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Colômbia: Brutalidade policial é maior nas comunidades negras de Cali

Introdução:

Exército cercou a cidade de Cali, onde mais de 25% da população é negra;  assassinatos, desaparecimentos e estupros são relatados por manifestantes

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Medios libres Cali

Cali, uma das principais cidades da Colômbia, está desde o dia 28 de abril cercada pelo exército e demais forças de segurança. O governo tenta reprimir uma série de protestos contra a proposta de mudança nos impostos. 

A revolta da população local aumentou por conta de denúncias de estupros e assassinatos cometidos pelos agentes do Estado. Em Cali, 26% da população é negra e mora em favelas e bairros populares, onde a brutalidade policial é maior.

As regiões mais atingidas pela repressão policial são as dos bairros do distrito de Água Branca, na parte oriental da cidade, onde vivem 70% dos negros e negras de Cali. Os manifestantes se reúnem em Puerto Resistencia para enfrentar os ataques das forças de segurança. 

“A cidade está com bloqueios de ruas e avenidas pela população, que está cansada das elites cruéis que ocupam o poder desde sempre. Há relatos de que forças de repressão sequestraram ativistas para desmobilizar a luta”, relata o professor universitário Jaime Alves, integrante do Movimento Negro brasileiro e pesquisador das relações raciais em Cali. A atual onda de assassinatos se soma a um histórico de violações de direitos humanos.

Desde 2016, quando o pais assinou um acordo de paz com as FARC, principal grupo guerilheiro do país, pelo menos 1.147 ativistas sociais foram assassinados. "Embora o Estado não seja o único responsável por estas mortes, ele é parte importante dessa máquina de guerra que atinge principalmente a população negra e indígena", diz uma fonte.

O informe divulgado pela plataforma Grita, com dados dos organizadores dos protestos,  dá conta de nove estupros, 1.181 casos de abuso policial, 26 assassinatos e 761 prisões sem justificativa, entre 28 de abril e 3 de maio. Publicações que relatam números e vídeos de violência policial foram retiradas da internet.

Conforme apurado pela agência Alma Preta Jornalismo, em alguns lugares de Cali as pessoas estão proibidas de sair na rua. “Mesmo com o governo recuando em relação à reforma tributária, a violência usada para reprimir as primeiras manifestações gerou mais protestos”, destaca um professor brasileiro e que também vive em Cali.

Protestos não vão parar e manifestantes temem massacre

De acordo com os manifestantes, a Smad, equipe de elite das forças de segurança, é responsável por invasões de casas, prisões ilegais e desaparecimentos, entre outras violações de direitos humanos.  O professor Jaime relata que novos protestos estão marcados para essa terça-feira (4).

Um dos lemas dos manifestantes que estão nas ruas há pelo menos seis dias é “El paro no paro”, ou seja, em tradução livre, “A greve não para”.  

Vicenta Moreno, ativista da Organização de Mulheres do Oriente De Cali, denuncia que novas ondas de repressão estão a caminho. Ela teme pela vida da juventude negra e pobre do oriente de Cali, que tem sido o alvo principal das políticas de repressão.

O ministro da Economia, Alberto Carrasquilla, pediu demissão do cargo no domingo (2), o que gerou uma crise no governo do presidente Ivan Duque, defensor de uma política neoliberal com redução dos direitos trabalhistas e programas sociais.

Imagem mostra protesto em Cali, na Colômbia

Gerentes brancos cobram Juros mais altos para clientes negros nos EUA

Introdução:

De acordo com artigo de uma revista acadêmica, um gerente branco de um banco cobra juros de 3% a 5% maiores para clientes negros, asiáticos e hispânicos mesmo que eles tenham o mesmo perfil socioeconômico e financeiro de um cliente branco

Texto: Redação | Edição: Lenne Ferreira | Imagem: Nappy

Em artigo intitulado “O Mutuário e a Corrida de Corretores Afeta o Custo do Crédito Hipotecário?”, os pesquisadores Brent Ambrose, James Conklin e Luis Lopez mostraram que aos juros para empréstimos imobiliários são maiores para clientes negros dos Estados Unidos. O texto foi publicado em fevereiro na revista acadêmica The Review of Financial Studies – da Oxford University Press. De acordo com o material, um gerente branco de um banco cobra juros de 3% a 5% maiores de clientes negros, asiáticos e hispânicos mesmo que eles tenham o mesmo perfil socioeconômico e financeiro de um cliente branco.

