ÁFRICA & DIáSPORA / Quarta, 07 Abril 2021 15:35

Campanha pede liberdade de Mumia Abu-Jamal, ex Pantera-Negra, preso há 40 anos

O ativista e jornalista cumpre pena perpétua no estado americano da Pensilvânia, sofre com vários problemas de saúde e testou positivo para a Covid-19

Texto: Nataly Simões | Imagem: Reprodução

Campanha pede liberdade de Mumia Abu-Jamal, ex Pantera-Negra, preso há 40 anos
Introdução:

O ativista e jornalista cumpre pena perpétua no estado americano da Pensilvânia, sofre com vários problemas de saúde e testou positivo para a Covid-19

Texto: Nataly Simões | Imagem: Reprodução

Uma campanha online coleta assinaturas para cobrar do procurador da Filadélfia, Larry Krasner, a liberdade do ativista e jornalista Mumia Abu-Jamal, ex-membro do Partido Panteras Negras. Preso há 40 anos, o militante está com 66 anos, possui vários problemas de saúde e recentemente testou positivo para a Covid-19.

O quadro de saúde de Abu-Jamal, agravado pela infecção do novo coronavírus, é marcado por uma série de negligências do estado da Pensilvânia, onde o ativista cumpre pena perpétua.

“Sua hepatite C não foi tratada por quase dois anos até que os advogados conseguiram uma liminar que forçou o Departamento de Correções da Pensilvânia a atender às diretrizes básicas de tratamento nacional e dar-lhe a cura antiviral Hep C de ação rápida”, diz comunicado da petição, publicado originalmente em inglês.

Segundo informações da petição, Mumia que também tem Diabetes, agora depende do mesmo sistema de saúde da prisão para o tratamento da Covid-19.

“Nosso apelo coletivo para a libertação de Abu-Jamal não poderia ser mais urgente. Como diz o médico de Abu-Jamal, Dr. Ricardo Alvarez: o único tratamento é a liberdade”, salienta o comunicado.

Condenação e racismo

Preso desde dezembro de 1981, Mumia Abu-Jamal foi condenado a morte pelo assassinato do policial Daniel Faulkner, na Filadélfia. Na época, testemunhas relataram que o ativista teria agido em defesa do irmão mais novo, que estava sendo espancado pelo policial.

Na prisão, Abu-Jamal escreveu o livro “Ao vivo do corredor da morte”, publicado em 1995, que desencadeou uma série de protestos ao redor do mundo pela liberdade do ativista. Com isso a execução foi revogada e o sistema de justiça determinou a prisão perpétua.

mumia

O jovem Mumia Abul-Jamal. Foto: Reprodução

Entre as “fragilidades” no processo e que mais geraram revolta nos defensores de Mumia estão o fato de não ter sido feita uma perícia na arma apontada como utilizada no crime e a imparcialidade do juiz responsável pela condenação. Albert Seabo declarou publicamente aversão a Abul-Jamal, o que demonstrou enviesamento racial no caso.

Somente em 2018, um outro juiz, Leon Tucker. reconheceu a existência de racismo e falta de imparcialidade na condenação do ex-Pantera Negra.

“Estamos indignados com as muitas maneiras diferentes pelas quais o racismo e a supremacia branca institucionalizada prejudicaram irreparavelmente os direitos civis e humanos de Mumia Abu-Jamal e seus direitos ao julgamento justo de seu caso. A continuação da prisão de Abu-Jamal apenas confirma a injustiça racial de longa data que prejudicou este caso”, argumenta a petição pela liberdade do militante.

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