COTIDIANO / Quarta, 24 Fevereiro 2021 16:39

Com UTIs superlotadas, Salvador vive momento mais crítico do período de pandemia

Hospital do Subúrbio e o Hospital Municipal de Salvador são duas das unidades que estão sem vagas para novos pacientes acometidos pelo coronavírus; Bahia chegou ao número de 11.321 óbitos confirmados e 82% de seus leitos de internação ocupados 

Texto: Victor Lacerda / Edição: Lenne Ferreira / Imagem: Divulgação/Secretaria de Saúde do Estado da Bahia

Introdução:

Hospital do Subúrbio e o Hospital Municipal de Salvador são duas das unidades que estão sem vagas para novos pacientes acometidos pelo coronavírus; Bahia chegou ao número de 11.321 óbitos confirmados e 82% de seus leitos de internação ocupados 

Texto: Victor Lacerda / Edição: Lenne Ferreira / Imagem: Divulgação/Secretaria de Saúde do Estado da Bahia

Com 80% da população negra/parda, a Bahia vive o momento mais crítico da pandemia causada pelo coronavírus. No último boletim divulgado pelo Governo do Estado, divulgado nesta quarta-feira (24), os dados referentes à capital Salvador, revelam um cenário alarmante. A Central Integrada de Comando e Controle da Saúde confirma o superlotamento de quatro unidades que atendem moradores de áreas socialmente vulneráveis, onde estão as principais vítimas da Covid-19.

O Hospital Santa Isabel, Hospital de Campanha da Itaigara, Hospital do Subúrbio e o Hospital Municipal de Salvador, já apresentam 100% de ocupação dos leitos nas Unidades de Terapia Intensivas (UTIs). A capital totaliza 142.912 casos confirmados desde o período inicial de infecção e, atualmente, tem 4.573 casos ativos e 133 em observação. Os números fazem parte do quadro de 664.904 casos confirmados em toda o estado da Bahia, que conta com 2.220 leitos ativos e 1.572 para internação. Outro dado que chama a atenção é que o estado chegou a marca de 82% na taxa de ocupação dos leitos da UTI para adultos e 71% para ocupação geral. Ao todo, 11.321 pessoas já faleceram acometidas pela doença. 

A estudante de saúde Nathalie Nogueira, moradora do bairro de Saboeiro, avalia as possíveis motivações para a atual situação da cidade e indica qual o sentimento da população local. “A ideia de que temos vacina e que tudo vai ficar bem em breve e a força das redes sociais em divulgar pessoas em momentos de lazer fora de suas casas, acredito que ajudaram no aumento das aglomerações e, por consequência, do número de infectados na cidade. Com medidas como o toque de recolher, o sentimento que temos aqui é que estamos caminhando para um próximo ‘lockdown’, o que eu acho de extrema importância neste momento”, afirma a estudante.

Como forma de controlar os números em crescimento, o governador Rui Costa (PT) determinou toque de recolher em toda a Bahia, que atingiu vários setores para diminuir focos de aglomeração e continuidade na propagação do vírus. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) na última quinta-feira (18) e já passou por reformulações na última segunda-feira (22). 

Em publicação via página em rede social, o gestor lamentou o aumento no número de casos e atualizou a população sobre as novas medidas a serem tomadas. “Infelizmente, alcançamos a marca de 80% de ocupação dos leitos de UTI na Bahia e a consequência será a ampliação do horário do toque de recolher. A partir desta segunda, dia 22, a restrição será das 20h às 5h. A região Oeste será a única exceção na atualização do decreto”, comunicou Costa. 

Para a nova formulação publicada por Rui sobre o decreto, o atendimento presencial em bares e restaurantes só poderão ir até às 18h. Já a rotatividade no funcionamento do transporte público metropolitano encerra suas atividades às 20h30. Aplicativos de entrega e fornecimento de alimentos só podem circular até às 23h. 

“Estamos vivendo um momento extremamente grave e conto com a compreensão de todos”, alertou o gestor, após detalhamento dos horários. Outras medidas de fortalecimento ao atendimento estão sendo tomadas, como a reabertura do Hospital de Campanha da Arena Fonte Nova, localizado no estádio em que recebeu a Copa do Mundo em 2014. A unidade volta ao funcionamento depois de quatro meses sem atendimento. Como estrutura, conta com 80 leitos, sendo 50 para terapia intensiva e 30 para os atendimentos clínicos, 10 leitos a mais do que quando houve a inauguração. 

Assim como em Abril do ano passado, as praças públicas e as academias de saúde ao ar livre, na capital também foram interditadas com tapumes e cancelas para a não circulação de pedestres ainda hoje (24). A ação foi executada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade (Seman), que interrompeu as atividades em áreas como Vale das Pedrinhas e Imbuí. 

Procurada pela Alma Preta Jornalismo sobre os próximos passos na capital baiana, caso o número de infectados não estabilize, a Secretaria Municipal de Saúde de Salvador, até o fechamento desta matéria, não deu retorno. 

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