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Texto: Pedro Borges / Ilustração: Moska Santana

 

Só existe nos Estados Unidos, e não no Brasil.

 

Dividia as pessoas na África do Sul, e nunca aqui.

 

Une esquerda e direita, marxistas e fascistas.

 

Une homens e mulheres, crianças e adolescentes.

 

Para uns é brincadeira, para outros, dor e humilhação.

 

Para uns, elogio, para outros, vergonha e sofrimento.

 

É um crime, mas se permite executar e no final, o criminoso não é preso e a vítima, a culpada.

 

 

 

Resposta: Racismo à brasileira.

Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Vinicius de Almeida

Melhor da NBA, posicionado contra o racismo

"Uma negra e uma criança nos braços, solitária na floresta de concreto e aço”. No dia 30 de dezembro de 1984, na cidade de Akron, Gloria James, na época com apenas 16 anos, deu a luz para mais um “filho pardo sem pai”, e se tornava mais uma “mãe solteira de um promissor vagabundo”. Não só. Nascia também mais um negro revoltado com as injustiças raciais americanas. Vinha ao mundo LeBron Raymone James.

Sempre entre o sucesso e a lama, LeBron era mais um negro drama. Não pôde se dedicar aos estudos na infância. Não tinha amigos na escola. Não tinha orgulho da sua condição social. James, então, preferia ficar quieto.

Enquanto isso, a jovem mãe, sem qualquer auxílio do pai, se desdobrava para educar o menino. O jeito encontrado para mantê-lo distante da violência cotidiana foi dar uma bola de basquete. O garoto então se apaixonou pelo esporte e logo começou a se destacar no colégio. Os três títulos estaduais de “Ohio Mr. Basketball” despertaram o interesse das principais franquias da NBA.

Na temporada da liga de 2003-04, aos 19 anos, o atleta debutou na NBA pelo Cleveland Cavaliers e ganhou o prêmio de novato do ano, o seu primeiro na liga. Ali, começava a nascer o rei da NBA, ou melhor, King James.


Com 2,03 de altura, 113kg e média de 27,5 pontos, 7,2 rebotes, 6,9 assistências e 1,7 roubos de bola até o momento, Lebron James acumula os títulos da temporada 2011-12 e 2012-13. Foi ainda o jogador mais valioso, MVP, das temporadas 2008-9, 2009-10, 2011-12, 2012-13.

LeBron e o Cleveland Cavaliers perderam ontem, 16/06/2015, o título da NBA para o Golden State Warriors. Isso, porém, em nada muda a admiração do povo preto por LeBron. Diferente dos jogadores brasileiros de futebol, LeBron jamais se calou perante o ódio racial e sempre teve orgulho do seu cabelo crespo e da sua pele escura. Condenou as declarações racistas do antigo dono do Clippers, Donald Sterling, assim como apoia todas as manifestações do povo preto americano.

Por isso, agradecemos. Obrigado, LeBron James, por sempre “vestir o preto por dentro e por fora” e por ser mais um “guerreiro, poeta, entre o tempo e a memória”. Para nós, você sempre será o King James.

O surgir de um vulto


Antes pardos, hoje pretos. Antes encarcerados em tumbeiros, hoje em liberdade provisória. Antes cordeiros, tranquilos, hoje Baltimore e a Maré.

Negros de alma preta. Somos a negritude de Malcolm X, Angela Davis, Zumbi e Dandara. Somos o grito que não se cala perante o ódio racial. Somos as denúncias escurecedoras de Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento. Somos a mídia negra no rosto preto de José Correia Leite e Abdias do Nascimento.

Somos o enegrecer do audiovisual, assim como o negrito da imprensa. Mais do que esquerda ou direita. Pretos. Somos a sombra de uma mídia branca que nega e teme a negritude.

Artigos, resenhas, poemas, crônicas, reportagens, entrevistas e documentários. Tudo. Todas as plataformas do jornalismo. Uma única cor. Preto.

O Alma Preta é mais um quilombo em luta pela liberdade do povo negro. Quilombolas cujas armas são nossos corpos, nossa arte e nossas palavras.

Informação ao povo preto!

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