COTIDIANO / Sexta, 19 Março 2021 14:41

Desaparecido desde fevereiro, produtor cultural foi assassinado por sócio em São Paulo

Denis Lima, também conhecido como Pituco, estava desaparecido desde o dia 22 de fevereiro; o responsável pelo crime segue foragido

Texto: Giovanne Ramos | Edição: Pedro Borges | Imagem: Reprodução

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Introdução:

Denis Lima, também conhecido como Pituco, estava desaparecido desde o dia 22 de fevereiro; o responsável pelo crime segue foragido

Texto: Giovanne Ramos | Edição: Pedro Borges | Imagem: Reprodução

O produtor cultural, culinarista e ativista afro vegano Denis Teixeira Soares Lima, de 37 anos, foi assassinado com golpes de faca pelo sócio Herberth Prates Rodrigues Lima, 34, na madrugada do dia 23 de fevereiro. O corpo de Denis foi ocultado pelo o autor do crime com a ajuda de um terceiro sócio, que não foi indiciado por colaborar com as investigações. Denis foi localizado no dia 2 de março, enterrado em uma área de mata no município de Paranapiacaba, 58 km da cidade de São Paulo.

Denis conhecia os investigados do caso há pouco mais de um ano, quando foi convidado para participar de um projeto de comidas orgânicas e produtos naturais, no mesmo espaço onde residia há cerca de quatro meses, onde foi executado. Caroline, a namorada do culinarista, afirma que os três tinham uma boa relação profissional e de amizade, apesar de vez ou outra o produtor fazer pequenas reclamações em relação à administração do negócio.

De acordo com informações do Boletim de Ocorrência (BO), Denis não tinha inimigos, não estava envolvido em atividades ilícitas e nem contraído dívida. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que investiga o paradeiro de Herberth, que segue foragido, para elucidar todas as circunstâncias do crime.

O caso

Em depoimento registrado no Boletim de Ocorrência, Caroline diz ter sentido a falta do companheiro na noite do dia 22, quando Denis parou de responder as mensagens dela. Na manhã seguinte, ela notou que o celular do namorado estava desligado e não conseguiu contato com ele, o que era incomum. Por meio do WhatsApp, contatou os sócios do rapaz, que informaram terem visto Denis pela última vez às 21h do dia 22, na empresa localizada próximo ao Morumbi, na Zona Sul da capital paulista.

No dia 24, a companheira abriu um BO e notificou nas redes sociais do rapaz o desaparecimento. Através da ferramenta de localização do Google, Caroline identificou que o último sinal registrado no celular estava localizado na empresa na noite do dia 22, sem deslocamento da vítima após a data. Caroline voltou a pressionar os sócios do namorado com o pedido para visualizar as gravações das câmeras de segurança da redondeza. Foi então que ambos, no sábado (27), revelaram a primeira versão do caso, ainda segundo informações registradas pela polícia.

Ainda segundo a companheira de Denis, Herberth contou a mesma versão da história para ela e para o terceiro sócio. O relato era de que o empresário estava presente no apartamento quando dois indivíduos (desconhecidos para ele), entraram no local com a autorização de Denis.

Os dois desconhecidos então começaram a discutir com Denis e sacaram uma faca e o mataram com golpes desferidos no seu abdômen. Em seguida, foram atrás de Herberth, o agrediram e tentaram o golpear com a faca, mas ele conseguiu a segurar. Após súplicas, os assassinos pouparam sua vida, desde que sumisse com o corpo de Denis, ou então voltariam para o matar. Foi então que Herberth entrou em contato com o terceiro sócio somente na manhã seguinte para ocultar o corpo.

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Herberth Prates Rodrigues Lima está foragido. (Foto: Reprodução)

O envolvido, que contribui com a investigação, prestou depoimento no dia 2 de março, confirmando a versão contada para a namorada de Denis e levou os policiais ao local em que o corpo estava enterrado, em uma vala. numa vala rasa. Ao ter acesso às câmeras de segurança, foi descoberto que os dois indivíduos descritos na primeira versão do crime nunca estiveram no apartamento, e Denis passou a noite do crime sozinho com Herberth no local e a única entrada no ambiente foi na manhã seguinte pelo parceiro de negócios.

Caroline disse que Herberth se recusou a prestar depoimento, alegando que corria risco junto da família e da filha de um ano. O terceiro sócio afirmou que foi enganado pela mesma história e sentia muito por ter ajudado na ocultação do corpo. Herberth não assumiu a culpa do crime e cortou contato com o sócio e com a namorada da vítima, desaparecendo desde então.

Um mandato de busca e apreensão foi expedido para prender temporariamente Herberth.  À polícia, a família do foragido não soube responder onde ele pode estar localizado. Os objetos utilizados no crime foram recolhidos para ajudar na investigação. A cena da execução, como relatada no BO, havia sido previamente organizada e higienizada pela dupla de sócios.

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