COTIDIANO / Quinta, 17 Março 2022 11:58

Doria não cumpre promessa de ajudar vítimas de deslizamentos em Franco da Rocha

Segundo a prefeitura do município, o governo estadual ainda não repassou a primeira parcela do valor de R$ 8 milhões prometidos para obras emergenciais

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Governo de São Paulo

Casas atingidas por deslizamentos de terra em Franco da Rocha.
Introdução:

Segundo a prefeitura do município, o governo estadual ainda não repassou a primeira parcela do valor de R$ 8 milhões prometidos para obras emergenciais

Autor:

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Governo de São Paulo

As famílias vítimas do deslizamento de terra em Franco da Rocha, Região Metropolitana de São Paulo, aguardam há 41 dias o governador João Doria (PSDB) cumprir sua promessa de ajuda financeira para as obras emergenciais na rua São Carlos, no bairro do Parque Paulista, onde morreram 18 pessoas no dia 30 de janeiro, após um deslizamento de terra que deixou centenas de famílias desalojadas.

Doria esteve no local no dia 3 de fevereiro e prometeu que seriam destinados à cidade R$ 3 milhões para apoio as vítimas e obras de infraestrutura, além dos R$ 5 milhões que já tinham sido prometidos no dia 30 de janeiro, quando o governador disse que seria criada uma força-tarefa para socorrer as cidades mais atingidas pelas chuvas do início deste ano.

Segundo a Prefeitura de Franco da Rocha, ainda não chegou a primeira parcela da ajuda estadual para a realização das obras emergenciais de infraestrutura na rua visitada pelo governador do estado.

Ainda segundo a grestão municipal, as obras que estão em andamento, por enquanto, usam recursos do próprio município no programa “Reconstrói Franco”. Os serviços são de tapa-buraco, poda de árvores, limpeza de rios e córregos, cata-treco, reconstrução de galerias e paisagismo. Ao todo, a prefeitura investe R$ 20 milhões juntamente com R$ 2 milhões da Defesa Civil, órgão do governo do Estado.

Além de Franco da Rocha, o governador Doria anunciou ajuda para os municípios de Arujá (R$ 1 milhão), Francisco Morato (R$ 2 milhão), Embu das Artes (R$ 1 milhão), Várzea Paulista (R$ 1 milhão), Campo Limpo Paulista (R$ 1 milhão), Jaú (R$ 1 milhão), Capivari (R$ 1 milhão), Montemor (R$ 1 milhão) e Rafard (R$ 1 milhão).

O governador João Doria durante coletiva de imprensa em Franco da Rocha no início de fevereiro. | Foto: Governo de São PauloO governador João Doria durante coletiva de imprensa em Franco da Rocha no início de fevereiro. | Foto: Governo de São Paulo

Auxílio financeiro às famílias atingidas

No começo de março, a Câmara dos Vereadores de Franco da Rocha aprovou um auxílio emergencial temporário batizado de “Força Franco” para atender as famílias desalojadas.  Até o dia 13 de março, de acordo com a prefeitura, foram feitos 283 requerimentos para o novo benefício e 128 já foram aprovado. As primeiras famílias começaram a receber o auxílio no dia 9.

A meta é atender cerca de 3.500 famílias. Nos finais de semana, a prefeitura também faz mutirões de cadastramento. Ao longo da semana, os pedidos de cadastro podem ser feitos no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS).

O piso do Força Franco é de R$ 300 e será adicionado R$ 50 para cada integrante da família menor de 18 anos ou maior de 60 anos. Caso a família seja monoparental (mães ou pais que sustentam a casa sozinhos), será acrescentado o valor de mais R$ 50. O teto é de R$ 600. O benefício é de três parcelas e pode ser prorrogado por mais três.

As famílias que ficaram desalojadas por conta dos deslizamentos também têm direito ao auxílio-aluguel. A prefeitura cadastrou as famílias, porém, passados 45 dias da tragédia do dia 30 de janeiro, ainda existem moradores que se cadastraram, mas não receberam nenhuma parcela do benefício.

Edcarlos Prospero teve a casa condenada por conta do risco de desmoronar e fez o cadastro para o auxílio-aluguel no dia 15 de fevereiro.

“Disseram que iria sair em sete dias. Dois funcionários da prefeitura foram até a minha casa fazer a checagem e mesmo assim ainda não recebi nada. Estou pagando R$ 600 de aluguel, R$ 200 de contas e ganho só o piso do INSS. Tive que me endividar e atrasar outras contas”, conta o morador de Franco da Rocha, que tem quatro filhos pequenos e ainda vai ter que passar por uma cirurgia na perna por conta de um acidente sofrido antes dos deslizamentos.

O valor do auxílio-aluguel para as vítimas do deslizamento de Franco da Rocha é de R$ 600 e segundo a gestão municipal seria pago por seis meses, renovável por mais seis meses.

O que diz o governo de São Paulo

A Alma Preta Jornalismo entrou em contato com o Governo do Estado de São Paulo que, por meio da Defesa Civil, respondeu que já repassou R$ 2 milhões para o município de Franco da Rocha para a realização de ações emergenciais, e repassará outros R$ 6 milhões destinados às obras de contenção nos locais dos deslizamento. 

Ainda segundo a nota enviada para a reportagem, após a prefeitura cumprir as formalidades administrativas e a documentação for aprovada, o dinheiro será liberado. A prefeitura, por sua vez, informou que vai apurar quais são as demandas que ainda estariam pendentes para a liberação dos recursos prometidos pelo governador João Doria.

 Apoie jornalismo preto e livre!

 O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de   financiamento coletivo e de outras ações com apoiadores. 

 Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos   equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor. 

 O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

 Acesse aqui e apoie a Alma Preta Jornalismo

NEWSLETTER

Fique por dentro de tudo que acontece. Se inscreva e receba nossas notícias toda semana.

VÍDEOS

novageracaoskate.jpg
temclimapraisso8.jpg
flagrapmbahia.jpg
anasanches7.jpg