Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Pedro Borges

Encontros mesclam nomes internacionais e nacionais para entender as relações sociais e raciais no Brasil

O Coletivo Dijejê, grupo de formação teórica que atua na zona norte de São Paulo, organiza dois encontros de formação no Jardim Damaceno. O primeiro, no dia 16 de abril, discute a posição social da negra e do negro sob a ótica de Beatriz Nascimento. Na semana seguinte, no dia 23l, a discussão terá como base o pensamento de Herbert Marcuse para entender o avanço do fascismo no mundo.

Todas as atividades começam às 9h da manhã e serão ministradas pela pedagoga e mestra em educação, Jaqueline Conceição. Ela explica a escolha dos nomes e a importância do debate para a atual conjuntura. “Tanto o Marcuse quanto a Beatriz Nascimento são dois intelectuais que possibilitam que a gente consiga olhar para a realidade e buscar fissuras para a compreensão e intervenção nela. A Beatriz propõe pensar a questão do negro pelo viés da resistência e o Marcuse também apresenta instrumentos para a luta diária”.

Herbert Marcuse é um dos principais nomes da Escola de Frankfurt Herbert Marcuse é um dos principais nomes da Escola de Frankfurt

O Coletivo Dijeje tem também uma forte preocupação em estreitar os laços entre a comunidade negra nas suas atividades. Por conta da estrutura racista e machista da sociedade brasileira, Jaqueline ressalta a necessidade de valorizar o trabalho e fortalecer as mulheres negras. “Essencialmente no Brasil, nós mulheres negras somos as responsáveis pela manutenção da memória do povo negro. E nós também formamos o país, seja educando e amamentando os filhos dos brancos, pagando a conta com o assassinato dos nossos filhos, com aprisionamento dos nossos maridos e a mutilação dos nossos corpos”.

A maior vulnerabilidade social da mulher negra é a principal razão para que haja um preço afirmativo para a inscrição no curso. Pesquisa divulgada em maio do ano passado pelo Laboratório de Analises Estatísticas Econômicas e Sociais das Relações Raciais (LAESER), da Universidade Federal do rio de Janeiro (UFRJ), aponta que as mulheres negras podem chegar a receber até 172% a menos do que os homens brancos.

Serviço:

Dia 16 de Abril, no Espaço Cultural Jardim Damasceno, Rua Talha Mar, 105, Jardim Damaceno

Moradores e moradoras da comunidade têm acesso gratuito ao curso.

Preço Afirmativo: - Irmãs Pretas 20 reais. - Irmãos Pretos 30 reais. - Demais público 50 reais.

Link para a inscrição - https://docs.google.com/forms/d/12IAFe5lpCuY1o_rAczMwHiZlo-D0p6L-PBsbHzH4vo0/viewform?c=0&w=1

Dia 23 de Abril, no Espaço Cultural Jardim Damasceno as 09hs.

Moradores e moradoras da comunidade têm acesso gratuito ao curso.

Preço Afirmativo: - Irmãs Pretas 20 reais. - Irmãos Pretos 30 reais. - Demais público 50 reais.

Link para a inscrição --https://docs.google.com/forms/d/1ze3XCg8GWwvY0p2jBP5KpCp0QPiRoL745oDjKc9_LTA/viewform?c=0&w=1

Telefone e e-mail para contato: 11 9 4468 1000 ou Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Texto: Divulgação / Imagem: Divulgação


O Espetáculo Fé. E os Orixás Se Fizeram Presente.” segue as apresentações até o dia 26 de março, às 19:30h no Teatro XVIII/ Sala 14 (Ladeira de São Miguel, 18 - Pelourinho) com ingressos  a  R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). O Espetáculo que tem texto e direção de Fábio S. Tavares (Lenda das Yabás, Benedita) permanece em cartaz sempre aos Sábados (05, 12, 19 e 26) com encenação da Companhia de Teatro Terra Brasilis.

De acordo com o candomblé, cada pessoa pertence a um determinado orixá. Uma vez escolhido como filho o Orixá torna-se por toda a vida senhor de sua cabeça e mente, herdando suas características físicas e de personalidade. É justamente essa a linha condutora da encenação “Fé. E os Orixás se fizeram presente.”: Os orixás “disputam” a cabeça de um homem e nesse ínterim se estabelece um elo entre a essência dessas divindades e o homem que busca uma explicação para o chamado da fé. Seja renegando essa fé ou se embebedando dela.

A encenação se baseia na incessante procura pela fé, passando pelas dúvidas, encontros, desencontros e transtornos que um homem (que vive entre o transe e a lucidez) passa para alcançar as suas verdades numa renegação pelas forças sagradas que se impõem a ele como complemento da sua existência e não apenas como uma ideia de salvação.

