ÁFRICA & DIáSPORA / Quarta, 14 Outubro 2020 15:43

Com descoberta de 59 sarcófagos de 2,6 mil anos, Egito volta a incentivar turismo

País do continente africano vai destinar múmias para novo museu e estende auxílio emergencial para setor de viagens

Texto: Guilherme Soares Dias | Edição: Nataly Simões | Imagem: Reuters

Em meio à descoberta arqueológica de 59 sarcófagos de madeira em perfeitas condições com múmias que datam de 2,6 mil anos, o Egito anunciou isenção na taxa do visto dos turistas que chegarem às províncias do Sinai do Sul, Mar Vermelho, Luxor e Aswan até 30 de abril de 2021. Isso ocorre em um esforço para apoiar a indústria do turismo do país durante a próxima temporada de inverno, que começa em 1º de novembro.

O gabinete do país também decidiu dar continuidade ao fornecimento de fundos de ajuda emergencial para aqueles que trabalham na indústria do turismo, medida adotada em abril.Empresas de turismo, hotéis e outros estabelecimentos relacionados não terão que pagar pelo consumo de eletricidade, gás ou água até 31 de dezembro, de acordo com o gabinete. O Egito reabriu suas fronteiras para o turismo em 1º de julho, e mais países estrangeiros estão retomando voos para o país, incluindo Suíça, Rússia e França.

Em 1º de setembro, todos os sítios arqueológicos e museus do país foram reabertos e os famosos cruzeiros do Alto Egito no Nilo retomaram as operações, de acordo com informações do site Egypt Independent.

Descoberta histórica

Os sarcófagos encontrados na necrópole de Saqqara, segundo pesquisadores, pertencem a sacerdotes e oficiais. A agência alemã Deutche Walle ressalta que eles foram descobertos em agosto na necrópole, localizada ao sul do Cairo, e estavam enterrados em três tumbas verticais de 10 a 12 metros de profundidade juntamente com 28 estátuas do antigo deus egípcio Ptah Sokar, uma das divindades funerárias mais importantes.

'”Considero esse o começo de uma grande descoberta”', afirmou o ministro do Turismo egípcio, Khalid el-Anany. Segundo o secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Mustafa Waziri, os sarcófagos pertencem à dinastia 26 do Período Tardio (664 a.C. a 525 a.C.), a última antes da conquista persa. As peças preservam ainda a cor original e teriam sido protegidas de reações químicas devido a um selo protetor.

As múmias, apresentadas ao público presente no evento, estavam cobertas de tecidos e ornamentos de ouro em perfeito estado. De acordo com Waziri, elas pertencem a sacerdotes e oficiais do alto escalão do Antigo Egito, que viviam na antiga capital Memphis. Waziri afirmou ainda que a tumba possui outros sarcófagos que não foram retirados do local.

Nos próximos meses, autoridades egípcias esperam encontrar dezenas de outros sarcófagos, além de relíquias, nesses cemitérios verticais, que possuem diferentes níveis e podem chegar a 12 metros de profundidade. As múmias serão expostas no Grande Museu Egípcio, que será inaugurado em 2021, próximo às pirâmides de Gizé.

Turismo é motor da economia egípcia

O país havia suspendido os voos e o turismo em março como parte das medidas para combater o surto da Covid-19. Desde 1º de setembro, todos os passageiros locais e estrangeiros foram solicitados a fornecer um documento de análise de PCR provando que o teste foi negativo para coronavírus 72 horas após chegar ao território egípcio.

Um dos setores mais afetados no país nesse período é o do turismo, que emprega milhões de pessoas e é responsável por 11,9% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo números do Conselho Mundial de Turismo e Viagens (WTTC, na sigla em inglês) referentes ao ano de 2018.

Diversos hotéis, empresas, restaurantes e cafés da região do Mar Vermelho simplesmente fecharam as portas. O site Egypt Independent aponta que há estimativas de perda de até 400 mil turistas no período, o que equivale a US$ 1 bilhão por mês para a economia do país.

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