COTIDIANO / Segunda, 26 Julho 2021 12:32

Ativista compra bolacha com nota de R$ 200 para protestar contra racismo

Protesto no supermercado Compre Bem, de Ribeirão Pires, reuniu cerca de 50 pessoas que usaram notas de R$ 100 e R$ 200 para comprar produtos de pequeno valor; clientes negros reclamam de perseguição e racismo no estabelecimento

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Reprodução

manifestantes protestam contra racismo em Ribeirão Pires
Introdução:

Protesto no supermercado Compre Bem, de Ribeirão Pires, reuniu cerca de 50 pessoas que usaram notas de R$ 100 e R$ 200 para comprar produtos de pequeno valor; clientes negros reclamam de perseguição e racismo no estabelecimento

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Reprodução

Cerca de 50 pessoas se reuniram para protestar de forma pacífica contra um caso de racismo no supermercado Compre Bem, no centro de Ribeirão Pires, cidade da região metropolitana de São Paulo, neste domingo (25). Elas entraram no estabelecimento e compraram produtos de pequeno valor para pagar com notas de R$ 100 ou R$ 200. Com a demora do estabelecimento para providenciar o troco, formaram-se filas.

“Nós pessoas negras somos consumidoras e como tal devemos ser tratadas. Estamos cansadas de ser seguidas em supermercados, lojas, shoppings, de termos que nos preocuparmos com nossa roupa, com a bolsa que seguramos. Não somos nós que temos que 'policiar' nossas condutas dentro do comércio. O comércio que necessita mudar a prática racista e parar de nos tratar como pessoas suspeitas" afirma a advogada e ativista Jacque Cipriany.

Segundo os manifestantes, o supermercado Compre Bem, que já teve outros nomes, sempre foi conhecido por seu históricoi de perseguição contra clientes negros. “Quando eu tinha 16 anos, vim comprar uma bolacha e o segurança me perseguiu ainda dentro do mercado e disse para eu colocar de volta o pacote na prateleira porque eu não ia ter dinheiro para pagar”, relembra Jacque. A ativista comprou a mesma bolacha, por R$ 2,49, e pagou com uma nota de R$ 200.

Aos domingos, o supermercado fecha às 16h e o horário do ato contra o racismo foi escolhido próximo ao final do expediente para evitar constrangimento aos funcionários e clientes.

“Não é contra os trabalhadores, mas sim contra o racismo estrutural comum nos comércios. Foi uma ação pacífica com muita educação e respeito. Foi contra o tratamento hostil. Todas as pessoas negras que estavam lá tinham uma história de racismo para contar. Os supermercados precisam mudar essas práticas”, considera Jacque.

Os manifestantes esperaram os trocos e guardaram os comprovantes. Não houve nenhum tipo de conflito, porém, na saída do estabelecimento havia uma viatura da Polícia Militar que abordou um dos ativistas e depois o liberou.

A Alma Preta Jornalismo entrou em contato com o supermercado Compre Bem para saber o posicionamento do supermercado em relação ao protesto. Até a publicação deste texto, o estabelecimento não se posicionou. Caso responda, o texto será atualizado.

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