COTIDIANO / Terça, 06 Setembro 2022 18:28

Apenas 6 em cada 10 mulheres negras têm acesso ao pré-natal

Apesar da ampliação do acesso entre 2014 a 2019, as mulheres negras foram as que mais sofreram com as consequências da pandemia

Texto: Victor Oliveira | Edição: Elias Santana Malê | Imagem: Reprodução

Introdução:

Apesar da ampliação do acesso entre 2014 a 2019, as mulheres negras foram as que mais sofreram com as consequências da pandemia

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Texto: Victor Oliveira | Edição: Elias Santana Malê | Imagem: Reprodução

Relatório desenvolvido pelo Instituto de Estudos para Política de Saúde (IEPS) revela que existiram diferenças no acesso a pré-natais adequados entre mulheres negras e brancas, entre o período de 2014 a 2020. O recorte também demonstra desigualdade nas taxas de mortalidade, uma vez que, no mesmo período, houve aproximadamente oito mortes maternas a mais de mulheres negras do que de mulheres brancas para cada 100 mil nascidos vivos.

Para Rony Coelho, pesquisador em economia da saúde voltado para as causas raciais do IEPS, as duas questões estão diretamente ligadas, uma vez que a mortalidade materna é em grande medida evitável, caso tenha o tratamento adequado. “O acesso ao pré-natal começa desde o descobrimento da gravidez e consiste em uma série de exames, como ultrassonografia e hemograma completo, que podem de forma preventiva evitar complicações durante a gestação”, explica Rony.

De acordo com o relatório, enquanto 76,1% das mulheres brancas realizaram um número adequado de consultas pré-natais em 2014, apenas 59,8% das mulheres negras acessaram esses cuidados. Até 2019, houve uma gradual melhora desses indicadores. Naquele ano, tiveram assistência adequada 81,2% das mulheres brancas e 67,8% das mulheres negras. 

Segundo o documento, em 2020, ao passo que a proporção de gestações de nascidos vivos com o número de consultas de pré-natal adequado caiu 0,54% para mulheres brancas no ano da pandemia, em relação ao ano anterior, e para as negras cai mais que o dobro, 1,44%. Portanto, parte dos ganhos, em termos de acesso à saúde materno infantil, do período 2014-19, foi perdida em 2020.

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Para o pesquisador, os dados da nota técnica revelam que a pandemia atenuou a persistência da desigualdade racial. “Entre 2014 e 2019, apesar da lentidão, houve uma melhora dessas desigualdades raciais quanto ao acesso. Mas com a pandemia, a situação acabou se revertendo”, completa Rony. 

O estudo elencou quais políticas públicas foram importantes para a redução das desigualdades entre 2014 e 2019: a disponibilidade de leitos obstétricos e a ausência da estratégia de saúde das famílias. De acordo com Rony, as regiões com mais leitos e a maior cobertura dessa estratégia têm menores indicadores das desigualdades raciais quanto ao acesso ao pré-natal. 

Além disso, ele salienta que a maior disponibilidade de médicos não está associada, segundo os dados, à redução da desigualdade. Para ele, esse indicativo demonstra a importância de uma ação que está prevista na política nacional de saúde integral da população negra. “Precisamos de médicos olhando para a questão racial”, pontua. 

O relatório ainda ressalta que para reduzir as desigualdades raciais nos indicadores de acesso a cuidados pré-natais e as taxas de mortalidade materna é preciso fortalecer a Atenção Básica, programas relacionados à saúde da mulher e da gestante bem como a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, que contempla diretrizes para garantir um olhar específico para a saúde de mulheres negras.

Este conteúdo integra a série Eleições 2022: Escolha pelas Mulheres e pelas Crianças ação o Nós, mulheres da Periferia, Alma Preta Jornalismo, Amazônia  Real e Marco Zero, apoiada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

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