COTIDIANO / Terça, 22 Junho 2021 16:33

Estágios para negros crescem quase 200% no Brasil

Pressão nas redes sociais, mudanças no recrutamento e na seleção, além de cotas raciais são alguns dos fatores que influenciaram o crescimento

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nadine Nascimento | Imagem: Agência Brasil

Introdução:

Pressão nas redes sociais, mudanças no recrutamento e na seleção, além de cotas raciais são alguns dos fatores que influenciaram o crescimento

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nadine Nascimento | Imagem: Agência Brasil

A partir de iniciativas que visam reduzir a desigualdade no mercado de trabalho, entre 2020 e 2021 a contratação de jovens negros em estágios cresceu 197% no Brasil. De acordo com a pesquisa realizada pela Cia dos Estágios, as contratações foram impulsionadas por mudanças no recrutamento e na seleção. O debate acerca da falta de diversidade racial dentro das empresas foi ampliado desde junho do ano passado.

"Esse crescimento tem vários motivos, que podem começar pela morte do George Floyd, em 2020, que causou uma comoção global contra o racismo. A partir disso, as empresas começaram a ser cobradas por um posicionamento [para] além das hashtags, pontuando o compromisso social que as empresas têm", explica a especialista em Recursos Humanos (RH) Patrícia Santos, fundadora da EmpregueAfro.

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As plataformas digitais, como instrumentos de pressão para o aumento da diversidade e das discussões acerca da questão racial dentro das empresas possibilitaram avanços concretos. Um exemplo disso foi o programa de Trainee da Magalu apenas para profissionais negros. Entre 2018 e 2020, as contratações de pretos e pardos para estágios registraram um crescimento de 148%.

“Eu costumo dizer que quem faz faculdade e não faz estágio não adquire uma vivência profissional extremamente necessária para ter mais oportunidades, principalmente de ascensão econômica. [Isso] impacta na autoestima desse jovem negro que pode praticar o que está estudando e nas possibilidades de mudança de vida mesmo”, destaca Patrícia, sobre o aumento da participação de jovens negros no mercado. 

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Com maioria formada por mulheres, os estudantes negros que passaram a fazer parte do mercado de trabalho através de programas de Trainee, Jovem Aprendiz e estágio têm em média 23 anos. Entre os cursos do ensino superior, boa parte das vagas é preenchida por quem faz Administração (11,2) e Engenharia de Produção (8,7%). Ainda de acordo com o levantamento, conhecimentos como inglês básico e Excel impulsionam o currículo e as chances de contratação. 

Mais diversidade no futuro

A criadora do EmpregueAfro prevê que este movimento influencia de forma positiva a discussão sobre a importância do estágio e as portas que este primeiro contato com o mercado de trabalho podem abrir para um estudante negro. “Creio que nos próximos cinco anos a gente já vai ter uma geração de próximos líderes negros, vindos inclusive dos programas de cotas das universidades, porque a gente demora cerca de 15 anos para chegar aos cargos de liderança”, explica. 

Em julho de 2020, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) publicou uma portaria que determina a participação de pelo menos 30% de jovens negros nas vagas em seleções de estágio. Em São Paulo, a ação de Ministério Público do Trabalho para o cumprimento e incentivo da participação de jovens negros em programas de estágios é reforçada pela procuradora Valdirene Assis, que criou um projeto de inclusão envolvendo candidatos e empresas.

“O estágio é a etapa inicial para uma trajetória de sucesso e ascensão social. Na periferia, tem gente que nem sonha com carreiras técnicas e especializadas, e esse é um dos nossos desafios: falar sobre a importância de uma faculdade e um estágio, que proporcionam uma mudança de vida e a ascensão social”, conclui a especialista em RH. 

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