AGENDA / Quinta, 26 Agosto 2021 14:15

Mostra ‘Insurreição!’ exibe gratuitamente 13 filmes sobre biografias de resistências negras

Promovida pelo Instituto Nicho 54, a exibição online e gratuita acontece entre os dias 27 de agosto e 5 de setembro na plataforma de streaming Sala 54

Texto: Letícia Fialho | Edição: Nadine Nascimento | Imagem: Nicho 54

Filme  “Panteras Negras: vanguarda da revolução”
Introdução:

Promovida pelo Instituto Nicho 54, a exibição online e gratuita acontece entre os dias 27 de agosto e 5 de setembro na plataforma de streaming Sala 54

Texto: Letícia Fialho | Edição: Nadine Nascimento | Imagem: Nicho 54

A mostra de filmes ‘Insurreição!’ do Nicho 54, que acontece entre os dias 27 de agosto a 5 de setembro, promove um espaço de valorização dos negros no audiovisual, através da exibição online de 13 filmes sobre biografias de resistência negra. O público terá acesso gratuito da Sala 54. A iniciativa conta com uma pluralidade de curtas e longa-metragens nacionais e internacionais, três deles exibidos pela primeira vez no Brasil. 

O Instituto Nicho 54, nasceu em novembro de 2019, e se estruturou em três pilares, que são curadoria, formação e mercado. A assinatura brasileira ‘Insurreição!’ contará com produções de horror, comédia e obras experimentais que buscam a reflexão do público para temas como processos coloniais, resistência à escravização e formação da sociedade brasileira. 

“Essa estrutura se deve à importância de uma atuação que trouxesse os diferentes agentes da indústria do cinema, porque sentíamos que ao termos discussões sobre audiovisual e racialidade no Brasil, do ponto de vista de alteração de uma realidade de desigualdade, os debates tendiam a ficar concentrados em um lugar específico”, reflete Heitor Augusto, programador-chefe do Nicho 54 e curador da mostra.

Exibição

Destaque para a estreia brasileira de 'Nationtime' de William Greaves, um dos principais documentaristas negros estadunidense e autor de mais de 100 produções do gênero documental que versam sobre história, política e cultura afro-americana. Após ter ficado perdido por um longo período e ter sido encontrado em um galpão em Pittsburgh em 2018, o documentário, lançado em 1972, ganha exibição em versão restaurada na mostra em sessão autorizada por Louise Greaves, viúva e parceira cinematográfica do diretor.

O festival também fará exibição inédita no país da produção 'Pátria' (Zahlvaterschaft), do cineasta alemão Moritz Siebert, que retrata a luta de um homem em busca da cidadania alemã há mais de 30 anos, desvelando facetas do sistema colonial. O filme integrou a seção Forum Expanded, do Festival de Berlim deste ano. 

Outra atração internacional é 'Panteras Negras: vanguarda da revolução' (The Black Panthers: Vanguard of the Revolution), único documentário em longa-metragem a explorar a importância do Partido dos Panteras Negras para a vida cultural e política dos Estados Unidos. O filme traz uma grande quantidade de entrevistas tanto com ex-lideranças quanto com anônimos, além de endereçar as contradições e complexidades do partido.

Já 'As pretas contra-atacam' (Chocolate Babies), de Stephen Winter, apoia-se na sátira social para acompanhar um grupo de gays, lésbicas e travestis que lutam contra políticos conservadores homofóbicos nas ruas de Nova Iorque. A sessão em ‘Insurreição!’ celebra os 25 anos da primeira exibição deste filme no OutFest, festival voltado à representação das pessoas LGBTQIA+.

Outro destaque fica para 'As Aventuras Amorosas de um Padeiro', dirigida por Waldyr Onofre - apenas a quarta pessoa negra brasileira a dirigir um longa-metragem -. O filme apresenta uma fábula controversa sobre luta de classes e relacionamento interracial no Brasil dos anos 1970. 

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Curadoria 

“Quando pensamos em resistência negra, qual forma ela toma? Com quais corpos a associamos? A nossa abordagem curatorial em ‘Insurreição!’ convida o público a repensar pré-concepções e ir além da imagem do homem negro como símbolo único da militância. Priorizamos um entendimento amplo de luta negra, trazendo para destaque também os corpos dissidentes que constroem espaços divergentes da cisheteronormatividade”, afirma o curador do Nicho 54.  

‘Insurreição!’ É a segunda mostra promovida pelo Eixo Curatorial do NICHO 54 neste ano. A primeira delas foi a 'América Negra: Conversas Entre as Negritudes Latino-americanas', que exibiu 35 filmes, produzidos em 10 países diferentes, entre os dias 04 e 13 de junho. Contando com grande audiência internacional, a evento foi acompanhdo em mais de 20 países, entre eles Brasil, Estados Unidos, Colômbia, Equador e México. 

“Entendemos a curadoria como esse espaço para a construção de pertencimento para os espectadores negros e negras, bem como um espaço para uma representação complexa das nossas vivências. A nova mostra do NICHO 54 representa a consolidação dessa visão curatorial racializada”, acrescenta Augusto.  

Captação de recursos

O programador-chefe contou a Alma Preta Jornalismo, durante o evento de coletiva de imprensa da mostra ‘Insurreição!’, quais foram as estratégias de captação de recursos utilizadas pelo Instituto para construção desse espaço de valorização do cinema negro: 

“O Nicho 54 utiliza uma estratégia múltipla de captação. Um eixo muito importante da nossa captação é encontrar parceiros e financiadores. Sabemos que no Brasil o contexto está cada vez mais hostil e, além disso, temos observado nos últimos anos um profundo sucateamento das instituições fomentadoras. Então parte da nossa estratégia está em interlocução com agentes fora do Brasil”, pontua Augusto. 

As duas mostras organizadas pelo Nicho 54 foram projetos financiados pela Open Society Foundations, fundação criada por George Soros, que contribui para a construção de democracia ao redor do mundo ao se aproximar das pautas dos Direitos Humanos. Segundo o curador, o recurso possibilita a construção das mostras, cursos, atividades de mobilização, catálogos e materiais de apoio para replicação em contextos educacionais. 

“Parte da nossa estratégia está em interlocução com agentes fora do Brasil. Isso não é só uma necessidade, mas também uma vocação. Por conta das nossas trajetórias, o Nicho 54 nasce internacional. E a diáspora é um potencial interminável, as questões negras no Brasil são particulares e universais”, completa. 

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