A construção espiritual, seus símbolos e significados são abordados numa linguagem/ estética contemporânea, em cenas que dão saltos atemporais sem ordem cronológica desenvolvendo fragmentos cuja unidade vem sendo buscada/ alcançada ao longo da encenação.

O elenco é compostos pelos atores Aline Barbosa, Gabriel Rejã, Jacy Brito, Leo Zuanes, Liane Pellegrine, Marcello Teixeira, Natália Góis e Thainara Meireles.

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Ficha Técnica:

Concepção, Dramaturgia, Direção: Fábio S. Tavares

Acessórios Cenicos/ Figurinos: Cia de Teatro Terra Brasilis

Concepção de Luz e Iluminação: Alan Luiz e Fábio S. Tavares

Realização/ Produção: Centro Cultural Ensaio

Serviço:

Evento: Espetáculo . E os Orixás Se Fizeram Presente.

Quando: Sábados, 05 a 26 de Março às 19:30h

Quanto: R$ 20,00 (inteira)/ R$ 10,00 (meia)

Local: Teatro XVIII/ Sala 14 (Ladeira de São Miguel, 18 - Pelourinho Salvador – BA)

Informações.: 71-3018. 7122/ 3328.3628

Texto: Redação / Foto: Pedro Borges


Mais de 70 Entidades grupos e representações do Movimento Negro Brasileiro lançaram uma nota em que se colocam contra qualquer retrocesso conservador no país, mas ao mesmo tempo criticam o governo Dilma e cobram mudanças: "O governo federal, alvo das incursões destes setores mais conservadores, ao invés de enfrentá-los, continua sucumbindo e impondo uma agenda muito similar ao de seus algozes(...) é preciso uma mudança de rumo desse governo. A população negra não pode pagar pela crise econômica e política do país."

A nota, que é fruto de um esforço político de busca de convergência entre diferentes campos político-ideológicos do movimento negro, afirma também que sua prioridade é "o enfrentamento à política genocida, contra a redução dos direitos trabalhistas, contra a reforma da previdência, contra os cortes em programas sociais como saúde e educação".

IMG_1200 Marcha do dia 20 de novembro de 2015 reuniu milhares de pessoas nas ruas de São Paulo

Confira o documento na íntegra:

Negras e negros contra o retrocesso

Brasil, 10 de março de 2016

Neste mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher e inspiradas nas histórias de centenas de mulheres negras na luta contra a Escravidão, na preservação das nossas religiões de matrizes africanas, na manutenção de nossa cultura e entre tantos elementos a mais, as Entidades Sociais que conformam o Movimento Negro Brasileiro, reunidas sob a égide da Convergência, vêm a público manifestar sua posição consensual contra a tentativa de golpe articulada pelos setores conservadores com apoio da mídia e por meio de ações de parte do Judiciário.

Dessa forma, apresentamos os seguintes apontamentos:

1 – Os setores que protagonizam esta tentativa golpista historicamente defendem propostas contra as bandeiras de luta do movimento negro e popular: Defendem a redução da maioridade penal; são contra as cotas e as ações afirmativas; atuam para retirar as perspectivas racial e de gênero dos planos de educação entre outros;

2 – Pressionam pela imposição de uma agenda neoliberal; pela entrega do pré-sal e do patrimônio nacional às empresas estrangeiras e o pleno atendimento das demandas do grande capital financeiro;

3 – Estes setores defendem o recrudescimento das políticas repressivas, da violência policial e do genocídio da população negra;

4- Combatem as reivindicações das mulheres negras, a descriminalização do aborto, pregam o esvaziamento das poucas políticas públicas direcionadas às mulheres, notadamente as mulheres negras, tais como as trabalhadoras domésticas;

5 – Reconhecemos que os significativos avanços promovidos contra a miséria extrema, a fome, a inclusão de milhares de jovens negros e negras nas universidades além da implantação de políticas de promoção e igualdade racial, são, entre outros fatores, elementos que levam as elites brasileiras se unirem e atacarem o atual governo.

6 – O governo federal, alvo das incursões destes setores mais conservadores, ao invés de enfrentá-los, continua sucumbindo e impondo uma agenda muito similar ao de seus algozes, sobretudo nos aspectos econômicos e em iniciativas tal qual a lei antiterrorismo. Somos contra o Impeachment da atual presidenta e não toleraremos qualquer tentativa de golpe à nossa frágil e insuficiente democracia. Mas é preciso uma mudança de rumo desse governo. A população negra não pode pagar pela crise econômica e política do país. O Movimento Negro brasileiro afirma uma agenda de enfrentamento à política genocida, contra a redução dos direitos trabalhistas, contra a reforma da previdência, contra os cortes em programas sociais como saúde e educação.

