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“Seria muito cruel da minha parte dizer que eu passei por esse período sem clube por causa disso, e também não posso dizer que não foi por causa disso”, afirma o goleiro

Texto: Divulgação / Edição de Imagem: Solon Neto

O Esporte Fantástico deste sábado, 18/06, às 10h15, exibe reportagem exclusiva com o goleiro Aranha. O jogador, que foi vítima de racismo em um jogo entre Grêmio e Santos, em 2014, estava desempregado há seis meses e revelou ao programa que encontrou dificuldades para se recolocar no mercado por conta da polêmica e repercussão que o episódio causou:“Seria muito cruel da minha parte dizer que eu passei por esse período sem clube por causa disso, e também não posso dizer que não foi por causa disso”.

Após passagem pelo Palmeiras e um semestre inteiro sem atuar, Aranha agora defende as cores do Joinville. Apesar de toda a dificuldade para encontrar um novo time, ele não se incomoda em falar sobre racismo e desabafa ao esportivo sobre o assunto: “É um assunto que eu creio ter um bom conhecimento e não tenho problema algum, mas é algo que me acompanha desde a infância. Não só o Aranha, mas muitos outros brasileiros negros também.  Só que como eu era uma pessoa pública, repercutiu.  Isso acaba parecendo que é um fato isolado, mas não, isso é uma coisa normal no nosso País. Depois daquela era que tentavam embranquecer o País, achando que um País mais branco seria mais chique, mais bonito, a gente ainda pena um pouco com esse tipo de sentimento. Mas comparado com o tempo que ficou na escravidão, a gente precisa batalhar bastante ainda.”

Aranha também revela que, em momento algum, tentou prejudicar o clube gaúcho, mas sim quis fazer justiça perante às pessoas que o atacaram. “Fiz valer os meus direitos naquele jogo do Grêmio. Não fiz nada mais do que isso, de maneira alguma eu quis prejudicar o Grêmio. Eu não fiz nada contra o Grêmio, nada. O que eu fiz foi contra as pessoas que cometeram um crime, que cometeram injúrias.  Se eu tivesse cometido aquele tipo de crime eu também pagaria, e talvez pagaria mais caro, com dinheiro, sei lá, seria muito mais pesado do que isso, mas eu só exigi os meus direitos, nada mais do que isso”.

Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Pedro Borges

Caminhada tem o objetivo de transferir investigação da Justiça Militar para Comum

Militantes negros, LGBTs e feministas organizam para o dia 18/06, sábado, na cidade de Ribeirão Preto a “I° Caminhada de Lésbicas e Bissexuais Negras por Nenhuma Luana a Menos”. A concentração para o ato se inicia às 9h na Praça Sete de Setembro.

Luana Barbosa dos Reis Santos, mulher negra LGBT, foi espancada pela polícia militar no dia 8 de Abril. Depois de cinco dias, ela faleceu, aos 34 anos, devido à isquemia cerebral causada por traumatismo craniano. A morte gerou revolta na família e em diversos movimentos sociais que denunciaram o excesso de violência do Estado.

Poliana Kamalu, estudante de direito da USP-Ribeirão Preto, é uma das organizadoras do protesto e afirma a necessidade do julgamento de Luana Barbosa ser transferido da Justiça Militar para a Comum. “Nosso principal objetivo é exigir do judiciário brasileiro que os policiais envolvidos na morte de Luana sejam julgados na Justiça Comum, e não pela Justiça Militar, por seus pares; o que nos transmite menos imparcialidade. Exigimos que um homicídio doloso seja julgado pelo Tribunal do Juri, conforme determina nosso ordenamento jurídico. Nós não vamos deixar mais uma mulher lésbica, negra e periférica entrar nas estatísticas sem que a Polícia Militar responda por mais este crime”.

A grande mobilização em torno do caso, protagonizada pela família e por movimentos sociais, gerou uma série de ameaças às pessoas mais próximas de Luana. O ato então é também uma forma de demonstrar solidariedade à família e uma maneira da morte não ser esquecida pela cidade, de acordo com Poliana. “Para que não exista nenhuma Luana a menos é fundamental tornar público a Ribeirão Preto a história de uma morte não natural, embora naturalizada, de Luana Barbosa e o direito de justiça que nos resta”.

Além do protesto, o sábado também será marcado por atividades culturais, como rodas de sambas e saraus. Todas as apresentações farão reflexões sobre a questão de raça, gênero e orientação sexual.

Alma Preta fará a cobertura do ato.

