COTIDIANO / Quinta, 03 Junho 2021 14:33

Após suicídio de aluno negro, professores pressionam USP por políticas antirracistas

Grupo de docentes negros criou uma petição para o desenvolvimento de políticas de acolhimento aos estudantes negros que ingressam na instituição de ensino

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nataly Simões | Imagem: Reprodução

Amigos e familiares no cortejo realizado no campus após suicídio de aluno negro.
Introdução:

Grupo de docentes negros criou uma petição para o desenvolvimento de políticas de acolhimento aos estudantes negros que ingressam na instituição de ensino

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nataly Simões | Imagem: Reprodução

Após o suicídio do universitário Ricardo Lima da Silva, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), um grupo de professores negros da instituição de ensino criou um manifesto com propostas para a promoção do respeito à diversidade e combate ao sucateamento da maior universidade do Brasil.

O estudante de 25 anos era vítima de bullying e racismo dentro da instituição e sua situação de sofrimento foi negligenciada, conforme apontam relatos de amigos e familiares à Alma Preta Jornalismo

 

A professora Adriana Alves participou da elaboração do manifesto "Pelo Respeito à Diversidade na USP", que se tornou uma petição. A docente, que é ex-aluna da instituição, destaca a falta de interesse da universidade em promover o acolhimento de alunos negros. “A gente cansou de gritar pro vácuo. A petição vai ser entregue para a reitoria assim que arrecadarmos o maior número de assinaturas possíveis”, explica a educadora. 

Segundo a professora, alguns alunos que residiam no Conjunto Residencial da USP, assim como Ricardo, se queixavam de problemas na infraestrutura da moradia. “O sucateamento é grave. A questão racial na USP não pode se limitar à cota. É muito grave a inviabilização dos jovens vulneráveis da universidade”, reitera Adriana. 

Entre as principais demandas levantadas na petição, está a criação de um escritório central para questões raciais, administrado e gerido por docentes negros, e um serviço de assistência social voltado à temática racial. “Os nossos alunos negros e cotistas vão adoecer porque é uma geração que entra politizada na USP. Essa geração entra sabendo que o problema é estrutural e que a universidade não reconhece e nem tem vontade de mudar”, complementa Adriana.

Os 12 professores que compõem o grupo de docentes que elaborou o manifesto/petição fazem parte de uma minoria  no quadro de docentes da universidade. De acordo com o Centro de Tecnologia de Informação da USP, entre os 5.772 professores da universidade, 35 são negros.

Depois de unir o maior número possível de assinaturas, os professores pretendem protocolar os pedidos com a reitoria da universidade, que passa por eleição ainda em 2021. 

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