O estudo traz dados inéditos e analisou 300 mil negociações apontando que o principal fator que determina o aumento das taxas de juros é o racismo. A pesquisa também investigou as diferenças nas taxas de juros cobradas por gerentes não-brancos. Para fazer as comparações, os pesquisadores usaram o método chamado ‘efeito fixo’, que permite comparar os empréstimos realizados pelo mesmo gerente.

“Testamos as disparidades de preços em contratos de hipotecas usando um novo conjunto de dados que nos permite observar a raça e etnia de ambas as partes do empréstimo. Descobrimos que as minorias pagam entre 3% e 5% a mais em taxas do que os brancos igualmente qualificados ao obter um empréstimo através do mesmo corretor branco”, explicaram os pesquisadores.

Os dados colhidos demonstram que gerentes hispânicos também cobram juros maiores de clientes hispânicos se comparados aos de clientes brancos. Já os gerentes negros parecem não cobrar taxas de juros diferentes para clientes de grupos raciais diferentes. Gerentes asiáticos parecem favorecer clientes asiáticos.

“De maneira crítica, descobrimos que o prêmio pago pelas minorias depende da raça do corretor. Também examinamos as recentes mudanças de política em torno das regras de remuneração do corretor que podem não apenas reduzir essas disparidades de preços, mas também limitar o acesso ao crédito para minorias”, discorre os pesquisadores na introdução do artigo, que pode ser acessado aqui

Nigéria proíbe viajantes vindos do Brasil, Índia e Turquia

Introdução:

A medida entra em vigor na terça-feira (4) e poderá ser revisada após um período inicial de quatro semanas

Texto: Redação | Fonte: Premium Times | Imagem: Human Rights Watch

O governo da Nigéria anunciou uma proibição temporária de passageiros não-nigerianos que estiveram no Brasil, Índia e Turquia quatorze dias antes da chegada prevista ao país. Isso se deve às preocupações com a disseminação do vírus da Covid-19, de acordo com o presidente do Comitê de Direção Presidencial (PSC) da Covid-19 em um comunicado enviado ao Premium Times neste domingo (2).

O presidente do Comitê, Mustapha, afirmou que a proibição de entrada no país não se aplica aos viajantes que apenas transitaram por esses países que tiveram um aumento de casos de Covid-19 na última semana. É esperado que a medida entre em vigor na terça-feira (4) e seja revisada após quatro semanas.

A Índia teve mais casos de Covid-19 nos últimos sete dias do que qualquer outro país no mundo, de acordo com a Reuters. Hospitais, necrotérios e crematórios indianos estão sobrecarregados tendo em vista que o país teve 300,000 casos diários por mais de 10 dias seguidos. 

Os estragos pelo vírus também são notórios no Brasil, tornando- se na quinta-feira o segundo país a atingir 400 mil óbitos pela Covid. Abril foi o mês mais mortal no país, com cerca de 100 mil vidas perdidas. Enquanto na Turquia as taxas de infecção seguem subindo, sendo a maior no continente europeu.

As companhias aéreas devem obrigatoriamente pagar uma multa de $3.500 por cada passageiro que não cumprir a medida. Os não-nigerianos terão a sua entrada barrada e serão devolvidos ao país de embarque com custo para a companhia aérea.

“Nigerianos e aqueles que têm uma autorização de residência devem ser submetidos a sete dias de quarentena obrigatória em um local aprovado pelo governo na cidade de ponto de entrada, com custos para o passageiro”

De acordo com Mustapha, passageiros de outras localidades que chegam à Nigéria devem se auto-isolar no destino final e realizar um teste PCR no sétimo dia em um laboratório indicado.