Nós que atuamos na luta contra o racismo e as desigualdades étnico-raciais, temos a convicção que qualquer ruptura com o frágil e ainda pouco eficaz processo democrático atingirá de forma mais grave o conjunto da população negra.

Somos a favor da investigação de todos os casos de corrupção, mas não ao uso oportunista disso para impor uma agenda antipopular que penalize ainda mais nosso povo negro.

Trazemos em nossa ancestralidade toda uma história de luta e resistência que estamos dispostos a honrar neste momento tão importante na história deste Brasil que é nosso e construímos com cada gota do nosso suor.

A solução para a crise está na adesão às propostas históricas dos movimentos populares e do movimento negro.

Em frente e pela esquerda. Retrocesso nunca mais!

Assinam:

ABPN – Associação Brasileira de Pesquisadores Negros

APNs – Agentes Pastorais Negros
CEN – Coletivo de Entidades Negras

Círculo Palmarino
CONAJIRA – Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial
CONAQ – Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas
CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras
ENEGRECER – Coletivo Nacional de Juventude Negra
FNMN – Fórum Nacional de Mulheres Negras
FONAJUNE – Fórum Nacional de Juventude Negra
Instituto Luiz Gama
MNU – Movimento Negro Unificado
Quilombação
Rede Afro LGBT
RAN – Rede Amazônia Negra
UNEAFRO BRASIL
UNEGRO – União de Negros pela Igualdade

Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras – AMNB
Associação Franciscana de Defesa de Direitos e Formação Popular
Associação Nacional de empresários e Empreendedores Afrobrasileiros – ANCEABRA
Associação Religiosa de Tradição Afro-Cubana Ifanilorun
Bloco Afro Quilombo de Sergipe
Blog Negro Belchior
Bocada Forte Hip Hop
Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – CEDENPA
Centro de Estudos, Pesquisa e Extensão em Educação, Gênero, Raça e Etnia – CEPEGRE/UEMS
Centro de Estudos e Referência da Cultura Afrobrasileira do Acre – CERNEGRO
Centro Nacional de Africanidades e Resistência – CENARAB
Coletivo Afrontar de Uberaba/MG
Coletivo CIATA do LPEQI
Coletivo Mocambo Cultural
Conselho de Entidades Negras do Interios do Estado do Rio de Janeiro – CENIERJ
Conselho Municipal de Igualdade Racial de Osasco
Conselho Municipal de política Étnico Racial de Curitiba
Consorcio Nacional dos Núcleos de Estudos Afrobrasileiros – CONNEABS
Dandaras no Cerrado
Federação Juvenil Comunista de la Argentina
Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doenças Falciforme – FENAFAL
Federação das Religiões de Matriz Africana do Acre – FEREMAAC
Forum Sergipano dos Povos de Matriz Africanas
Fórum de Educação e Diversidade Etnorracial do Rio Grande do Sul
Fórum Estadual Setorial de Culturas Afro-brasileiras/ PA
Grupo de Estudos e Pesquisas em Relações Étnico-raciais, Educação e Formação de Professores. FE/UF – GREED
Grupo de Música Percussiva Gantó
Grupo de Pesquisas Religiosidades e Festas
Grupo Tortura Nunca Mais do Estado de São Paulo – GTNM/SP
Instituto de Capoeira Cordão de Ouro – Mato Grosso do Sul
Instituto Ganga Zumba
Associação Franciscana DDHFP
Instituto Mocambo do Pará
Instituto da Mulher Negra de Mato Grosso – IMUNE
Instituto Nangetu de Tradição Afro-Religiosa e Desenvolvimento Social/ PA
Instituto de Resistência Cultural Afro-brasileira – Moviasés Guarulhos
Núcleo da Comunidade Negra de Osasco – NUCONO
NEAB/Unifesp
Núcleo Estadual da Marcha das Mulheres Negras do Espírito Santo
Núcleo Estadual de Mulheres Negras do Espírito Santo
Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal do Espírito Santo – NEAB/UFES
Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal de Juiz de Fora – NEAB-UFJF
Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade do Estado de Santa Catarina – NEAB/UDESC
Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) – Campus Sertão
Núcleo Negro Unifesp Guarulhos
Opaas – Observatório das Políticas de Ações Afirmativas do Sudeste
Pastoral Afro Achiropita
Portal Alma Preta
REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana
Secretaria de Combate ao Racismo da Federação Interestadual dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – FITMETAL
Secretaria Nacional de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
Casa de Tradição e Cultura Afro-Brasileira de Minas Gerais – Ilê AxéOgunfunmilayo
Sociedade Comunitária “Fala Negão \ Fala Mulher” da Zona Leste de São Paulo
Instituto Das Pretas do Espírito Santo
QUILOMBHOJE Literatura

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

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