ÁFRICA & DIáSPORA / Quinta, 09 Abril 2020 19:06

Em meio a pandemia, Moçambique alerta o aumento da violência doméstica

Casos de Covid-19 cresceram no início de Abril; país lida com impactos na economia e com a demissão de trabalhadores

Texto / Beatriz Mazzei I Edição / Pedro Borges I Imagem / Acervo pessoal Nyeleti Mondlane

A ministra de Gênero e Ação Social, Nyeleti Mondlane fez pronunciamento sobre violência contra as mulheres no dia 7 de abril, data em que se recorda o Dia da Mulher Moçambicana. Durante o discurso, sublinhou que além das medidas contra a propagação da pandemia, é necessário voltar os olhos para as mulheres em confinamento com seus parceiros.

“Apelamos por uma maior vigilância aos parceiros e companheiros. Estamos registrando um aumento de violência e abusos contra a mulher, devido ao surto do coronavírus. Isto não pode acontecer, apelamos para que denunciem situações desta natureza”, afirmou.

O Dia da Mulher Moçambicana homenageia Josina Machel, combatente pela liberdade de Moçambique que morreu aos 25 anos em 7 de Abril de 1971, deixando em seu legado um papel importante da luta das mulheres contra o regime colonial português.

O país também registrou aumento no número de casos de Covid-19, segundo a Organização Mundial da Saúde para África. Os dados apontam um salto de 10 para 17 casos de coronavírus, com o registro de 467 pessoas suspeitas de estarem infectadas.

Em 26 de março, haviam 5 casos confirmados, e desde o dia primeiro de abril, o número de confirmações se mantinha estável, em 10 casos. Ainda não há registro de mortes.

O Ministério da Saúde informou que do total de novos casos, 6 são de Afungi, na província nortenha de Cabo Delgado, e um de Maputo, capital do país.

No dia 1 de abril, foi decretado Estado de Emergência em todo o território nacional por um período de 30 dias, podendo ser estendido se necessário. As medidas de prevenção incluem a proibição de todo o tipo de evento e aglomeração de pessoas, além do fechamento de escolas e emissão de vistos suspensos para a entrada no país. A chegada por fronteiras terrestres ou por portos e aeroportos também é limitada para o transporte de mercadorias ou pessoas relacionadas à saúde e devidamente credenciadas.

Com população atual em torno de 29 milhões de pessoas, mesmo com poucos casos positivos confirmados, as medidas são tomadas para evitar a propagação e o possível do colapso do sistema de saúde.

De acordo com os dados mais recentes sobre a pandemia, no continente africano há 12 mil casos do novo coronavírus e 572 mortos até o dia 9 de abril. Especialistas temem milhares de mortes no continente devido ao baixo número de testes, escassez de recursos e infraestrutura precária.

Os impactos para os aeroportos e trabalhos

Em março, os aeroportos de Moçambique acumularam perdas de dois milhões de dólares. De acordo com Saíde Júnior, administrador financeiro e porta-voz da Aeroportos de Moçambique (AdM), em entrevista à Lusa (Agências de Notícias de Portugal S.A), o saldo negativo é o maior da empresa na história e tem por motivo a suspensão de voos a nível nacional e internacional. Segundo o administrador, de janeiro a março, o número de passageiros caiu pela metade, indo de 172.000 para 88.000.

As medidas de prevenção também impactaram outros setores da economia moçambicana. De um total de 217 que alegaram estar em prejuízo por conta do COVID-19, 187 decidiram suspender contratos de trabalho com as devidas remunerações nos primeiros meses, afetando diretamente 6.400 trabalhadores, número que pode aumentar significante, segundo as autoridades do país.

As demais companhias adotaram medidas como teletrabalho, férias coletivas, redução da carga horária e regime rotativo de trabalho.

Fontes: Organização Mundial da Saúde, Sapo Notícias, BBC News.

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