COTIDIANO / Segunda, 20 Dezembro 2021 11:13

Escola de samba Camisa Verde e Branco oferece cursinho popular em 2022

A agremiação fechou uma parceria com a UneAfro para realização do primeiro cursinho pré-vestibular gratuito na quadra de uma escola de samba paulistana; aulas vão começar ainda no primeiro semestre 

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Marcus Chagas

Membros do curso popular do Camisa Verde e Branco na quadra da escola
Introdução:

A agremiação fechou uma parceria com a UneAfro para realização do primeiro cursinho pré-vestibular gratuito na quadra de uma escola de samba paulistana; aulas vão começar ainda no primeiro semestre 

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Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Marcus Chagas

A tradicional escola de samba Camisa Verde e Branco, da zona oeste da capital paulista, criou uma iniciativa inédita entre as agremiações paulistanas e vai abrir um cursinho de educação popular, na quadra da escola, em parceria com a UneAfro, para jovens que querem entrar na universidade.

“Essa parceria com o Camisa Verde e Branco vai fortalecer muito o trabalho da UneAfro na cidade de São Paulo. O Camisa é uma referência histórica da resistência e da cultura do povo negro”, afirma o professor, historiador e militante do movimento negro, Douglas Belchior, da UneAfro.

A equipe de professores e o projeto pedagógico já foram definidos e as aulas irão começar ainda no primeiro semestre de 2022. Os interessados podem acompanhar as novidades sobre o Cursinho do Trevo pelas redes sociais da Escola de Samba Camisa Verde e Branco.

“Minha relação com o Camisa vem desde criança, da época do enredo que a escola fez sobre o João Cândido, falando da Revolta da Chibata [2003]. Encontrar a minha militância pela educação popular, do movimento negro aqui pelo Camisa, a partir deste projeto, tem sido uma experiência fora de série”, diz Pedro Henrique, coodernador administrativo do cursinho.

O Cursinho do Trevo tem como premissas a luta antirracista, a diversidade, o engajamento e o pertencimento dos alunos e o respeito à identidade e a tradição do Camisa. O objetivo principal é contribuir com o acesso de jovens negros de baixa renda a cursos universitários gratuitos, preferencialmente em universidades públicas. No último dia 20 de novembro, foi feita a fundação simbólica do cursinho com a participação do Douglas Belchior (UneAfro), Débora Dias (co-vereadora pelo mandato Quilombo Periférico) e a velha guarda da escola.

“O cursinho parte da ideia de que podemos somar a partir da ancestralidade, do samba, da educação, sobretudo popular, podemos construir e transformar a nossa sociedade ”, explica Larissa Tavares, educadora da área de linguagens e coordenadora pedagógica do cursinho.

As aulas na quadra do Camisa Verde e Branco, localizada no bairro da Barra Funda, serão divididas por áreas do saber e temas: Linguagens (gramática, inglês, literatura e redação), Matemática (álgebra e geometria), Ciências da Natureza (física, química e biologia), Ciências Humanas (filosofia, história do Brasil, história geral, geografia do Brasil, geografia Geral e sociologia), além de oficinas temáticas em atualidades, escrita criativa, cultura e formação política.

Por conta da pandemia do Covid-19, as reuniões para a preparação do curso estavam acontecendo virtualmente. Em junho do ano passado, o mestre Dadinho, baluarte do samba e figura emblemática do carnaval paulista, participou da reunião, aos 75 anos, e disse que estava muito feliz com a iniciativa que iria colocar os jovens da comunidade nas universidades. “Escola de Samba é uma cultura. Esse projeto vai ser grande. A juventude precisa saber da nossa história e se aprimorar mais. A escola é um embalo para que os jovens consigam progredir e aprender mais coisas”, disse.

Na década de 50, quando tinha 16 anos, Seu Dadinho, estudava no Senai, no bairro da Barra Funda e, nesta mesma época, começou a participar da bateria da escola com os membros fundadores da escola. Ele também foi passista do Camisa.

“Era como se fosse uma família. Eu tocava surdo, repique de mão e depois toquei chocalho na frente da bateria. O samba é resistência. Na época dos desfiles na avenida São João, a burguesia não gostava de ver os negros felizes fazendo o carnaval, tudo era feito com muita raça e amor à cultura”, comentou Dadinho, que morreu no último dia 7 de novembro e estava no Camisa desde 1959.

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