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Na imagem, dois homens negros higienizando as mãos com álcool em gel enquanto fiscais com máscara negros aplicam o álcool em gel. A foto representa as medidas preventivas sendo feitas na Nigéria.

O que muda nos EUA com a condenação do policial que matou George Floyd?

Introdução:

Segundo professor de Relações Internacionais, a violência policial contra a população afro-americana passa por questões como a indústria de armas e sindicatos policiais 

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nataly Simões | Imagem: The Minnesota Department of Corrections

A condenação do ex-policial Derek Chauvin, responsável pela morte de George Floyd, foi um dos assuntos com maior repercussão nas redes sociais nesta semana e trouxe à tona o seguinte questionamento: isso deve interferir no histórico de violência policial dos Estados Unidos? 

“É possível que a gente tenha algumas mudanças, mas precisamos acompanhar os julgamentos futuros. A morte de Floyd tinha um diferencial porque foi repercutida por toda a imprensa mundial, além das manifestações”, avalia o professor de Relações Internacionais, Flávio Francisco, da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Desde maio de 2020, após o assassinato de Floyd, o movimento antirracista Black Lives Matter desencadeou uma série de manifestações ao redor do país norte-americano, que ecoaram em outros países como o Brasil.

Para o professor, a atuação do movimento teve um papel significativo no desdobramento do caso Floyd, assim como no fomento de pautas sobre o racismo pós-racial, realidade no contexto dos EUA. Isso porque, ao longo da década de 1980, cientistas sociais classificavam o racismo como um problema de classe e não social. 

“O movimento traz uma pauta centrada na violência policial, uma das engrenagens principais do racismo, que se concretiza no encarceramento em massa e na guerra às drogas”, explica Flávio.

Na análise do especialista, outro ponto de destaque sobre o caso Floyd foi o posicionamento do novo presidente norte-americano. O democrata Joe Biden se manifestou a favor da condenação de Derek Chauvin, junto com a vice-presidente Kamala Harris

“Ela tem uma atuação diferente do padrão de vice-presidente e tem sido protagonista nos assuntos sobre a questão racial e de violência”, observa o professor. “Biden, como presidente, pode ser que siga nessa trajetória para construir leis que possibilitem o controle sobre as polícias nos Estados Unidos”, considera Flávio, que alerta sobre a importância de levar em conta outras perspectivas do contexto policial no país quando se trata de possíveis mudanças e redução da violência contra a população afro-americana.

“Os policiais não estão sozinhos”

Na terça-feira (20), dia do julgamento do ex-policial que matou Floyd asfixiado, uma adolescente negra de 16 anos foi morta a tiros por uma policial, em Ohio. A policial afirma que foi atender a uma chamada de emergência e que identificou Ma'Khia Bryant, como autora de um esfaqueamento. Imagens de câmera de segurança mostram o momento em que a jovem foi alvejada. 

Segundo o professor de Relações Internacionais, a violência policial ainda é vista com bons olhos por grande parte dos norte-americanos, que apoiam a corporação independente do contexto. “Muitos vão  resistir e apoiar a violência e as forças policiais. Os policiais não estão sozinhos”, conta.

No país a polícia também exerce um papel importante no crescimento do mercado de armas. “A indústria de armas precisa ser discutida porque tem um braço político que é a Associação Nacional do Rifle”, analisa.

De acordo com o jornal Insider, os EUA investem 15,4 bilhões de dólares na militarização de policiais. Todas as armas, veículos e equipamentos foram adquiridos pela polícia no programa militar chamado de 1033, criado em 1997, que facilita a transferência de excesso de equipamento militar a partir da lei total de cada estado.

A mudança na atuação dos policiais, sobretudo nos casos de violência contra a população negra, certamente enfrentará resistência dentro da polícia e deve partir da pressão de políticos e da própria população. “Essa pressão é muito importante, mas nenhuma mudança ou redução dos casos de violência pode acontecer de forma tão rápida e simples”, conclui o professor. 

