África teme efeitos de nova variante do coronavírus encontrada no continente

Nova variante, diferente da do Reino Unido, foi detectada por cientistas da África do Sul; taxa de infecções tem aumentado e esperança está na vacinação, ainda sem previsão no continente

Texto: Redação | Edição: Nataly Simões | Imagem: Themba Hadebe

Uma nova variante do novo coronavírus foi encontrada na África do Sul e deixou os países do continente africano em alerta pelo risco de sobrecarregar seus sistemas de saúde. As autoridades já estão preocupadas com o aumento no número de casos de Covid-19, observado nos últimos meses.

Desde o início da pandemia, o continente africano registrou mais de 2,5 milhões de casos de Covid-19 e aproximadamente 60 mil mortes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 47 países africanos contabilizam uma média de 46 mil novos casos por semana desde outubro. A África do Sul nesta semana chegou à marca de 1 milhão de infectados.

Ado Mogammed, diretor de questões de saúde do G8 (grupo dos oito países mais desenvolvidos), afirmou que a nova variante do vírus foi detectada, de fato, no continente e reiterou a importância das medidas de distanciamento social. “A segunda variante está aqui. As pessoas têm de assumir a responsabilidade e cumprir as medidas, mas continuam a ir a casamentos, eventos, igrejas e mesquitas. Apertam as mãos, não aderem ao distanciamento social e não usam máscaras”, disse, em entrevista ao site DW.

A nova variante encontrada no país sul-africano é chamada de 501.V2 por cientistas que rastrearam a genética do vírus SARS-COV-2, causador da Covid-19. A variante foi identificada pela primeira vez na Baia Nelson Mandela, nas proximidades da costa leste do país, e se espalhou rapidamente para outros distritos.

A 501.V2 preocupa as autoridades por estar associada a uma maior carga de transmissão. Além disso, a variante é diferente de outras que já circulam no continente africano em razão das mutações de uma proteína chamada Spike, que o vírus usa para contaminar células humanas. Segundo as autoridades sanitárias, mais de 80% dos novos casos reportados no país sul-africano são da nova variante do vírus.

A África do Sul é responsável por cerca de um terço dos casos do novo coronavírus na África. Em julho, o país registrava aproximadamente 14 mil novos casos por dia. Nos últimos dias, o número de novas infecções diárias voltou a subir para quase 8 mil, conforme estimativa da Universidade John Hopkins.

Espera pela vacina

Ainda são incertas as informações se as vacinas que já são aplicadas nos Estados Unidos e em diversos países da Europa e de outras regiões do mundo podem proteger contra a nova variante encontrada na África do Sul. Segundo a CNN, as empresas AstraZeneca, BioNTech e Moderna disseram nesta semana que esperam que suas vacinas funcionem contra a variante do Reino Unido, por exemplo. Essa é diferente da encontrada no país sul-africano.

Medidas implementadas pelos países africanos desde o início da pandemia reduziram os impactos da Covid-19 no continente, mas a economia de países como a África do Sul já foi comprometida em 2020. A esperança está na imunização, embora a própria OMS ainda não sabe informar quando o continente africano iniciará os processos de vacinação devido à falta de infraestrutura.

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