COTIDIANO / Segunda, 20 Dezembro 2021 10:21

A caminhada de uma jovem ativista na educação pública

A série “Estudantes na Alma Preta” traz as histórias de jovens da rede estadual de ensino da Bahia narradas a partir da perspectiva deles

Texto: Jhuly Borges

Introdução:

A série “Estudantes na Alma Preta” traz as histórias de jovens da rede estadual de ensino da Bahia narradas a partir da perspectiva deles

Autor:

Texto: Jhuly Borges

Como diria meu querido Paulo Freire: "A educação não transforma o mundo, a educação transforma pessoas e pessoas transformam o mundo". Quando eu começo a pensar na minha trajetória, confirmo, propago e começo a dividir o mesmo pensamento.

Meu nome é Jhuly Borges Oliveira, tenho 15 anos, resido na cidade de Itabuna, litoral sul da Bahia, estudo no Centro Integrado Oscar Marinho Falcao (CIOMF). Tenho orgulho em dizer que sou estudante da rede estadual de ensino, desde pequena sempre estudei em escolas públicas. Aprendi a ler com 3 anos, fui alfabetizada a partir da educação pública, e na quinta série já exercia meu espírito de liderança nos trabalhos em grupo e nas festinhas da sala.

Aos 10 anos de idade descobri que poderia mudar o mundo, pois a educação havia me transformado em uma pessoa melhor. Um mês antes de fazer 11 anos, entrei no clube de ciências da minha escola e foi ali que minha história começou a mudar. Montei um projeto com 5 colegas sobre o Aedes Aegypti, e fui colocada na administração dele. O projeto foi para a frente e eu fiquei feliz em saber que participaria pela primeira vez de uma feira de ciências. Fiquei ansiosa, com o coração a mil. Meses se passaram e chegou a tão esperada feira, apresentamos nosso projeto, que momento, quanta emoção... foi ali que comecei a enxergar a importância do protagonismo estudantil e da valorização da escola pública.

Passei de ano, entrei de férias. Retornei no mês de fevereiro, ano de 2018, no 7° ano e mal sabia que aquele seria o ano da minha vida. Eu tinha exatamente 11 anos quando fui para minha primeira feira em outra escola, tinha orgulho em apresentar meu projeto e ver outras pessoas o apoiando. Um mês depois ocorreu a construção de um projeto coletivo na escola, com um tema sobre meio ambiente. Eu já era apaixonada pela temática e meu projeto, inclusive, tinha muito haver com a proposta. Entreguei tudo na minha participação, e isso acabou me ajudando no futuro, dias depois teve uma votação para eleger uma pessoa a representar a escola em uma das etapas de uma conferência estadual. Uma pessoa me indicou por ter visto o meu esforço, eu aceitei e fui uma das candidatas. Tivemos 10 minutos para expor tudo que sabíamos sobre o tema, e estava lá eu debatendo, expondo tudo que sabia. No final, fui eleita para tão grandiosa representação. Participei da conferência territorial “Grandes projetos, grandes escolas”. Vencemos e fomos para a estadual, não ganhamos o primeiro lugar, mas trouxemos para casa novamente o aprendizado sobre a importância da educação pública.

Foi aí que resolvi não só ficar no aprendizado, mas pôr em prática tudo que havia aprendido, como lutar pela escola pública, pelos direitos estudantis, e comecei a ser ativa no processo do protagonismo estudantil. Consequentemente tive várias participações em diversos assuntos. Ganhei o primeiro lugar na etapa regional da Olimpíada de Saúde e Meio Ambiente da Fiocruz, como também o primeiro lugar na categoria nacional graças à educação pública.

Hoje sou líder de classe, representante estudantil, ativista ambiental, idealizadora de projetos ambientais e de saúde, participei da 1° simulação da ONU, recebi certificação nas Olimpíadas de Matemática, além de certificações em várias temáticas, tudo por conta da educação pública.

Ao trazer todas essas coisas aqui, não digo para me vangloriar, pelo contrário, trago para mostrar a importância da educação pública, as oportunidades que ela te permite se você se permitir, o poder dela, a dimensão e lembrar que sem a educação não há esperança. A esperança de um futuro melhor, a esperança de pessoas pobres e pretas alcançando o alto nível da sociedade, a esperança de estudantes que dão o duro de trabalhar e estudar, a esperança de haver esperança.

E quando reflito sobre tais coisas, tenho certeza que a educação pública é a minha esperança, é o meu lugar e sempre lutarei por ela para que outras pessoas tenham as oportunidades que tive e terei. E gostaria aqui de deixar aqui registrado que a educação pública foi e sempre será meu grito de guerra.

Foto: Acervo PessoalFoto: Acervo Pessoal

Sobre a autora: Jhuly Borges Oliveira é uma jovem de 15 anos, moradora da cidade de Itabuna, no litoral sul da Bahia, e estudante do Ensino Médio no Centro Integrado Oscar Marinho Falcao (CIOMF).

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