COTIDIANO / Quarta, 20 Janeiro 2021 09:48

BBB21: a Globo não é mais, nem menos racista com esta edição

Karol Conká, Projota, Lumena Aleluia, Lucas Penteado, Gilberto, Pocah, João Luiz, Nego Di e Camila de Lucas formam o time de pessoas negras da nova temporada do Big Brother Brasil, a edição com o maior número de pretas e pretos da história do programa

Texto: Redação | Imagem: Reprodução

Introdução:

Karol Conká, Projota, Lumena Aleluia, Lucas Penteado, Gilberto, Pocah, João Luiz, Nego Di e Camila de Lucas formam o time de pessoas negras da nova temporada do Big Brother Brasil, a edição com o maior número de pretas e pretos da história do programa

Texto: Redação | Imagem: Reprodução

Conforme os nomes foram anunciados, um alvoroço tomou conta das redes sociais, com as pessoas empolgadas com a possibilidade de acompanhar negras e negros no programa, sobretudo no período de pandemia e isolamento social.

A maior emissora de televisão brasileira, como é sabido, não aumentou a participação de pessoas negras por acreditar na representatividade ou na maior diversidade de pessoas. Existe uma pressão da sociedade e do mercado para que os produtos apresentados ao público respondam aos interesses de todos. Isso, definitivamente, não torna a Rede Globo uma emissora mais diversa ou comprometida com as mudanças estruturais impostas pelo racismo.

Um dos exemplos da atenção à diversidade no universo dos reality shows partiu da CBS, que exigiu para os realities de 2021-22 a presença de 50% de participantes não-brancos. "À medida que nos esforçamos para melhorar todos esses aspectos criativos, os compromissos anunciados hoje são os primeiros passos importantes na obtenção de novas vozes para criar conteúdo e expandir ainda mais a diversidade em nossa programação de realities, bem como em nossa rede", afirmou George Cheeks, presidente e diretor executivo do CBS Entertainment Group.

Dá para gostar de BBB e querer mudar a realidade

Mesmo com todas as limitações, inclusive já conhecidas de parte do público, o programa de reality show de massiva audiência permitirá a discussão de uma série de temas interessantes. O perfil dos convidados sugere isso, com pessoas negras engajadas na luta contra o racismo, sexismo e as diferentes desigualdades sociais.

Se Thelma e Babu mal podiam dizer de maneira aberta a palavra “racismo” na edição de 2020, desta vez, o jogo, literalmente, será diferente.

O programa também permitirá, tanto para os “torcedores”, quanto para os participantes do próprio reality, mostrar as divergências existentes entre as pessoas negras. Os seis participantes com certeza terão afinidades, mas as discordâncias estarão presentes, bem como as brigas e os desencontros. Pessoas negras são únicas e diversas, com a similaridade de compartilhar a construção social de negritude.

Vale lembrar que a população negra no Brasil tem mais de 100 milhões de pessoas e não será representada em toda a sua diversidade por 6 pessoas. Mesmo que o salto de 2 participantes, o número padrão de participantes negros no reality, para 6 seja significativo, as singularidades do povo negro e da cada indívuduo são únicas.

Independente das características de cada integrante do programa, é saudável que pessoas negras tenham a possibilidade de consumir produtos de entretenimento representativos, em que seja possível se reconhecer, ao menos de alguma maneira. O entretenimento faz parte do nosso cotidiano e o BBB será tema de discussão, com ou sem a presença de pessoas negras. Se for assim, melhor que tenha a participação deste segmento social e que pessoas negras tenham cada vez mais motivos para se divertir, sobretudo durante o isolamento social.

Negar a relevância do Big Brother Brasil é remar contra a maré e fechar os olhos para um programa que movimentará o cotidiano das pessoas. É um espaço de construção de imaginário e é fundamental que caminhe no sentido de romper com o mito da democracia racial e que ajude na mobilização das pessoas.

O BBB, contudo, deve ficar no seu lugar, como um espaço de entretenimento, com a possibilidade de importantes discussões, mas sem a compreensão de que se trata de um ambiente de luta de direitos. 

Ter acesso a direitos e ter a possibilidade de consumo de produtos representativos são diferentes. Um não nega o outro. É possível (e muito) gostar do BBB, torcer para as pessoas negras, e seguir se mobilizando em grupo e no cotidiano para alterar a realidade desigual do país. Uma coisa, contudo, não é igual a outra.

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