AGENDA / Segunda, 24 Mai 2021 15:19

Semana da África repercute racismo e xenofobia contra imigrantes no Brasil

Casos como o dos imigrantes Falilatou Sarouna e João Manuel serão discutidos nos eventos que ocorrem nesta semana; ação destaca o preconceito e a violência contra imigrantes africanos

Texto: Redação | Imagem: Reprodução/Campanha Liberdade para Falilatou

Introdução:

Casos como o dos imigrantes Falilatou Sarouna e João Manuel serão discutidos nos eventos que ocorrem nesta semana; ação destaca o preconceito e a violência contra imigrantes africanos

Texto: Redação | Imagem: Reprodução/Campanha Liberdade para Falilatou

A semana do Dia da África, celebrado em 25 de maio, irá repercutir casos de xenofobia e racismo no Brasil. Na edição de 2021, o enfoque da data é a campanha Liberdade para Falilatou e também a morte de João Manuel, imigrante angolano assassinado há um ano na Zona Leste de São Paulo.

O objetivo é dar o protagonismo para africanos na diáspora, movimentos da negritude e universitários que organizam eventos e também se mobilizam contra o racismo e a xenofobia. A ação pretende destacar que os casos de preconceito são mais direcionados a imigrantes africanos e chamar mais pessoas para a causa com as hashtags #LiberdadeParaFalilatou, #CampanhaSomosJoãoManuel e #VidasImigrantesNegrasImportam.

Entenda os casos de Falilatou e João Manuel

A refugiada togolesa Falilatou Estelle Sarouna está presa desde o dia 15 de dezembro de 2020 acusada de participar de uma quadrilha internacional de crimes de extorsão. No Brasil, ela trabalha como vendedora ambulante e foi incluída na lista de 210 pessoas identificadas pela Operação Anteros, que conta com 94 imigrantes, principalmente de países da África.

Após a prisão, a refugiada parou de enviar dinheiro para o filho de 12 anos, que ainda reside em Togo, na África, o que resultou na interrupção dos estudos do menino. A campanha Liberdade para Falilatou pretende arrecadar verba para que a criança possa continuar os estudos e também pressionar a justiça pela liberdade da refugiada.

A defesa salienta que é impossível que Falilatou seja responsável pelos crimes, pois ela é analfabeta e não tem nenhuma ligação criminosa que comprove sua participação. As assinaturas que constam nos termos de adesão não pertencem à ela e os advogados afirmam que Falilatou foi vítima de um golpe, do racismo e da xenofobia.

Leia também: Refugiada é mantida presa por extorsão online mesmo sem saber ler e escrever

João Manuel, nascido em Angola, também na África, e morador do Conjunto A.E.Carvalho retornava do trabalho quando foi vítima fatal de um ataque racista e xenófobo por parte de um vizinho brasileiro que se dizia inconformado que imigrantes fossem beneficiados com o auxílio emergencial. No dia 17 de maio de 2021 o crime completou um ano. O caso do angolano, morto aos 47 anos, não recebeu até hoje nenhuma resolução da justiça.

O imigrante angolano João Manuel, morto aos 47 anos, vítima de xenofobiaO imigrante angolano João Manuel, morto aos 47 anos, vítima de xenofobia

A violência contra João Manuel se tornou um marco da condição do imigrante negro pertencente aos países da África durante a pandemia no Brasil. Desde então, as pessoas e organizações mobilizadas em torno da campanha Somos João Manuel têm formado uma rede de apoio à família e organizado uma luta em busca por memória, justiça e reparação.

Agenda

Para compor a semana do Dia da África, alguns eventos acontecem nos próximos dias. A deputada estadual Érica Malunguinho (PSOL-SP) fará pronunciamento de abertura na Comissão de Direitos Humanos da ALESP (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) para denunciar a situação de Falilatou como parte das políticas de encarceramento em massa e cobrar ações de enfrentamento ao racismo e à xenofobia no contexto da pandemia.

No dia 28, às 20h, ocorre a live “Vidas Imigrantes Negras Importam” pelo Instagram do @VistoÁfrica. O evento busca arrecadar fundos para a família de João Manuel em Angola e cobrar a responsabilidade do Estado brasileiro quanto ao racismo e à xenofobia. Como parte dos eventos da Semana da África, haverá performances em solidariedade à Falilatou durante a live, com a participação dos artistas Namíbia Neves e Edoh Kossi Fiho, do Togo.

Já na segunda-feira (31), acontece a audiência pública Liberdade Para Falilatou na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Vereadores de São Paulo.

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