COTIDIANO / Terça, 16 Março 2021 14:23

Chacinas e operações policiais crescem no Rio de Janeiro mesmo com pandemia e mudança de governador

Mesmo com a determinação do STF proibindo intervenções, afastamento do governador Wilson Witzel e período pandêmico, onda de violência não dá trégua no estado

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Fotos Públicas

chacinas
Introdução:

Mesmo com a determinação do STF proibindo intervenções, afastamento do governador Wilson Witzel e período pandêmico, onda de violência não dá trégua no estado

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Fotos Públicas

O estado do Rio de Janeiro enfrenta uma alta nos indíces de violência, com chacinas e assassinatos, de acordo com a Rede de Observatórios da Violência e da organização IDMJR (Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial). Nos meses de janeiro e fevereiro ocorreram nove chacinas, ou seja, quando morrem três ou mais pessoas de uma vez.

Ao todo, as nove chacinas deixaram 39 mortos nas cidades do Rio de Janeiro, Belford Roxo, Angra dos Reis, Duque de Caxias e Mesquita. Na capital, as chacinas foram nos bairros de Quintino (10), Madureira (8), Bangu (4)  e Santa Tereza (3 mortes).

As entidades apontam que a alta nos casos de chacinas e mortes tem relação com as operações policiais na chamada guerra ao tráfico de entorpecentes, uma das principais linhas de atuação do governador Wilson Witzel (PSC), afastado do cargo desde agosto de 2020 por determinação do STJ (Superior Tribunal Federal) sob a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro. Como não teve condenação ainda e o afastamento não pode ser maior do que 180 dias, o ex-governador que havia dito que a polícia deveria “atirar na cabecinha” pode retornar ao cargo. Por enquanto, o governador em exercício é Cláudio Castro (PSC).

Em janeiro deste ano, foram 45 operações da polícia no Rio e 16 mortes. No mês seguinte, foram 94 operações e 31 mortes. Em 2020, nos meses de janeiro e fevereiro, foram 43 e 50 operações, com 21 e 18 mortes, respectivamente.

“Isso acontece todas as semanas, há um projeto de segurança pública de apoio às milícias. As operações policiais em mais 90% das ocorrências são em áreas do Comando Vermelho. Na Baixada e em outras regiões do Rio há uma aliança entre as milícias e o Terceiro Comando contra a Comando Vermelho”, explica Fransergio Goulart, da coordenação executiva da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial-Baixada.

Em Belford Roxo, segundo o IDMJR, a megaoperação da Polícia Militar durou mais de 45 dias. No total, foram 17 operações policiais, 16 registros de tiroteios e duas chacinas que resultaram em mais de 22 pessoas assassinadas.

Mais de 80% das vítimas dessa violência no Estado do Rio de Janeiro são pessoas negras, conforme também apontam estatísticas. “Mesmo com a liminar do Edson Fachin (ministro do STF que proibiu operações durante a pandemia), as operações policiais continuaram baseadas na excepcionalidade. Além das várias arbitrariedades, as operações promovem mais conflitos entre as facções criminosas nos territórios”, analisa Goulart.

Oficialmente, os dados de violência e mortes provocadas por agentes do Estado, são apurados, registrados e comparados pelo ISP (Instituto de Segurança Pública) do governo Estadual, no entanto, não existem dados sobre chacinas.

De acordo com o ISP, que faz a verificação das mortes com a dupla checagem, da Polícia Civil e dos técnicos do ISP, as mortes violentas no Estado estão em queda, inclusive, essa tendência é anterior a 2018, antes da posse do governador Witzel. Em janeiro de 2021, por exemplo, que é o último dado disponível, as mortes por intervenção de agentes do Estado tiveram queda de 4,5% na comparação do mesmo mês do ano anterior.

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