sábado, 8 de maio de 2021 COTIDIANO /

Com auxílio emergencial reduzido, doações garantem alimento na mesa dos mais pobres

Campanha “Se tem Gente com Fome, Dá de Comer” continua em busca de doações; no último fim de semana, ação em bairro da Zona Leste de São Paulo entregou alimentos e vale-compras no valor de R$ 142,50 cada um

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Yago Rodrigues

Imagem mostra a ativista Adriana ao lado de duas mulheres que receberam alimentos da campanha da Coalizão Negra Por Direitos.
Introdução:

Campanha “Se tem Gente com Fome, Dá de Comer” continua em busca de doações; no último fim de semana, ação em bairro da Zona Leste de São Paulo entregou alimentos e vale-compras no valor de R$ 142,50 cada um

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Yago Rodrigues

Diante do auxílio emergencial reduzido a R$ 250 na pandemia, que já dura mais de um ano no Brasil, a Coalizão Negra por Direitos, organização que compõe centenas de entidades do movimento negro) continua com a campanha de doação de cestas de alimentos “Se tem Gente com Fome, Dá de Comer”. A meta é garantir, pelo menos por três meses, a segurança alimentar de 226 mil famílias em situação de vulnerabilidade. A maioria formada por mães solo negras e periféricas, além de comunidades tradicionais e de áreas rurais, como as quilombolas e  ribeirinhas.

No bairro de Artur Alvim, Zona Leste de São Paulo, foram distribuídas no último fim de semana mais de 40 cestas e vale-compras. A ação contou com o apoio da agência de jornalismo Alma Preta.

 

“O papel fundamental da Alma Preta é trazer para o conhecimento da população os dados e as informações que o governo tenta esconder”, afirma Elaine Silva, sócia e diretora-administrativa da agência.

“Falamos com pessoas que estão em situação vulnerável e elas indicaram outras. Em menos de 24 horas foram mais de 70 cadastros. Neste mês, nós conseguimos aliviar um pouco da dor dessas famílias, mas e no mês que vem?”, acrescenta Elaine, que ressalta a importância das doações.

Leia também: Recordes de mortes, desemprego e fome marcam um ano da lei do auxílio emergencial

Mulheres da periferia falam sobre as dificuldades na pandemia

A diarista Erika Regina, de 42 anos, foi demitida recentemente da metalúrgica que trabalhava. A  sede da empresa se mudou para o interior do estado e deixou os trabalhadores sem emprego. “Nunca tinha visto uma situação tão ruim. Tenho esperança que com a vacinação as coisas melhorem, mas enquanto isso a solução é o auxílio que dê conta do custo de vida tão alto”, avalia.

No caso da dona de casa Jussara Araújo, de 60 anos, que antes da pandemia conseguia compor a renda da família cuidando de crianças enquanto as mães iam trabalhar, o peso maior no orçamento é o aluguel. A crise impactou a vida dela e de seus vizinhos.

“Não teve como fazer acordo e eu pago R$ 900 por mês. Eu tinha dez crianças para tomar conta. Há mais de um ano que não parece nada e todas as que tinha pararam de vir porque as famílias não têm condições de pagar”, relata.

Auxílio emergencial

As mais de 200 organizações do movimento negro que compõem a Coalizão Negra cobram desde o início de 2021 que o auxílio emergencial no valor de R$ 600 seja pago pelo governo federal até o final da pandemia.  O governo suspendeu o auxílio no final de 2020 e em abril deste ano o auxílio retornou, porém em valor muito menor.

“Temos que construir um Brasil que tenha comida na mesa e que o mais importante seja a vida das pessoas. A campanha exige um auxílio de R$ 600 até o fim da pandemia, as pessoas têm o direito de ficar em casa para se proteger”, reforça a ativista Adriana Moreira. 

Leia também: Novos pagamentos do auxílio emergencial: entenda como vão funcionar

Nesta terça-feira (27)rRepresentantes dos movimentos sociais estarão em Brasília para reafirmar na Câmara e no Senado a necessidade do auxílio emergencial de R$ 600. A decisão foi tomada diante do agravamento da fome e da miséria no país e dos valores do auxílio que são insuficientes para comprar a cesta básica.

Com o mote "Queremos vacina no braço e comida no prato", representantes da campanha #auxiloateofimdapandemia, movimentos sociais, e centrais sindicais (CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB, CGTB, Intersindical Central, Pública), das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo) vão cumprir agenda no Congresso.

A ideia é visitar parlamentares para mostrar os dados da fome e a necessidade de que o programa de vacinação avance. Pesquisas mostram que a fome avançou e o país deve alcançar 61,1 milhões de pessoas na pobreza contra 51,9 milhões no ano passado, e 19,3 milhões na extrema pobreza, contra 13,9 milhões há dois anos.

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