela construiu foi demolida pela prefeitura.

De acordo com a prefeitura, foram cadastradas 315 famílias para receber o auxílio-aluguel e até agora, dia 21, foram pagas as primeiras parcelas para 76 famílias. Até a sexta-feira passada (18), eram 79 famílias sem casa e sem auxílio-aluguel.

O valor do benefício é de R$608,94 por seis meses, com a possibilidade de renovação. A prefeitura diz que nem todos receberam porque “o processo demanda um tempo maior em alguns casos devido a entrega e análise documental completa”.

A tragédia atingiu a rua São Carlos, no Jardim Paulista, mas na cidade existem 300 áreas de risco de deslizamento de terra, que são monitoradas pela Defesa Civil de Franco da Rocha.

Na sexta-feira, um grupo de moradores de áreas de risco, que ficaram desabrigados pelos deslizamentos e que estão com as casas interditadas parcialmente pela prefeitura, fizeram um protesto exigindo um plano habitacional e soluções para o problema de moradia digna na cidade.

O chefe de gabinete do prefeito, Marcus Brandino, se reuniu com uma comissão de moradores e prometeu que as famílias não ficarão sem apoio do município. “As chuvas foram muito além do que se podia esperar, mas temos o compromisso de trabalhar para achar uma solução para o problema”, disse Brandino.

Entre os moradores de Franco da Rocha, a expectativa é grande para que as soluções sejam anunciadas em breve. “Anda não conseguimos uma resposta à altura das nossas necessidades. Ainda não sabemos o que vai acontecer com as pessoas que perderam suas casas na tragédia e na destruição das casas que não precisavam ser demolidas pela prefeitura na segunda passada”, pontua Stefanie Bertholini, moradora do bairro Vila Lemar e instrutora de yoga.

O morador Cosme Antônio, do jardim Paulista, participou da reunião e também espera que a prefeitura dê assistência aos desalojados. "Ficou certo que não vão demolir mais casas, a não ser que seja necessário, e que vão agilizar o pagamento do auxilio-aluguel", comenta o motorista de aplicativo.

A prefeitura elaborou um projeto de lei criando um benefício de transferência temporária de renda, chamado 'Força Franco', que deve ser votado nesta terça-feira (22), na Câmara dos Vereadores. “É um benefício que pode ser acumulado com outros benefícios assistenciais e aposentadorias”, diz Brandino.

O novo programa deve, de acordo com a prefeitura, atender 3.500 famílias por um período de três meses, renováveis por mais três meses e o valor pode chegar a R$600. Além disso, a prefeitura pretende conceder uma isenção de até R$5 mil no IPTU para quem foi atingido pelas enchentes.

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Protesto de moradores em Franco da Rocha em 18 de fevereiro | Imagem: Juca Guimarães/Alma Preta Jornalismo

Sobre as famílias que estão sem casa para morar, a prefeitura respondeu que desde a tragédia foram acolhidas 23 famílias, com 77 pessoas, nos abrigos da cidade. Atualmente, quatro famílias, com 19 pessoas, estão no abrigo municipal.

Na reunião com os moradores, o representante da prefeitura revelou que seria necessário cerca de R$350 milhões, o equivalente a um ano inteiro de arrecadação, para realizar as obras de infraestrutura para impedir novos deslizamentos de terra. O valor de R$8 milhões prometido pelo governo estadual será usado, segundo a prefeitura, nas obras da rua São Carlos.

No próximo mês, será realizada uma nova reunião entre a prefeitura e os moradores para discutir estratégias para um plano habitacional e de recuperação dos bairros. Uma das ideias, propostas pelos moradores e o MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas), é a criação de cooperativas para a construção de casas populares.

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