COTIDIANO / Sexta, 14 Mai 2021 10:46

Ex-PM envolvido no assassinato do adolescente negro Guilherme Guedes é preso

Acusado de outros 49 homicídios, o Ex-Policial Militar estava foragido da justiça desde 2015; jovem de 15 anos foi sequestrado, torturado e morto na Zona Sul de São Paulo, em junho do ano passado

Texto: Beatriz Mazzei | Edição: Nataly Simões | Imagem: Pedro Borges

Imagem mostra familiares do jovem morto em protesto, em 2020. Eles usam camiseta com o rosto da vítima estampado.
Introdução:

Acusado de outros 49 homicídios, o Ex-Policial Militar estava foragido da justiça desde 2015; jovem de 15 anos foi sequestrado, torturado e morto na Zona Sul de São Paulo, em junho do ano passado

Texto: Beatriz Mazzei | Edição: Nataly Simões | Imagem: Pedro Borges

Policiais do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa) prenderam o ex-PM Gilberto Eric Rodrigues, apontado como o segundo suspeito da morte do jovem negro Guilherme da Silva Guedes, de 15 anos. O crime ocorreu em 14 de junho de 2020, no bairro de Americanópolis, Zona Sul de São Paulo.

O outro suspeito de matar o adolescente é o sargento Adriano Fernandes de Campos. Preso desde junho do ano passado, o PM ainda aguarda julgamento. Rodrigues, de 33 anos, foi encontrado nesta quinta-feira (13) em uma chácara em Peruíbe, na Baixada Santista, litoral paulista. O ex-PM estava foragido desde 2015, acusado por outras 49 mortes ocorridas entre 2012 e 2013.

Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo, Guedes foi torturado e executado pelos dois réus em um esquema de vingança. Na ocasião, o adolescente estava em frente à casa da avó, quando foi sequestrado, na noite de 13 de junho. Na mesma noite, imagens de uma câmera de segurança mostraram Guilherme no galpão da Globalsan, empresa que presta serviços para a Sabesp no mesmo bairro onde o garoto foi sequestrado, há menos de 1 km de onde foi visto por sua família pela última vez.

O sargento Adriano era contratado para fazer a zeladoria do local e Gilberto era funcionário de Adriano. Por ser foragido, Gilberto usava o codinome de Roberto. Segundo o Ministério Público, a morte de Guilherme foi usada pelos seguranças como uma forma de vingança após o terreno ter sido invadido por jovens em uma tentativa de furto. Guedes não teve relação com o caso.

Horas após o assassinato, o corpo do adolescente foi encontrado em Diadema, município vizinho, marcado por dois tiros fatais, um na nuca e outro no rosto.

Irmão mais velho de três, Laila, Felipe e Gustavo; Guilherme era filho de Joice Silva e neto de dona Antônia. O caso provocou grande comoção e revolta no bairro da Vila Clara, onde o jovem nasceu e cresceu. Desde o ocorrido, amigos e familiares se reuniam mensalmente em manifestações lideradas pela avó e mãe do garoto.

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