Imagem de um homem branco, com roupas de detendo amarela, olhando para a câmera, com um fundo cinza; Trata-se do ex-policial Derek Chauvin, condenado pela morte de George Floyd

Campanha pede liberdade de Mumia Abu-Jamal, ex Pantera-Negra, preso há 40 anos

Introdução:

O ativista e jornalista cumpre pena perpétua no estado americano da Pensilvânia, sofre com vários problemas de saúde e testou positivo para a Covid-19

Texto: Nataly Simões | Imagem: Reprodução

Uma campanha online coleta assinaturas para cobrar do procurador da Filadélfia, Larry Krasner, a liberdade do ativista e jornalista Mumia Abu-Jamal, ex-membro do Partido Panteras Negras. Preso há 40 anos, o militante está com 66 anos, possui vários problemas de saúde e recentemente testou positivo para a Covid-19.

O quadro de saúde de Abu-Jamal, agravado pela infecção do novo coronavírus, é marcado por uma série de negligências do estado da Pensilvânia, onde o ativista cumpre pena perpétua.

“Sua hepatite C não foi tratada por quase dois anos até que os advogados conseguiram uma liminar que forçou o Departamento de Correções da Pensilvânia a atender às diretrizes básicas de tratamento nacional e dar-lhe a cura antiviral Hep C de ação rápida”, diz comunicado da petição, publicado originalmente em inglês.

Segundo informações da petição, Mumia que também tem Diabetes, agora depende do mesmo sistema de saúde da prisão para o tratamento da Covid-19.

“Nosso apelo coletivo para a libertação de Abu-Jamal não poderia ser mais urgente. Como diz o médico de Abu-Jamal, Dr. Ricardo Alvarez: o único tratamento é a liberdade”, salienta o comunicado.

Condenação e racismo

Preso desde dezembro de 1981, Mumia Abu-Jamal foi condenado a morte pelo assassinato do policial Daniel Faulkner, na Filadélfia. Na época, testemunhas relataram que o ativista teria agido em defesa do irmão mais novo, que estava sendo espancado pelo policial.

Na prisão, Abu-Jamal escreveu o livro “Ao vivo do corredor da morte”, publicado em 1995, que desencadeou uma série de protestos ao redor do mundo pela liberdade do ativista. Com isso a execução foi revogada e o sistema de justiça determinou a prisão perpétua.

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O jovem Mumia Abul-Jamal. Foto: Reprodução

Entre as “fragilidades” no processo e que mais geraram revolta nos defensores de Mumia estão o fato de não ter sido feita uma perícia na arma apontada como utilizada no crime e a imparcialidade do juiz responsável pela condenação. Albert Seabo declarou publicamente aversão a Abul-Jamal, o que demonstrou enviesamento racial no caso.

Somente em 2018, um outro juiz, Leon Tucker. reconheceu a existência de racismo e falta de imparcialidade na condenação do ex-Pantera Negra.

“Estamos indignados com as muitas maneiras diferentes pelas quais o racismo e a supremacia branca institucionalizada prejudicaram irreparavelmente os direitos civis e humanos de Mumia Abu-Jamal e seus direitos ao julgamento justo de seu caso. A continuação da prisão de Abu-Jamal apenas confirma a injustiça racial de longa data que prejudicou este caso”, argumenta a petição pela liberdade do militante.

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Entenda o que levou a Angola a proibir o sinal da Record TV

Introdução:

Administrada pela Igreja Universal do Reino de Deus, a emissora estava no ar desde 2011; no ano passado, pastores angolanos denunciaram a direção brasileira e o presidente Bolsonaro interferiu

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nataly Simões | Imagem: IURD Angola

O governo da Angola tirou do ar o sinal da Record TV no país em razão de o veículo exercer atividade jornalística sem credenciamento Centro de Imprensa Aníbal de Melo, que fiscaliza o cumprimento das leis entre instituições públicas e privadas. A medida também tirou do ar dois outros canais, Zap Viva e Vida TV.