Veja o evento no Facebook.

Em 2016, coordenação nacional de comunidades quilombolas, CONAQ, completa duas décadas de preservação das riquezas culturais e históricas dos quilombos; risco de retrocessos com golpe de estado é denunciado pela organização

Texto: 
CONAQ / Imagem: CONAQ / Edição de Imagem: Pedro Borges

A Coordenação Nacional de Comunidades Quilombolas (CONAQ) foi criada em 12 de maio de 1996, em Bom Jesus da Lapa – BA, após a realização da reunião de avaliação do I Encontro Nacional de Quilombos. A CONAQ é uma organização de âmbito nacional que representa os (as) quilombolas do Brasil. Dela participam representantes das comunidades quilombolas de 24 estados da federação, com apoio das entidades do movimento negro e entidades ligadas à questão rural, que lutam em defesa dos territórios quilombolas.

A CONAQ tem como objetivos: lutar pela garantia de uso coletivo do território; pela implantação de projetos de desenvolvimento sustentável e pela implementação de políticas públicas levando em consideração a organização preexistente das comunidades de quilombo, em todos os estados brasileiro com o uso comum da terra e dos recursos naturais, em harmonia com o meio ambiente. Outros pilares da CONAQ são a organicidade da educação quilombola, o incentivo a participação da juventude, autonomia das mulheres, direito ao território e enfrentamento ao racismo e à violência doméstica.

A CONAQ conquistou uma importante etapa na luta pela garantia dos territórios ancestrais que foi o Decreto Presidencial de nº 4.887/2003. Na transição para a primeira gestão do governo Lula, no ano de 2003, constitui-se um grupo de trabalho composto por vários órgãos do poder executivo federal do qual participaram lideranças quilombolas orgânicas da CONAQ, de todas as regiões do Brasil. A partir da vigência desse Decreto, apesar de toda a lentidão do governo em implementá-lo, entende-se que o Estado brasileiro tem as devidas orientações para garantir a propriedade das terras às comunidades quilombolas tendo em vista a reprodução física, cultura, social e econômica dos (as) quilombos brasileiros (as).

Nesse contexto, a CONAQ tem unido esforços e pressionado o governo para dar respostas mais céleres às referidas ações, pois a burocracia do aparelho do estado dificulta o atendimento às solicitações e demandas dos (as) quilombolas, fator que aumentou significativamente os conflitos e ameaças de morte às lideranças quilombolas.

Durante séculos as comunidades quilombolas foram mantidas na invisibilidade, em função da ausência de ações do Estado. Elas, contudo, lutaram e resistiram para manterem vivas suas manifestações culturais, sabedoria ancestral, religião, modo de viver e cultivar a terra, seus bens materiais e imateriais.

As investidas do setor conservador com a PEC 215/2000, o descumprimento da convenção 169 e a ADI 3239/03 que discute a inconstitucionalidade do Decreto 4887/03, promovidos principalmente pelos partidos políticos de direita são exemplos concretos dessa tensão. Somados ao atual cenário político com as retiradas de direitos, o desrespeito à constituição e aos tratados internacionais que o Brasil assinou, que várias lideranças, parceiros, apoiadores, fundadores (as) e coordenadores (as) da CONAQ fizeram uma reflexão, quando a entidade comemorou 20 anos de existência.

Com a possível consolidação do golpe, orquestrado diante dos olhos de milhões de brasileiros (as), das mazelas praticadas pelo Presidente interino Michel Temer que, em menos de 20 dias, vem mudando de ideia várias vezes do que fazer com a questão quilombola: a principio os (as) quilombolas foram leiloados para o Deputado do DEM e Ministro Mendonça Filho, maior inimigo dos (as) quilombolas e um forte aliado da Bancada Ruralista e do Agronegócio. Após a pressão dos (as) quilombolas, o presidente interino recuou e retornou ao INCRA a pauta quilombola e agora recentemente decretou o INCRA subordinado à Presidência da República.

Assistimos que está em curso um retrocesso inimaginável com um prejuízo histórico aos mais de 5 mil quilombos com aproximadamente 16 milhões quilombolas no Brasil. Caminhamos num caminho sem volta, com violação dos direitos humanos e o maior bem que é a vida humana. Somos detentores (as) da Ancestralidade, exigimos respeito pelo nosso templo sagrado que é nosso território, com nossa fé, nossa cultura e nosso modo singular de viver. Não vamos permitir retrocessos, não vamos dar nenhum passo atrás, não vamos permitir nenhum direito a menos.

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

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