COTIDIANO / Terça, 07 Setembro 2021 17:09

Fome, corrupção e impeachment são lembrados por lideranças negras no ato contra Bolsonaro

Protesto no Vale do Anhangabaú, região central de São Paulo, uniu forças do campo progressista contra a tentativa do governo de corromper a democracia; manifestação foi pacífica e as pessoas usaram máscara de proteção contra a covid-19

Texto: Pedro Borges e Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Yago Rodrigues

Imagem mostra ato contra Bolsonaro no Vale do Anhamgabau, em São Paulo
Introdução:

Protesto no Vale do Anhangabaú, região central de São Paulo, uniu forças do campo progressista contra a tentativa do governo de corromper a democracia; manifestação foi pacífica e as pessoas usaram máscara de proteção contra a covid-19

Texto: Pedro Borges e Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Yago Rodrigues

Com máscara de proteção contra a Covid-19, manifestantes do campo progressista participaram do ato no Vale do Anhangabaú, região central de São Paulo, neste feriado de 7 de setembro, data que marca os 199 anos da Independência do Brasil. Diversas entidades do movimento negro participaram do encontro em defesa da democracia.

“A população saiu de casa hoje para defender a verdadeira independência do brasileiro. Só seremos independentes quando formos livres”, disse Adriana Moreira, da Coalizão Negra por Direitos.

 

Segundo Adriana, o povo vive sob a opressão de um Estado genocida que ataca a população negra, LGBTQIA+, os povos indígenas e os trabalhadores. “O governo Bolsonaro implantou um Estado de terror”, afirmou a ativista.

Entre as pessoas que participaram do ato, a maioria usava máscara de proteção contra o coronavírus. O policiamento estava presente em todos os momentos do protesto, que seguiu pacificamente, na tarde de terça-feira.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz, de 26 anos, convocou a população para permanecer vigilante à tentativa de golpe de Bolsonaro. “Não vamos sair das ruas até derrotar e enterrar esse governo fascista. Eles acharam que iriam nos amedrontar, que iríamos ficar em casa, mas o povo está tomando o Vale hoje para dizer que a rua é nossa”, lembrou Bruna.

Representante das religiões de matriz africana, Katia Dias fez um saudação ao orixá Exu e lembrou que agosto foi o mês dos orixás Ọmọlu e Ọbalúwáiye. “Eles tratam todas as doenças, colocam o alimento dentro do nosso corpo para podermos nos limpar e nos libertar. Exú vai abrir nossos caminhos nessa luta fora Bolsonaro”, pontuou.

A situação de agravamento da crise política, econômica e social do Brasil foi lembrada nas falas dos manifestantes, principalmente em relação à fome, aprofundada na pandemia. Os casos recentes de corrupção envolvendo o presidente, familiares e amigos próximos reforçaram os clamores pelo impeachment de Bolsonaro.

Mais cedo, São Paulo também teve o ato do "Grito dos Excluídos", que acontece tradicionalmente todo 7 de setembro na Praça da Sé, também na região central. A manifestação deste ano, assim como em outras localidades, foi marcada por um protesto contra os ataques feitos pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) às instituições democráticas do país.

Torcidas antifascistas de times de futebol da cidade, como o Corinthians e o Palmeiras, participaram da organização do Grito. A Polícia Militar acompanhou todo o ato que foi pacífico, porém, não fez estimativa do número total de manifestantes. Durante o protesto foi lembrada também a ação do grupo que incendiou a estátua em homenagem à figura do bandeirante Borba Gato, no bairro de Santo Amaro, na Zona Sul da capital.

Leia mais: ‘Ato ‘Grito dos Excluídos’ repudia ataques de Bolsonaro a instituições democráticas

bandeiracoalizaoatospBandeira da Coalizão Negra por Direitos no ato no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. | Foto: Yago Rodrigues/Alma Preta Jornalismo

‘A morte é o projeto desse governo’

Diversos atos contra o governo bolsonarista também ocorreram no Nordeste brasileiro. Em Salvador, capital da Bahia, manifestantes, movimentos sociais e lideranças indígenas foram às ruas para lembrar as denúncias de corrupção do governo na pandemia além das ameaças antidemocráticas.

Os indígenas protestaram em defesa da proteção das terras dos povos originários e contra a votação do Marco Temporal, em discussão no STF, que estabelece que a reivindicação das demarcações de terras só podem ser feitas antes da data da promulgação da Constituição de 1988.

Defensora dos direitos da população negra, a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) classificou o protesto como a "afirmação da democracia" e fez críticas às recentes denúncias de medicamentos e insumos médicos, como vacinas e testes da Covid-19, que passaram da validade na gestão Bolsonaro.

Leia mais: A morte é o projeto desse governo’, diz deputada em protesto de Salvador

Ato pró Bolsonaro

Por decisão do Governo do Estado de São Paulo, a principal avenida da capital paulista ficou com os manifentes pró Jair Bolsonaro neste 7 de setembro. Com pouquíssimos manifestantes negros, entre 5% e 10%, o protesto na avenida Paulista tinha faixas e cartazes que apoiavam o golpe militar, o fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal), além de ataques contra os partidos de esquerda.

A maioria dos manifestantes usava roupas com as cores verde ou amarela, mas tinham muitas bandeiras dos Estados Unidos e pessoas fantasiadas com símbolos americanos, além de cartazes em inglês.

Um entregador negro de aplicativo que estava trabalhando com a sua bicicleta na avenida Paulista acompanhou a ação dos manifestantes bolsonaristas. “É uma coisa horrível isso”, disse o rapaz, que preferiu não se identificar.

Entre os manifestantes, a reportagem da Alma Preta Jornalismo identificou muitas pessoas sem máscara e que não mantinham o distanciamento social, recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

O pano de fundo para os ataques do presidente Bolsonaro ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes são os quatro inquéritos que investigam o presidente no Supremo e as prisões de bolsonaristas e aliadosdo presidente envolvidos em financiamentos de atos antidemocráticos, decretadas pelo ministro Alexandre de Moraes.

Leia mais: Com poucos negros, bolsonaristas fazem ato anti-democracia

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