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Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Vinicius Martins

Interessados também podem se inscrever para a versão presencial do curso

 

O Coletivo Cultural Dijejê apresenta o curso de formação sobre o pensamento das intelectuais brasileiras Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento. As inscrições podem ser feitas até 17 de agosto e o início das atividades está marcado para o dia 19 do mês. As aulas podem ser vistas pelos participantes na plataforma e-learning Moodle, ferramenta aberta, gratuita e de simples manejo.

A formação está divida em três módulos que ao todo contabilizam 20 horas. O primeiro momento aborda o feminismo afrolatino e os demais tratam sobre os quilombos e a liderança feminina. No terceiro módulo, as participantes serão convidadas a produzir um artigo sobre as reflexões estimuladas pelos encontros virtuais.

Lélia Gonzalez criou o conceito de feminismo afrolatino. Para ela, é necessário que haja um dialogo entre mulheres negras e latinas do continente de maneira pautada pelo panafricanismo, como saída possível para a luta da diáspora negra na região. Beatriz Nascimento pesquisou sobre os quilombos e trouxe muitos elementos para se pensar a organização e articulação das mulheres negras como lideranças nesses espaços.

Lélia Gonzalez é uma das principais referências negras na América Latina

Jaqueline Conceição, integrante do Coletivo Dijejê e organizadora do projeto, destaca a importância de discutir o pensamento das duas autoras como forma de libertação de pretas e pretos no continente americano. “O feminismo negro, pautado em categorias de análise que correspondam à realidade no Brasil, partindo da elaboração teórica de intelectuais negras do Brasil, que pensaram a mulher negra a partir da realidade e do contexto regional, pode incidir na formação de consciência de raça e classe dos negros, sobretudo das novas gerações, que centram seu campo de atuação na estética”.

No dia 13 de agosto, na Casa Comunitária do Coletivo Dijejê, na Rua Caetano Gonçalves, 75, próxima à estação de metrô Santana, o grupo apresenta a formação de maneira presencial. Os diálogos vão das 10h às 18h do sábado e as inscriçõespodem ser feitas até o dia 12 do mês. Para Jaqueline, as duas autoras, “mais do que pautar o pensamento das mulheres negras, são também fundamentais no pensar da diáspora africana”.

Os encontros visam aprofundar a reflexão sobre o feminismo negro no Brasil. No meses de junho e julho, o curso “A História do Feminismo Negro” trabalhou duas categorias essenciais para a atuação política de pretas e pretos: o movimento negro e a mulher negra.

Serviço:

Valor: 80 reais tanto para o online, quanto para o presencial.

Mais informações

(11) 9 44681000

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Texto e fotos: Pedro Borges

Para ativista negra norte-americana, a divisão racial no Brasil e nos EUA é diferente

No dia 28 de julho, quinta-feira, a partir das 19h, Deborah Small participou do debate “Cidades, Políticas de Drogas e Combate ao Racismo”, ao lado de Nathalia Oliveira, Iniciativa Negra por uma Nova Política de Drogas, e Djamila Ribeiro, Secretária Adjunta de Direitos Humanos e Cidadania.

Deborah iniciou a sua apresentação relacionando racismo e política de drogas. Para ela, nos EUA, há a mesma quantidade de drogas tanto nos bairros negros quanto nos brancos.A diferença está no tratamento dado pelo Estado e pela polícia, agentes repressores da comunidade negra. Deborah pensa que a atual política de drogas é na verdade uma forma de atacar de maneira violenta negras e negros.

Quando perguntada sobre a diferença entre o Brasil e os EUA, Deborah apontou que lá há uma distinção marcante entre negros e brancos no acesso aos direitos. De acordo com a ativista norte-americana, a divisão no Brasil é entre negros e não negros. Aqui, os demais grupos raciais usufruem de serviços enquanto a comunidade negra continua marginalizada.

No dia 29, sexta-feira, Deborah encerra a sua passagem por São Paulo e pelo Brasil com dois encontros. Às 15h, no bairro da República, em evento fechado, a ativista discute com convidados o tema da política de drogas sob as perspectivas de raça e gênero. Mais tarde, às 20h, Deborah visita o Sarau do Círculo Palmarino, em Embu das Artes.

Deborah Small ao lado de Djamila Ribeiro e Nathalia Oliveira

Texto: João Victor Belline / Foto: Wikimapa / Edição de imagem: Vinicius Martins

Na estreia da série de textos de atletas negros e negras que marcaram os esportes olímpicos,
a história da ala do basquete, Janeth Arcain

“Democratizar o acesso ao esporte de qualidade, preconizando a prática esportiva baseada nos valores, de forma a promover o basquetebol como fator de desenvolvimento global dos alunos e utilizando-o como ferramenta transformadora da sociedade e exercício da cidadania”. Essa citação, vinda da página de seu Instituto, sintetiza o trabalho exercido por uma das maiores atletas que já representaram o Brasil através do esporte. A maior detentora de títulos no basquetebol brasileiro, a primeira a jogar na liga americana, vencendo-a quatro vezes consecutivas. Esses ainda são poucos predicados para mensurar o tamanho dessa mulher. Chegou a hora de conhecer um pouco de Janeth Arcain.

