COTIDIANO / Sexta, 19 Março 2021 13:16

Desinformação domina período da pandemia e projeto contabiliza mais de 270 conteúdos falsos

A partir da análise nas redes sociais, jornalistas verificaram centenas de postagens envolvendo o tratamento precoce da Covid-19, imunização e política brasileira; Alma Preta foi um dos veículos a participar do projeto

Texto: Redação | Edição: Nataly Simões | Imagem: Habibi Dadkhah Unsplash

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Introdução:

A partir da análise nas redes sociais, jornalistas verificaram centenas de postagens envolvendo o tratamento precoce da Covid-19, imunização e política brasileira; Alma Preta foi um dos veículos a participar do projeto

Texto: Redação | Edição: Nataly Simões | Imagem: Habibi Dadkhah Unsplash

Desde o início da pandemia da Covid-19 no Brasil, há pouco mais de um ano, não foram poucas as vezes que as pessoas se depararam com informações duvidosas de figuras conhecidas, políticos e até mesmo de perfis oficiais do governo federal. A saída foi reunir esforços: jornalistas dividindo a cobertura diária, que já envolve apuração minuciosa, para verificar postagens com textos, vídeos e outros elementos que prejudicam a difusão de informação sobre os rumos da pandemia.

Seja no Facebook, Twitter, Instagram ou em outras redes sociais, as informações sobre o coronavírus tiveram presença massiva no último ano. O Projeto Comprova, iniciativa apoiada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), registrou 275 checagens de informações consideradas falsas ou fabricadas. Em sua terceira fase, concentrada em verificar conteúdos a respeito da pandemia e política brasileira, o projeto debruçou sua rotina nos temas de saúde. Segundo um dos editores, o jornalista Sérgio Ludtke, o interesse pelo tema diminuiu em determinado momento, ainda em 2020.

“Creditamos isso a uma certa ressaca e à aparente redução do ímpeto da covid. Quando a doença mostrou que ainda estava ativa e novas e mais perigosas ondas surgiram, esse interesse voltou e se focou muito nas verificações sobre vacinas. Mesmo com o Comprova em recesso desde o início do mês, essas checagens sobre vacinas são as que mais interesse têm despertado”, conta. Além de Ludtke, o Comprova foi coordenado pelos editores José Antônio Lima, Helio Miguel Filho e David Michelsohn.

A agência de jornalismo Alma Preta também somou seu trabalho, focado em temática racial, na verificação de notícias enganosas, ao lado de mais oito veículos de comunicação independentes. No Comprova + Comunidades foram verificados conteúdos suspeitos sobre estudo publicado no portal do Ministério da Saúde a respeito de uso da hidroxicloroquina como tratamento preventivo da Covid-19; informações de que a primeira enfermeira a receber a dose da Coronavac em São Paulo já estivesse imunizada; o caso de repercussão internacional sobre médicos recém nomeados pela prefeitura de Manaus (AM) que teriam sido imunizados, mesmo sem estarem em grupo de risco ou atuando na linha de frente da Saúde contra o vírus; entre outros.

A repórter Roberta Camargo, foi uma das profissionais que representou a Alma Preta no projeto. Ela avalia que o interesse do governo na desinformação da população neste período torna ainda mais crucial a presença desse veículo nas checagens.

“Fazer parte de um espaço como este, pensando que o projeto se concretizou no ambiente virtual ao longo dos últimos meses é importante para o aprendizado dos jornalistas e no que estamos oferecendo para o nosso público. Entendo como uma forma de reafirmar e atualizar o nosso compromisso com a verdade”, defende.

Ao longo do projeto, ataques aos jornalistas tiveram grande impacto. Tentativas de descredibilizar as investigações ocorriam frequentemente. Na tentativa de checar a origem dos conteúdos, os jornalistas entraram em contato com os donos dos perfis, como fez a repórter Edda Ribeiro para investigar um conteúdo que afirmava que o Facebook havia mudado sua política de remoção de informação. A publicação foi feita por uma página de cunho político na rede. O contato feio pela jornalista foi printado e postado pela página no dia seguinte, na tentativa de questionar os processos de investigação. Veja aqui.

A prática da checagem de informações de maneira ainda mais criteriosa, assim como o trabalho colaborativo, também foi destaque. “Dentro do cenário de fake news e desinformação que faz parte da realidade do país, acredito que um projeto como o Comprova tem muito a acrescentar dentro de todas as redações. Trata-se de uma imersão e de um olhar cuidadoso e criterioso que é essencial quando falamos sobre o compartilhamento de informações”, conclui a repórter.

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