COTIDIANO / Sábado, 19 Junho 2021 18:50

Ato na Avenida Paulista destaca responsabilidade de Bolsonaro pelos 500 mil mortos na pandemia

Manifestantes ocuparam cerca de nove quarteirões da avenida mais conhecida da capital paulista para pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro

Texto: Nadine Nascimento e Nataly Simões | Imagem: Yago Rodigues

Imagem mostra manifestação contra Bolsonaro na Avenida Paulista
Introdução:

Manifestantes ocuparam cerca de nove quarteirões da avenida mais conhecida da capital paulista para pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro

Texto: Nadine Nascimento e Nataly Simões | Imagem: Yago Rodigues

Neste sábado (19), data em que o Brasil se aproxima da marca de 500 mil vidas perdidas para a Covid-19, milhares de pessoas foram até a Avenida Paulista, na região central de São Paulo, para protestar contra o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido). Os manifestantes demonstraram indignação com a falta de compromisso do governo federal em combater a pandemia, após a recusa de várias vacinas e a ausência da manutenção de um auxílio emergencial em um valor justo, por exemplo.

O ato foi convocado por partidos de oposição ao governo e movimentos sociais, entre eles a Coalizão Negra por Direitos, organização que reúne centenas de movimentos negros e entidades da sociedade civil organizada.

“Foi o governo Bolsonaro que escolheu não proteger a população. Todos e todas aqui temos alguém especial, uma mãe, um pai, um irmão, um amigo que morreu pra essa doença. O recado que a gente dá é que essa é uma marcha fúnebre e nós não queríamos estar aqui. Nós estamos aqui pela derrota deste governo genocida. Muita esperança na luta porque só ela muda vidas”, afirma a militante Simone Nascimento, do MNU (Movimento Negro Unificado), em entrevista à Alma Preta Jornalismo.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), os manifestantes ocuparam também cerca de nove quarteirões da região da Avenida Paulista, que ficou bloqueada nos dois sentidos.

douglasbelchiorpornadineO ativista e educador Douglas Belchior, da UneAfro Brasil, lembrou que a Coalizão Negra por Direitos esteve nas ruas desde o início da pandemia para pautar os efeitos sobre a população negra e periférica. "É muito bom que todo campo popular, em seguida, tenha sido incentivado por essa necessidade de enfrentar Bolsonaro nas ruas", afirmou.  | Foto: Nadine Nascimento

Além de lideranças do movimento negro, parlamentares também participaram do protesto. Entre eles a co-vereadora Elaine Mineiro, do Quilombo Periférico do PSOL. A vereadora, que tomou posse na Câmara Municipal de São Paulo, no início deste ano, lembrou que a população negra e das periferias é a mais afetada pela Covid-19.

“Mesmo durante uma pandemia, precisamos voltar às ruas por conta de um governo genocida, que mata mais que o próprio vírus. Todos nós enfrentamos o vírus, mas somos nós a população preta e periférica que fica na pior situação”, destaca Elaine.

Conforme já noticiado em reportagens da Alma Preta Jornalismo, a co-vereadora lembrou que existem estudos que apontam que a expectativa de vida da população negra, que já era menor que a da população branca, também se demonstrou menor na pandemia, visto que os negros têm mais chances de morrer em decorrência do coronavírus por conta das desigualdades sociais. “Isso faz parte de um projeto genocida e é por isso que estamos na rua hoje”, complementou Elaine.

Os manifestantes seguiram, de forma pacífica, da Avenida Paulista em direção à Rua da Consolação e Praça Roosevelt, onde ocorre a dispersão do ato. As pessoas seguiram os protocolos de prevenção à Covid-19 e em alguns pontos havia distribuição de máscaras de proteção individual.

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