No ano de 1983, começa uma linda história de amor entre uma menina de infância simples e uma bola alaranjada com listras pretas. Com então catorze anos, Janeth foi levada pela professora de educação física à Catanduva, onde ela começou sua carreira no Clube Atlético Higienópolis. A menina, nascida no dia 11 de abril de 1969, registrada em Carapicuíba, precisou de apenas três meses no time para conquistar o seu primeiro título: campeã estadual na categoria mirim, sendo a melhor jogadora da competição.

A garota do bairro do Bom Retiro, e que sempre amou participar das aulas de educação física, começava a trilhar o seu vitorioso caminho. As primeiras cestas com a Seleção Brasileira vieram mesmo antes da profissionalização, na categoria juvenil. Em 1986, apenas três anos após começar a jogar, Janeth já se tornava campeã sul-americana juvenil, em campeonato disputado na Colômbia. Apesar da pouca idade, ela também começou a figurar na seleção principal no ano de 1987. Tanto é que naquele ano, Janeth conquistou um vice campeonato continental na Argentina, pela equipe juvenil, e a medalha de prata nos Jogos Pan-americanos de Indianápolis, no time adulto. Alguns anos depois, em 1991, a medalha de ouro viria no Pan-americano de Havana.

Entre os clubes brasileiros, ela atuou por BCN (SP), Jundiaí (SP), Constecca Sedox (SP), Sorocaba (SP), Santo André (SP), Vasco da Gama (RJ), São Paulo (SP) e Ourinhos (SP), conquistando 27 títulos entre os anos de 1986 e 2004, entre Jogos Abertos do Interior, Jogos Regionais, Campeonato Paulista, Estadual do Rio, Taça Brasil, Campeonato Nacional e Campeonato Sul-americano de clubes. Apesar da infinidade de glórias com agremiações nacionais, os maiores feitos da atleta paulista foram com a camisa do Brasil e na liga americana, a WNBA (Women’s National Basketball Association).

No ano de 1994, Janeth ajudou a compor o mais notável trio que a Seleção Brasileira de Basquete já viu. Ao lado de Paula e Hortência, ela conquistou um dos seus dois maiores títulos da carreira, palavras da mesma: o Título Mundial de Seleções, na Austrália. Dois anos depois, nos Jogos Olímpicos de 1996, o trio fez história mais uma vez e conquistou a medalha de prata, em Atlanta, perdendo para a equipe americana nas finais. A competição marcou a despedida de Hortência das quadras e deu início à história de Janeth em solo estadunidense. No ano seguinte, a brasileira foi contratada pelo Houston Comets para atuar no mais competitivo campeonato feminino de basquete, a WNBA.

Durante os sete primeiros anos no Houston, Janeth mostrou toda sua regularidade e comprometimento. Ela atuou em todas as partidas da equipe entre 1997 e 2003, algo notável no esporte de alto rendimento. Mas a brasileira fez algo ainda mais incrível: conquistou o tetracampeonato da liga e, junto ao Houston Comets, estabeleceu a primeira dinastia da WNBA. Segundo a própria Janeth, o tetra representa um dos seus dois mais importantes títulos da carreira. Somando os números da primeira com os da segunda passagem, no ano de 2005, Arcain – já que nos Estados Unidos existe o hábito do uso do sobrenome no uniforme – teve média de 10,4 pontos e 30,1 minutos por partida, fazendo história com a camisa nove.

Após os quatros títulos consecutivos pelo Houston, ela voltou a fazer história com a camisa verde e amarela. Após Hortência e Paula terem se aposentado da Seleção Brasileira, Janeth tornou-se a referência da equipe. Ela virou a capitã em 1998 e passou a ser a jogadora mais importante do selecionado brasileiro. E não decepcionou. Nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, liderou a Seleção que garantiu a medalha de bronze para o Brasil e ainda foi a cestinha, jogadora que mais anotou pontos.

Dois anos depois, em 2002, no dia 5 de fevereiro, a camisa nove fazia uma das suas maiores cestas. Dessa vez, fora de quadra. Fundou o Instituto Janeth Arcain, que atende jovens e ajuda no desenvolvimento físico e mental através da prática esportiva. Hoje, o Instituo atua em cinco cidades, Atibaia (SP), Bragança Paulista (SP), Cubatão (SP), Santo André (SP), onde fica a sede, e João pessoa (PB).

Após 24 anos de carreira, em 2007, Janeth teve o seu último ato como jogadora de basquete. Ela levou o Brasil a conquistar a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos realizados no Rio de Janeiro. Ela se despediu da Seleção Brasileira como a terceira maior cestinha, tendo participado de 138 jogos oficiais e anotado 2247 pontos. Mas a sua relação com o basquete não acabou ali. Além de ajudar crianças através do basquete, ela foi contratada em 2009 para ser assistente da Seleção Brasileira e também comandar as categorias de base.

Em 2015, ela entrou para o Hall da Fama e se tornou a terceira brasileira a arquivar o feito. Antes dela, Hortência e Paula haviam recebido a homenagem em 2006. Janeth foi um exemplo e demonstra exatamente o comprometimento que o esporte exige. Como a mesma declara, “para vencer é preciso muita seriedade, dedicação e amor”. Sem dúvidas, Janeth é tudo isso. E mais um pouco.

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