Texto: Frente de Mídias Negras / Fotos: Frente de Mídias Negras

Ativista participou de conversa com a juventude negra em São Paulo, depois de conhecer bairro periférico

Em passagem pelo Brasil, a ativista dos direitos humanos e filha do líder negro norte americano Malcolm X, Malaak Shabazz, convidou a população negra a promover ações mais contundentes. Na entrevista que concedeu à imprensa negra após encontro com jovens na cidade de São Paulo, na tarde desta quinta-feira (19), a ativista diz ter se surpreendido pelo fato de as pessoas estarem tão tranqüilas diante da violência racista existente no Brasil.

“[minha mãe] criou seis filhas ao mesmo tempo em que se dedicava à construção de uma sociedade livre do racismo”.


Pelo menos 400 pessoas se aglomeraram no auditório da Galeria Olido, no centro de São Paulo, para ouvir Malaak e, também, dar notícias sobre as condições de vida da população negra. O público era maior, mas muitos ficaram de fora por ordem dos bombeiros. Entre os diversos temas abordados, a ativista norte-americana falou sobre feminismo negro, desigualdade de gênero, representatividade negra na política, governo Obama e também suas impressões sobre o racismo no Brasil e o genocídio afeta sobretudo moradores da periferia.

Na partilha de experiências, Malaak fez análise da conjuntura política e abordou temas que estão presentes tanto na sociedade norte-americana quanto na brasileira, como a repressão policial e a necessidade de articulação entre os movimentos negros.

A ativista compartilhou momentos importantes da biografia de seu pai, mas fez questão de enfatizar o papel da mãe na luta antirracista. A também ativista Dra. Betty Shabbaz, “criou seis filhas ao mesmo tempo em que se dedicava à construção de uma sociedade livre do racismo”. Atuou, sobretudo, na criação de condições para que os jovens negros pudessem ter acesso à educação de forma subsidiada.

Horas antes da palestra, promovida pela Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial (SMPIR), Malaak conheceu o bairro de Cidade Tiradentes, na zona leste paulistana e pode conversar com moradores. Ao final a ativista demonstrou disposição em colaborar com a proposta de construção de um seminário internacional sobre o genocídio da população negra.
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Texto: Pedro Borges / Foto: Vinicius Martins e Fernando Martins

Conselho Municipal da Comunidade Negra de Bauru homenageou outras 19 pessoas e entidades que lutam pelo fim do preconceito

Em cerimônia realizada no Teatro Municipal no dia 17 de novembro, o Conselho Municipal da Comunidade Negra de Bauru, CMCNB, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Cultura, fez a entrega do Prêmio Luiza Mahin a 20 pessoas e organizações que combatem o racismo na cidade.

Entre os vencedores da edição de 2015, está o Alma Preta, portal de mídia negra criado por estudantes da UNESP. Greice Luiz, integrante do CMCNB e também homenageada pelo Luiza Mahin, exalta o site por criar um espaço destinado à discussão sobre identidade, política e enfrentamento ao racismo. “O Alma Preta cria oportunidades para as pessoas refletirem sobre identidade, politica e igualdade. O debate é um espaço muito rico e dá a oportunidade das pessoas expressarem o que a sociedade não quer ouvir”.

Vinicius Martins, editor do Alma Preta, descreve como uma “honra receber um prêmio como esse, principalmente, pelo legado e pela história de luta da Luiza Mahin”. Para ele, é fundamental a existência de um portal de mídia para a democratização da mídia e para o combate ao racismo. “Vejo o Alma Preta como importante pois vivemos em um contexto de concentração de mídia latente, nas mãos de grandes empresários, seja em Bauru ou no resto do Brasil. As pautas e demandas da população afrobrasileira são historicamente ignoradas nesses meios, fato que só contribui para o reforço do racismo no país”.

O último Censo do IBGE em 2010 aponta que a população brasileira é composta por 52,7% de afrodescendentes. Na mídia, por outro lado, pretos e pardos representam apenas 22% dos cargos profissionais, de acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas, FENAJ.

O Prêmio Luiza Mahin existe desde 2005 e foi criado para homenagear pessoas e grupos que contribuem para a afirmação de direitos e combatam todas formas de preconceito na cidade. Os 20 indicados são escolhidos durante as reuniões do CMCNB e aprovados pelos próprios conselheiros.

Na cidade, há também o Prêmio “Zumbi dos Palmares”, instituído desde 25 de novembro de 2003 pela Câmara Municipal de Bauru. As indicações são feitas pelo Conselho Municipal da Comunidade Negra e necessitam da aprovação dos vereadores.

A atividade de entrega do Luiza Mahin faz parte da programação especial da cidade para o mês de novembro, quando se comemora no Brasil a consciência negra e a data da morte de Zumbi dos Palmares. Para Roque Ferreira, vereador de Bauru e primeiro presidente do CMCNB, a importância do prêmio está “no reconhecimento do trabalho de pessoas e entidades que não são as ditas "personalidades", mas sim pessoas comuns que estão no convívio diário e permanente com a população”.

