COTIDIANO / Quinta, 20 Mai 2021 11:55

Brasil deve chegar a 500 mil mortos pela Covid-19 em junho

Segundo especialistas da área da saúde, má gestão do governo Bolsonaro e lentidão da vacinação podem acelerar o número de mortes; em um ano o número de mortos saltou de 17 mil para 440 mil

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Fotos Públicas

Imagem mostra um cemitério onde são enterrados os corpos de vitimas da Covid-19
Introdução:

Segundo especialistas da área da saúde, má gestão do governo Bolsonaro e lentidão da vacinação podem acelerar o número de mortes; em um ano o número de mortos saltou de 17 mil para 440 mil

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Fotos Públicas

O Brasil possui apenas 2,7% da população mundial, no entanto é o país que soma 12,6% de todas as mortes por Covid-19 no planeta, com mais de 440 mil vidas perdidas em pouco mais de um ano. Entre o final da primeira semana e o início da segunda quinzena de junho, se mantidas a atual média de mortes diárias, o país deve atingir a marca de meio milhão de mortes.

Em 18 de maio do ano passado, o Brasil tinha 16.790 mortes confirmadas na pandemia e uma média de 743 óbitos, na média semanal. No dia 18 de maio de 2021, a média foi de 1.930 mortes e, ao todo, 440 mil brasileiros perderam a vida para a Covid-19.

A pandemia atinge de forma mais aguda as populações em vulnerabilidade social e econômica, que não podem fazer o isolamento social e ainda não foram imunizadas, sobretudo a população negra, que representa 56% dos brasileiros.

“Estamos há 15 meses na pandemia da Covid-19. São 440 mil famílias impactadas. É incalculável o impacto disso. O governo tem estratégias de necropolítica contra a população pobre e não-branca. No contexto pandêmico, ele amplia essas políticas quando não investe em vacina, quando subestima as recomendações da OMS [Organização Mundial da Saúde], quando não estende os benefícios de complementação de renda das famílias. É um projeto de morte da população”, avalia a enfermeira Bruna Luana Farias. A profissional atua no Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos, mantido pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Ritmo lento da vacinação

A taxa de vacinação do Brasil está em ritmo lento, principalmente se comparada a outras nações. O país está com 8,4% da população totalmente imunizada, cerca de 17 milhões de pessoas. No Chile, são 40% da população, o mesmo índice dos Estados Unidos, onde cidades já descartaram a obrigatoriedade do uso de máscaras em espaços abertos.

“No Brasil, o plano de vacinação é desorganizado. Muitos grupos não foram colocados como prioritários, por exemplo, as pessoas privadas de liberdade. Até abril, a vacinação deste grupo era de 0,04% apenas”, ressalta Emanuelle Góes, doutora em Saúde Pública com concentração em Epidemiologia, pelo Instituto de Saúde Pública da UFBA (Universidade Federal da Bahia).

Outro ponto levantado pela doutora é a campanha anti-vacinação feita por grupos negacionistas e pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “A adesão não é de 100% da população porque tem uma corrente contrária. Essas pessoas dizem que a vacina não serve para nada e que vão virar jacaré, como disse Bolsonaro. As pessoas dão ouvidos a isso em vários lugares”, pondera Emanuelle.

Mesmo quem já foi vacinado, de acordo com a doutora, negligencia os cuidados coletivos. “Há pessoas que acham que já podem deixar de se cuidar, relaxam, e continuam a se relacionar com outras pessoas que não se vacinaram. Assim, elas ajudam a espalhar o vírus. Usar máscara e manter o distanciamento é importantíssimo”, recomenda.

Desinformação e CPI da Covid

No Brasil ainda há falta de articulação das estratégias de comunicação para fazer a população entender o que precisa ser feito em relação à pandemia, conforme explica a doutora. “O governo mantém todo mundo desinformado e confuso. Isso vai levar a mais mortes”, destaca Emanuelle.

O Senado Federal realiza uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar os procedimentos e ações do governo no combate à pandemia. Até o momento, os senadores apontam que há fortes provas de que o governo foi negligente, principalmente ao focar as estratégias em tratamento preventivo, quando já estava provado que a única saída era a vacinação. O ex-ministro da Saúde e general do Exército, Eduardo Pazuello, teve que prestar explicações na CPI.

O Brasil começou a imunizar a população em janeiro, com a vacina Coronavac, produzida no Instituto Butantã, em São Paulo, mas a produção foi interrompida por conta da falta de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo), que vem da China. Segundo o governo do estado, a próxima remessa deve chegar em 26 de maio, quando a produção será retomada a produção da vacina contra a Covid-19.

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