O deputado norte-americano Hank Johnson usou a tribuna da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos para criticar o acordo feito com o governo brasileiro para o uso da base de lançamento de Alcântara, no Maranhão.

Texto / Solon Neto | Imagem / Reprodução 

Na tribuna, em 27 de setembro, Johnson se posicionou contra o acordo e disse que buscará apoio de seus colegas para barrar a medida. O congressista dos EUA lembrou que mais de 300 famílias já foram deslocadas da região de Alcântara devido a expansões anteriores no centro de lançamento.

"Eu aprecio as relações de longa data com o Brasil. No entanto, não posso apoiar políticas que desumanizam povos nativos e levam prejuízos a comunidades vulneráveis no Brasil", disse Johnson em seu discurso na tribuna da Câmara dos EUA.

O centro de lançamento de Alcântara é considerado o mais bem localizado do mundo. A proximidade com a linha do equador faz diminuir o combustível necessário para o lançamento de satélites e foguetes. 

Os EUA já tentaram acordos anteriormente com o Brasil durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para utilizar a base. No entanto, à época, a medida foi barrada na Câmara dos Deputados. 

O acordo de utilização da base sofre resistência de comunidades quilombolas da região que serão prejudicadas pelo uso e expansão das instalações.

Movimento negro brasileiro se reuniu com Johnson

Johnson se reuniu, em setembro deste ano, em Washington, capital dos EUA, com membros da Coalizão Negra por Direitos e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). As entidades apontam que mais 800 famílias quilombolas serão removidas da região caso o acordo entre em vigor.

À época, o democrata já se mostrou preocupado com a questão e criticou a posição do governo brasileiro.

"O governo brasileiro deveria seguir a sua constituição e consultar as comunidades quilombolas antes de impor a base espacial de Alcâncantara sobre eles", disse.

O acordo fechado sobre a utilização da base em 18 de março entre os governos dos presidentes Jair Bolsonaro (PSL) e Donald Trump precisa ser aprovado ainda pelo Congresso Nacional no Brasil.

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