Países ricos prejudicam continente africano com compras de milhões de doses da vacina contra Covid-19

Há dificuldades na compra, distribuição e armazenamento das vacinas para campanha de imunização; países africanos já bateram a marca de mais de 2,2 milhões de infectados pelo novo coronavírus

Texto: Redação I Edição: Nataly Simões I Imagem: Hakan Nural/Unsplash

Alerta geral das mídias nacionais e internacionais aponta entraves em todo o processo de campanha de imunização contra a Covid-19 nos países do continente africano, desde a compra à aplicação das vacinas em todo o território. De acordo com dados levantados pela agência de notícias britânica Reuters, a África já registrou mais de 2,2 milhões de casos do novo coronavírus.

Mesmo com a COVAX, iniciativa tomada em abril de 2020 pela Comissão da União Europeia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a França, com objetivo de garantir equidade no acesso às vacinas, informações da agência de notícias DW dão conta de que especialistas temem que a pré-encomenda de milhões de vacinas por países ricos prejudique o acesso dos 46 países africanos ao apoio financeiro para a imunização. 

Ainda segundo informações da agência, são poucas as opções de vacinas a serem adquiridas. O problema gira em torno da continuidade do surto da doença, que já apresenta piora em várias partes do continente com o aumento desenfreado de casos. Uma nova variante do vírus - diferente da do Reino Unido - já foi encontrada por cientistas na África do Sul.

De acordo com relatório apresentado pela União Africana ainda em dezembro, só a África do Sul, país mais atingido pela doença no continente, já apontava mais de 1,09 milhão de casos confirmados de Covid-19 e 29.175 mortes.

É o presidente do país sul-africano que representa, atualmente, a União Africana nas decisões tomadas sobre a campanha de imunização no continente. De acordo com informações passadas pela mídia internacional Bloomberg, Cyril Ramaphosa sofreu fortes críticas sobre sua atuação. Na África do Sul, a sua gestão só conseguiu comprar doses suficientes para 10% da população e a previsão de chegada ficou só para o segundo trimestre de 2021.

A especialista em cadeias de distribuição da UNICEF, Michelle Seidel, aponta mais problemáticas a serem adicionadas no cenário de saúde do continente nos próximos semestres, afirmando desafios nas condições de armazenamento e distribuição das vacinas. "Prevemos que os problemas surjam particularmente em torno do armazenamento e distribuição destas vacinas específicas, a muito baixas temperaturas, 70 graus negativos. E nas necessidades energéticas, uma vez que os congeladores de temperaturas ultra-baixas requerem geradores e combustível de reserva. Vai ser um grande desafio", relatou, em entrevista à Bloomberg.

Em coletiva de imprensa no último mês de 2020, o chefe do Centro de Controle de Doenças da África, John Nkengasong, informou que o mundo poderia esperar uma “catástrofe moral” caso a campanha de imunização fosse adiada no continente pelo acesso privilegiado de regiões mais ricas à vacina. 

Nkengasong ainda ressaltou o perigo da não extinção total do vírus nas comunidades africanas. Segundo ele, caso o atraso ao acesso das vacinas contra a Covid-19 demorar de quatro a cinco anos, o vírus será endêmico em várias regiões.

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