O anúncio foi feito pelo Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS) na última semana. 

Entre as inconformidades apontadas pelo ministério, estava a presença de estrangeiros no quadro de colaboradores da emissora.  Fora do ar desde o dia 21 de abril, a Record TV África se manifestou através das redes sociais pela volta do sinal de transmissão do canal. Em nota publicada no Facebook, a empresa anunciou a saída do brasileiro Fernando Henrique Teixeira do cargo de direção. "A Record orgulha-se de admitir, formar e lançar no mercado jovens profissionais angolanos, reconhecidas no mercado nacional e internacional", afirma.

Depois das acusações, a Record TV, que é vinculada à Igreja Universal do Reino de Deus, do empresário Edir Macedo, se posicionou fortemente contra o governo angolano. A emissora acusa o governo de xenofobia contra os religiosos brasileiros. O Sindicato de Jornalistas da Angola também se posicionou contra a decisão, chamada de "tentativa de silenciaento" pelo presidente da entidade, Teixeira Cândido, que avalia o governo como incompetente na declaração da suspensão.

Sem autorização para transmitir programas de rádio ou programas pela internet, a Record TV continua fora do ar na Angola, mesmo depois de comunicar alteração do quadro de funcionários. A comunicação é mantida com o público através da página da emissora no Facebook e do LinkedIn.

Denúncias envolvendo pastores da Igreja Universal

Um grupo de bispos e pastores da Igreja Universal do Reino de Deus na Angola assumiu em 2020 o controle de 35 templos da instituição em Luanda e cerca de 50 em outras províncias do país, como Lunda-Norte, Huambo, Benguela, Malanje e Cafunfo. Os bispos e pastores angolanos acusam a direção brasileira da igreja de evasão de divisas, expatriação ilícita de capital, racismo, discriminação, abuso de autoridade, imposição da prática de vasectomia aos pastores e intromissão na vida conjugal dos religiosos.

Aliado a nomes importantes dentro da Igreja Universal, como o bispo licenciado Marcos Pereira, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) entrou em contato com o Serviço de Investigação Criminal da Angola após o anúncio do início de uma ação de busca e apreensão contra pastores em todo o país angolano. O pedido foi feito através de uma carta enviada pelo governo brasileiro ao então presidente João Manuel Lourenço.

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Na época, a carta foi publicada no Twitter do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). O parlamentar disse através da rede social que as "agressões contra pastores angolanos e brasileiros da Igreja Universal" geram preocupação e relembrou que confia nas leis aplicadas no país africano e no respeito à liberdade religiosa. A igreja universal possui cerca de 500 pastores em Angola, sendo 65 brasileiros.

Em frente à uma sede da Igreja Universal, dois homens seguram a bandeira de angola

Twitter anuncia primeiro escritório no continente africano

Introdução:

Segundo a empresa, o novo escritório faz parte de uma missão para tornar as experiências mais relevantes e confortáveis para os usuários de toda a África; rede social abriu vagas de emprego remotas

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nataly Simões | Imagem: Scott Norsworthy

O Twitter anunciou a abertura do novo escritório em Gana com o objetivo de estabelecer a presença da empresa no continente africano e adaptar os serviços e a comunicação aos usuários de toda a África.

"Gana nos trará uma nova perspectiva sobre como estamos construindo e projetando nossos serviços", explica a diretora de Marketing Global, Uche Adegbite, através de seu perfil na rede.

O líder de produção e consumo da empresa, Kayvon Beykpour, reitera que o contato com profissionais de Gana também faz parte dos objetivos da rede. "Construir equipes locais em regiões-chave nos ajuda a fazer isso, explorando culturas únicas e talentos excepcionais", analisa.

