ÁFRICA & DIáSPORA / Sexta, 27 Março 2020 07:54

Covid-19: governo nigeriano fecha as fronteiras do país por quatro semanas

País anunciou o cancelamento de voos internacionais e incentivou pessoas das duas cidades mais atingidas, Abuja e Lagos, a ficarem em casa

Texto / Pedro Borges | Edição / Simone Freire | Imagem / Reprodução

O governo da Nigéria anunciou o fechamento das fronteiras do país por quatro semana e o cancelamento da chegada de vôos internacionais como medidas para frear o avanço do Covid-, o novo coronavírus. Nação mais populosa da África, com 190 milhões de pessoas, o país tem 65 casos confirmados e uma morte registrada pelo vírus até esta quinta-feira (26).

O anúncio foi feito por Boss Mustapha, porta-voz da Força Tarefa Presidencial contra a Pandemia do Coronavírus e secretário federal de Governo. Ele também pediu para as pessoas de Lagos e Abuja, os dois municípios mais atingidos pela crise, ficarem em casa. No estado da capital federal Territorial (CFT), onde está Abuja, capital política, há o registro de 8 casos e na província de Lagos, em que está localizada a cidade de mesmo nome e mais populosa do país, há 30 pessoas infectadas.

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, desenvolveu, junto ao Ministro da Saúde, Meet Ehinare, uma força tarefa para frear a disseminação do Covid-19. Em pronunciamento, Ehinare apresentou a possibilidade de convocar médicos e enfermeiros aposentados para ajudar na luta contra o vírus e pediu mais cuidado aos nigerianos no cotidiano.

“Eu convoco todos os nigerianos a adotarem o isolamento em casa e a distância social de maneira séria com o objetivo de prevenir o espalhamento da doença por nosso país. A distância social reduz os riscos de alguém infectado transmitir a doença. Assegure-se de manter uma distância de 5 pés [aproximadamente 2 metros] entre você e alguém que está tossindo ou espirrando”, disse.

Pessoas que chegaram de viagem de países com altos índices de Covid-19 ou que tiveram contato com alguém doente pelo coronavírus nas últimas duas semanas são orientadas a ficar em casa por, pelo menos, quinze dias.

Meet Ehinare também disse que o governo poderá tornar público o nome das pessoas que voltaram de outros países com muitos casos de coronavírus e se recusarem a ficar de quarentena. Ele teme que a Nigéria possa ser a próxima China ou Itália, epicentros da doença no mundo.

O país enfrenta uma limitação de infra-estrutura para combater a crise. Existem apenas 500 equipamentos de auxílio de respiração para pessoas infectadas nos 36 estados e na capital federal do país. O Covid-19 causa estresse na região do pulmão e pode ter efeitos sobre a pessoa portadora do vírus próximos ao de uma pneumonia.

Mais medidas

O governo federal suspendeu a reunião semanal do Conselho Executivo Federal (CEF) e o diálogo do Conselho de Estado, instâncias de discussão econômica e política do país, para evitar a contaminação entre os dirigentes do governo.

Outras medidas anunciadas pelo governo federal são a proibição de atividades com mais de 50 pessoas, fechamento de escolas e instituições de ensino, aquisição de equipamentos de proteção para as categorias que trabalham na linha de frente para enfrentar o vírus, aumento da capacidade de detecção da doença por meio da compra de kits para testes, entre outras.

“A estratégia do governo é focada no teste, detecção e contaminação através do rastreamento da contaminação para minimizar de maneira intensa a possibilidade de se espalhar pelas comunidades”, afirma Boss Mustapha.

O país, marcado pelas religiosidades cristã, muçulmana, ifá, entre outras, convidou as lideranças de cada grupo para que não convoquem atividades de caráter religioso que envolvam a participação de mais de 50 pessoas.

O primeiro caso de coronavírus no país ocorreu no dia 27 de fevereiro, quando um turista italiano foi diagnosticado com a doença. Naquele momento, o governo federal rejeitou a proposta de fechar voos de países considerados de alto risco.

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