COTIDIANO / Sexta, 17 Setembro 2021 10:22

Canto Baobá oferece tratamento a preços acessíveis para periféricos, negros e pessoas LGBTQIA+

Inciativa de psicólogo negro e psicóloga lésbica, inaugurado em São Paulo, promove atendimento com foco na resistência contra as violências estruturais; o espaço tem 31 profissionais e atende 670 pessoas

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Divulgação

Ana e Douglas são sócios do Canto Baobá, clinica de saúde mental
Introdução:

Inciativa de psicólogo negro e psicóloga lésbica, inaugurado em São Paulo, promove atendimento com foco na resistência contra as violências estruturais; o espaço tem 31 profissionais e atende 670 pessoas

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Divulgação

Em razão da falta de vivência com a psicologia negra ou com conteúdos acadêmicos acerca do racismo na faculdade, além de questões ligadas à diversidade sexual, os psicólogos Douglas Felix, 36 anos, e Ana Albuquerque, 29 anos, decidiram criar o espaço Canto Baobá. A ideia era atender a preços sociais a população que sofre constantemente as opressões estruturais por raça ou orientação sexual.

“Quando pensamos em fundar o Canto Baobá foi no sentido de expandir a psicologia para além da clínica. Foi pensando em nós mesmos também, eu, como mulher lésbica, e Douglas, como um homem preto, nas violências que vivemos e na vontade de criar um espaço em que nós também somos aceitos, olhados e cuidados”, explica Ana.

A equipe do Canto Baobá é formada por 31 profissionais plurais, são pessoas pretas, LGBTQIA+ e mulheres - sendo 24 psicólogos atendendo na clínica. Essa estrutura multidiversa e aberta para o acolhimento é pensada para receber os pacientes com perfis bastante fragilizados pelo racismo e a homofobia.

“Existem pacientes que chegam embranquecidos, em que vemos essa estrutura de embranquecer o povo preto, querendo se encaixar nos moldes e padrões heterocisnormativos e brancos. Também existem pacientes que chegam violentados pelo racismo de tantas formas que é difícil de se dialogar sobre isso nas sessões. Pacientes que não reconhecem o racismo que vivem diariamente em todos os espaços e quando falamos dos pacientes pretes, existem muitas formas de violência. O racismo vai se modificando e atingindo diversos aspectos desse ser humano”, afirma Douglas.

Além do atendimento, o Canto Baobá quer promover uma evolução na psicologia, ainda muito influenciada pela branquitude, para que as campanhas de prevenção ao suicídio e de cuidados com a saúde mental de todas as populações sejam mais abrangentes.

“Temos trabalhado para que essa psicologia heterocisnormativa branca seja combatida, questionada e criticada. Não podemos parar em 1900. Muitos colegas ainda estão parados ali e que precisam se questionar se a teoria que estão utilizando nas sessões de psicoterapia estão embasadas em muito preconceito, ou por uma vivência europeia. Exigimos que, no mínimo, estejam alinhados no respeito às identidades, afetos e construir possibilidades de potência, futuro, que não inviabilize as dores do outro, não inviabilize o racismo, machismo, LGBTfobia e demais violências”, diz Ana.

O Canto Baobá Psicologia fica no bairro da Bela Vista, no centro de São Paulo, e atende cerca de 670 pessoas - destas, 100 estão no programa de taxa simbólica por conta da vulnerabilidade social. Também foi criado um blog e redes sociais, onde são divulgadas as atividades e campanhas.

Leia mais:Setembro Amarelo: racismo e exclusão social explicam alto índice de suicídio entre negros no país

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