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Texto: Alma Preta / Imagem: Divulgação

As dinâmicas vão ser construídas a partir das experiências ou pesquisas das pessoas inscritas

No dia 18 de Fevereiro, sábado, das 14h às 18h, acontece o curso “O que é o feminismo?”. Organizado pelo Coletivo Dijejê, a atividade ocorre na Avenida Rio Branco, 211, sala 114, e tem o objetivo de apresentar os princípios do feminismo. As inscrições podem ser feitas aqui.

A ideia é sensibilizar as pessoas acerca das questões de gênero ao relatar as origens do movimento e as contribuições sociais do feminismo. A proposta é que as vivências sejam multiplicadas em escolas, sindicatos e organizações comunitárias, para que cada vez mais o público tenha conhecimento dos fundamentos básicos do movimento.

Jaqueline Conceição, organizadora do curso e fundadora do Coletivo Dijejê, almeja apresentar as posições comuns do feminismo, apesar de reconhecer as singulidades da atuação anti-machista de cada país. “O feminismo é uma pratica politica, que se pauta pela luta no campo dos direitos humanos, ou seja, visa garantir os direitos sociais políticos, culturais, estéticos, éticos, sexuais de um grupo que se caracteriza como minoria politica, que são as mulheres. Uma luta feminista ou anti machista, é uma luta por garantia de direitos e equidade civil”.

Ela completa que o exercício político feminista pauta a liberdade plena de todos os indivíduos. Se não for coletiva e total, não há liberdade para as pessoas, de acordo com Jaqueline. “O desenvolvimento da humanidade não pode se dar à custa da vida de animais crianças, idosos, negros, mulheres, gays e todos os grupos lidos como minorias politicas. A humanidade deve desenvolver-se para todos nós. E essa reflexão, o movimento feminista, na sua mais complexa interface, nos proporciona. Ele nos faz pensar, sobre qual mundo queremos e por que queremos”.

Cronograma

14h - Apresentação
14h30m - O que é natural e o que é biológico?
15h - Café
15h30 - A construção social do ser mulher
17hs - A luta de classes é a luta da mulher?
18hs – Encerramento

Serviço

Valor: R$ 75,00
Vagas: 20 lugares

Texto: Vinicius Martins / Imagem: Alma Preta

Segundo Ministério Público não há materialidade do crime; parecer do TJ-SP pede reabertura do caso pela Polícia Civil

O processo que investiga a morte de Luana Barbosa dos Reis, 34 anos, foi arquivado pela Justiça Militar do Estado de São Paulo (JMSP). Ela morreu em abril de 2016 após ser espancada por três policiais militares durante uma abordagem em Ribeirão Preto (SP). Luana teve traumatismo craniano e isquemia cerebral como consequência das agressões.

O espancamento ocorreu após Luana se recusar a ser revistada por um policial do sexo masculino. De acordo com a família, os policiais tiveram uma conduta racista, machista e homofóbica, tendo em vista que Luana era uma mulher negra e lésbica.

Depois da morte de Luana, as investigações iniciais do caso foram feitas pela Polícia Civil e o processo corria na Justiça Comum. Após determinação do juiz Luiz Augusto Freire Teotônio, da 1ª Vara do Júri de Ribeirão Preto, a situação mudou e o processo foi encaminhado para a Justiça Militar.

O juiz emitiu a decisão logo após o delegado Euripedes Stuque pedir a prisão dos PMs envolvidos nas agressões. O magistrado negou os pedidos e decidiu que as investigações fossem conduzidas como lesão corporal. A decisão descartou a tese de homicídio adotada inicialmente pela Polícia Civil.

Eliseu Berardo Gonçalves, promotor do caso na esfera criminal, recorreu da decisão. Para ele, as investigações devem ser conduzidas novamente pela Polícia Civil. No último dia 31 de janeiro, a 4ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) acatou a decisão do promotor e determinou que as investigações da Polícia Civil fossem reabertas. Dessa forma, o processo volta para a Justiça Comum. A medida é vista como uma vitória para a defesa de Luana Barbosa.

Os três policiais envolvidos nas agressões continuam soltos e atualmente exercem funções administrativas dentro da corporação, exceto um deles que se aposentou no ano passado.

Curso do campus de Ribeirão Preto-SP é o mais concorrido da Fuvest
Texto: 
Pedro Borges / Edição de Imagem: Solon Neto

Bruna Sena, 17 anos, natural de Ribeirão Preto (SP), estudou durante toda a vida em escola pública. A partir de 2017 e durante os próximos anos, a sina deve continuar. Bruna foi aprovada em primeiro lugar no curso de medicina da USP de Ribeirão Preto, o curso de graduação mais concorrido da universidade.

O desejo pela medicina é recente, surgiu em 2016, quando uma amiga contou sobre o Cursinho Popular da Medicina (CPM). “É um projeto incrível pois permite que jovens de baixa renda tenham a oportunidade de ingressar na universidade”, conta Bruna.

Durante os estudos, Bruna se sentiu por diversas vezes desmotivada. Mesmo se sentindo inferior aos demais concorrentes, não desanimou. Hoje, a estudante exalta a conquista. “Estudei muito, é claro, mas não foi um mérito só meu, tive apoio familiar, principalmente de minha mãe, e também tive suporte nos estudos- embora houvesse uma luta diária pra 'nadar' contra a corrente em um sistema educacional tão desigual”.

Última pesquisa divulgada pela Fuvest em 2015, acerca da diversidade racial dos ingressantes na USP, mostra a enorme desigualdade entre negros e brancos. Se comparados os 10 cursos mais concorridos da universidade, das 794 vagas, o número de brancos variava entre 71,4% (audiovisual) e 84,4% (arquitetura em São Carlos).

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Por isso, Bruna destaca a importância de uma mulher, negra e pobre ingressar em primeiro lugar no curso mais elitizado da USP. “A representatividade é importantíssima e lutaremos por uma USP (e demais universidades) mais diversa, principalmente em um curso como o de Medicina. Espero inspirar muitas pessoas e mostrar que é possível sim”.

Uma das ferramentas utilizadas para a maior entrada de estudantes negros nas universidades foi a adoção da política de cotas. A UNESP é a única das estaduais paulistas a aderir ao sistema, algo ainda negado pela Unicamp e a USP. Bruna acredita que, de momento, é importante que a medida seja adotada como forma de diminuição das desigualdades. “Qual a proporção de negros no ensino superior? O passado histórico do Brasil, o que vivemos hoje, essa enorme disparidade entre brancos e negros, é uma consequência de nosso passado escravista e das subsequentes políticas de exclusão e marginalização da comunidade negra. Esse fatores não podem ser desconsiderados”.

A jovem reconhece a luta histórica por uma maior participação de estudantes negros nas universidades e pretende se juntar ao Coletivo Negro da USP de Ribeirão Preto. “Acho muito importante fazer parte do coletivo para compartilhar informações e experiências e, assim, aprender também”.

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

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