No início do ano, Gana passou a sediar o espaço de negociações do Secretariado da Área de Livre Comércio Continental Africano, fato que fortaleceu a região como "defensora da liberdade de expressão, da liberdade online e da Internet aberta", explicou a empresa em seu blog oficial.

Com parcerias em Gana, no Quênia e na Nigéria, o Twitter pretende investir no crescimento dos novos colaboradores, mas também fortalecer as comunidades locais. Durante o período de pandemia da Covid-19, as contratações e a realização do trabalho serão remotas, envolvendo equipes de design, engenharia, marketing e comunicação, apenas para moradores do país. As inscrições podem ser feitas no Twitter Careers

Twitter e a comunicação antirracista

A hashtag BlackLivesMatter, muito utilizada nas redes sociais a partir de maio de 2020, depois do assassinato de George Floyd, é a terceira hashtag mais usada no Twitter ao redor do mundo.

Os dados são do relatório publicado pela empresa em outubro de 2020 e apontam também que, no Brasil, a #VidasNegrasImportam foi utilizada em mais de 13 milhões de tweets.

Assim como a facilidade para criar conexões positivas, o Twitter também serve como plataforma para a disseminação de ofensas racistas. O fato foi percebido pela rede social, que anunciou em dezembro de 2020 a manutenção e uso de algoritmo para excluir publicações de cunho racista. “Criamos nossas regras para manter as pessoas seguras”, comunicou a empresa.

A construção do escritório do Twitter está prevista para o período pós-pandemia no país

Por que países africanos enfrentam dificuldades para acessar vacina contra a Covid-19?

Introdução:

Dos 54 países que compõem o continente, somente seis já iniciaram a imunização de suas populações; África registrou mais de 3,9 milhões de infectados pela Covid-19 e cerca de 106 mil mortes

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nataly Simões | Imagem: Kim Ludbrook

O início da imunização contra a Covid-19 no continente africano começou em fevereiro e apenas seis dos 54 países tiveram acesso às doses da vacina até o momento. Segundo dados do projeto Our World in Data, África do Sul, Argélia, Marrocos, Ruanda, Senegal e Zimbábue estão vacinando suas populações com doses da Johnson & Johnson e do laboratório AstraZeneca.

A Organização Mundial da Saúde alerta sobre a necessidade da chegada dos imunizantes para todos os países do continente.  Até agora, segundo a OMS, o continente africano contabilizou mais de 3,9 milhões de casos confirmados do novo coronavírus, com cerca de 106 mil mortes confirmadas. Menos de 6% de toda a população do continente foi vacinada. 

O avanço da vacinação pode ser observado nos Estados Unidos e em países da Europa, que realizam negociações com outras potência econômicas, tendo como prioridade outras regiões do mundo em detrimento ao continente africano. Um exemplo da demora no acesso ao tratamento de epidemias graves é o vírus do HIV, causador da AIDS, que levou seis anos, depois do lançamento nos EUA, para chegar à população africana.

Em meio ao enfrentamento de uma variante mais letal e contagiosa, o número de casos diários de Covid-19 nos 54 países do continente africano está 2,4% acima da média mundial. Por enquanto, o cenário é de mais investimento da vacina e lugar preferencial na fila para os países mais ricos, que concentram 14% da população mundial.

De acordo com um estudo divulgado pela ONG The People's Vaccine Alliance, a expectativa é de que as vacinas cheguem para a maior parte do continente africano até abril de 2022. Além de os países africanos terem sido prejudicados pelas compras milionárias de doses da vacina por parte dos países ricos do Ocidente, para combater a pandemia as nações mais pobres da África correm o risco de se endividarem ainda mais.

Um projeto preparado pelo Banco Africano de Exportação-Importação dá conta de que os países vão pagar entre três e dez dolares americanos por dose da vacina, conforme informado pela agência de notícias Reuters. A soma está bem abaixo do valor pago por países ricos - que varia de 19,50 a 37 dólares. Como os países africanos não têm a mesma sustentabilidade financeira, devem ser impactos economicamente mesmo pagando mais 'barato' pela imunização.

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