Esposa de Beto, morto no Carrefour, relata medo de sair de casa por trauma

Em 2020, mesmo ano em que o homem negro foi assassinado por seguranças em uma unidade da rede de supermercados, a marca teve lucro de 2,8 bilhões de reais

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Acervo/Alma Preta Jornalismo

Introdução:

Em 2020, mesmo ano em que o homem negro foi assassinado por seguranças em uma unidade da rede de supermercados, a marca teve lucro de 2,8 bilhões de reais

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Acervo/Alma Preta Jornalismo

Aos 43 anos de idade, a cuidadora de idosos Milena Alves vive em estado de tensão e tristeza desde o dia 19 de novembro, véspera do Dia da Consciência Negra, quando o seu companheiro, João Alberto Freitas, o Beto, foi assassinado por dois seguranças do Carrefour, em Porto Alegre (RS).

Três meses depois do crime que tirou a vida do esposo que era um homem negro, Milena contou ao site GZH que continua muito traumatizada. Ela disse que tem medo e não sai mais de casa sozinha.  Em contrapartida, o balanço do Carrefour mostra que 2020, mesmo diante da pandemia e da repercussão que o caso teve, o lucro líquido da empesa foi de R$ 2,8 bilhões.

“Somos a favor de um boicote internacional. Não há espaço para diálogo com empresa assassina, racista e genocida. Não toleramos empresas que, através da violência racial e do genocidio, multiplicam os seus lucros”, lembr Douglas Belchior, educador e integrante da UneAfro Brasil, entidade que compõe a Coalizão Negra por Direitos.

O ativista aponta também que o racismo estrutural dos grandes varejistas como o Carrefour afetam funcionários e clientes. “O Beto não foi o único e, infelizmente, não será o último. A família continua desamparada e em luto”, comentou Belchior. No caso do Carrefour, de acordo com ele, é necessária uma punição severa e exemplar.

“O Carrefour tem responsabilidade em seguidos crimes de violência racial. A empresa deveria ter fechado o mercado em Porto Alegre e entregue a estrutura à comunidade, dado uma indenização justa para a família de acordo com a gravidade do crime”, avalia Belchior.

Em novembro, após o assassinato de Beto, houve uma série de protestos contra lojas do Carrefour em diversas cidades do Brasil. A rede se manifestou com uma declaração de compromissos antirracistas e um plano de ação de longo prazo. No dia 25 de novembro, o Carrefour anunciou a criação de um comitê externo para acompanhar as ações antirracistas.

A Alma Preta questionou o Carrefour sobre o tipo de assistência que a rede está dando à família de Beto e se eles estão acompanhando a saúde emocional da companheira dele, que presenciou a morte e é testemunha do crime. A assessoria do Carrefour informou que oferece suporte financeiro, social e psicológico à família, incluinda a Milena e sua filha, e "vem mantendo contato com os advogados para tratativas de acordo". 

(Esta reportagem foi atualizada em 20/2, às 6h50, para incluir o posicionamento do Carrefour)

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