COTIDIANO / Quinta, 07 Abril 2022 11:58

Caso Kathlen Romeu: família cobra mais transparência nas investigações

A jovem, que estava grávida de quatro meses, foi morta por um disparo de fuzil no peito; dez meses depois, as investigações do MP estão sob sigilo e não há avanço na responsabilização 

 

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Reprodução

Kathlen Romeu foi assassinada em 8 de junho
Introdução:

A jovem, que estava grávida de quatro meses, foi morta por um disparo de fuzil no peito; dez meses depois, as investigações do MP estão sob sigilo e não há avanço na responsabilização 

 

Autor:

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Reprodução

Amigos e familiares da estudante Kathlen Romeu farão um ato de protesto na manhã desta sexta-feira, dia 8 de abril, na sede do Ministério Público do Rio de Janeiro, quando o assassinato dela completa 10 meses e o andamento do caso segue em sigilo.

Kathlen Romeu tinha 24 anos e estava grávida de quatro meses. Ela foi morta na na comunidade Lins de Vasconcelos, Zona Norte, durante uma operação policial, por volta do meio-dia, com um tiro de fuzil no tórax.

“A letargia e o racismo do Ministério Público fez com que até hoje os responsáveis pelos disparos não fossem denunciados por homicídio”, lembra Gabriel Siqueira, um dos amigos de Kathlen.

A família da estudante e os advogados que estão acompanhando o caso desde o começo afirmam que não têm acesso ao andamento dos autos e nem respostas do MP-RJ. O assassinato da jovem teve repercussão nacional na época, porém, a família teme agora que ele caia no esquecimento e ninguém seja responsabilizado.

“Se Kathlen fosse uma mulher branca do Leblon, será que haveria esse descaso? Exigimos respostas, justiça e acesso da família e advogados aos autos do processo”, questiona Siqueira, que também é membro da Faferj (Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro).

Em dezembro do ano passado, o MP-RJ apresentou a denúncia contra cinco policiais militares suspeitos de alterarem a cena do crime. Foram acusados o capitão da PM Jeanderson Corrêa Sodré, o 3°sargento Rafael Chaves de Oliveira e os cabos da PM Rodrigo Correia de Frias, Cláudio da Silva Scanfela e Marcos da Silva Salviano.

Segundo essa denúncia, os PMs Chaves, Frias, Scanfela e Salviano retiraram, antes da chegada da perícia, os cartuchos que estavam perto do corpo, acrescentando 12 cartuchos calibre 9 mm deflagrados e um carregador de fuzil 556, com 10 munições intactas, que foram apresentados mais tarde na 26ª Delegacia de Polícia, no bairro de Todos os Santos.

Já o capitão Sodré, foi acusado de omitir-se da responsabilidade de preservar o local do crime, sendo ele o superior hierárquico naquele momento.

O tema escolhido para o protesto em frente ao MP-RJ é “Nossa Memória é à prova de balas”. Nas redes sociais, os organizadores estão estimulando o uso das hashtags #JustiçaporKathlenRomeu e #KathlenRomeupresente. O protesto por mais transparência no andamento do processo sobre o assassinato da Kathlen Romeu será na rua Marechal Câmara, 370, no Centro do Rio de Janeiro.

A Alma Preta Jornalismo procurou a assessoria de imprensa do MP-RJ questionando o andamento do caso Kathlen Romeu. Em nota, o MP informou que "O MPRJ, por meio da 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar denunciou cinco policiais militares por modificarem a cena no local onde Kathlen foi morta", porém, não deu mais informações sobre a investigação do homicídio.

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