Tatiana Calmon, outra homenageada da noite, destaca o fato do prêmio exaltar a figura de Luiza Mahin. “A importância está na própria história do nome do troféu. Luiza Mahin teve toda sua vida marcada pela luta contra a escravidão e a opressão”.

Luiza Mahin

Luiza Mahin nasceu em Costa Mina, África, no início do Século XIX e foi trazida para a Bahia como escrava. Ela pertencia à nação Nagô e à tribo Mahi, grupo praticante da religião islâmica e conhecido no Brasil como os malês.

Quituteira de profissão, Luiza difundia suas mensagens revolucionárias em árabe. Ela escrevia bilhetes e os entregava com a ajuda de meninos e meninas que vendiam seus quitutes. Deste modo, Mahin foi uma das principais articuladoras da Revolta dos Males (1835) e da Sabinada (1837-1838). A sua importância era tamanha que, caso a Revolta dos Males tivesse sucesso, Luiza seria reconhecida como a Rainha da Bahia.

Quando foi descoberta, Luiza fugiu para o Rio de Janeiro, onde foi detida. Depois disso, a história oficial não confirma se Luiza foi deportada para Angola, ou enviada para o Maranhão.

O que se sabe é que Luiza, ao partir para o Rio de Janeiro, deixou seu pequeno filho de 5 anos aos cuidados do pai. Aos 10 anos de idade, o menino foi vendido pelo pai para quitar uma dívida de jogo. O jovem cresceu, tornou-se poeta e um dos maiores abolicionistas do Brasil. Seu nome era Luiza Gama.

Lista dos Homenageados

Bruno Eloy Abate de Oliveira, Gilberto Truíjo, Aleksander Rodrigues de Oliveira Soares (Palhaço Faísca), Leonardo de Souza Moreira, Greice dos Santos Luiz, Fabrício Carlos Genaro, Tatiana Virgínia Calmon Borges, Luiza Ribeiro Mattar – professora Luiza Rima, Paulo César Rodrigues de Moraes, Maria Inês Faneco, Silvia Regina Gonçalves, Dulcinéia Cosmo Leizico, Wellington Jorge Brasa de Oliveira, Ozias Japhette La Blessed, Ana Carolina dos Santos Ferreira, Rubens Cesar Colacino, Aline de Jesus Maffi, Portal de Jornalismo Alma Preta, Biblioteca Móvel Quinto Elemento e Maracatu Abayomi.

Texto: Jéssica Moreira, do Nós, Mulheres da Periferia / Imagem: Divulgação

O principal objetivo é discutir e contestar estereótipos construídos pela mídia; o lançamento acontece dia 21 de novembro no Centro Cultural da Juventude (CCJ)

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O Coletivo Nós, mulheres da periferia, grupo de comunicadoras que propõe promover a representatividade e o protagonismo feminino, com um recorte de classe e raça, abre no dia 21 de novembro a exposição multimídia QUEM SOMOS [POR NÓS], no Centro Cultural da Juventude (CCJ), Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo. A proposta é inédita e usa a fala das mulheres como elemento artístico, além de ter sido criada de forma coletiva durante oficinas realizadas em diferentes bairros das periferias de São Paulo.



renata2 Renata Ribeiro, 17 anos, moradora do bairro de Perus (região noroeste de São Paulo), uma das entrevistadas e produtoras da Exposição “quem somos [por nós]”.

No mesmo dia, haverá um debate com as idealizadoras e produtoras. A instalação permanece em cartaz até o dia 17 de dezembro. A exposição será um convite para adentrar ao mundo das mulheres da periferia a partir de suas próprias perspectivas. Com fotografias, autorretratos e registro audiovisual, a mostra é resultado de quatro meses de encontros do projeto Desconstruindo Estereótipos, que percorreu seis bairros da capital paulista. A iniciativa é financiada pelo Programa de Valorização das Iniciativas Culturais (VAI), da Prefeitura de São Paulo.


Neste período, mais de 100 mulheres foram envolvidas, entre 17 e 92 anos, com predominância de negras, contemplando a intersecção entre classe, raça e gênero. A dinâmica envolveu debates, exercícios e ensaios com máquinas fotográficas e telas de pintura. O intuito foi abrir um espaço de troca de percepções, em parceria com associações e escolas públicas, sobre as abordagens jornalísticas, publicitárias e de programa de entretenimento sobre o ser mulher na periferia,  com foco na construção de um novo lugar de fala.

Manoela Gonçalves, idealizadora da Casa das Crioulas (Perus), uma das entrevistadas e produtoras da Exposição “quem somos [por nós]” Manoela Gonçalves, idealizadora da Casa das Crioulas (Perus), uma das entrevistadas e produtoras da Exposição “quem somos [por nós]”

Em um segundo ciclo do processo, nove destas mulheres foram entrevistadas individualmente, em vídeo, e de forma mais aprofundada. Os discursos, majoritariamente, refletem o desafio de enfrentar uma sociedade racista, machista e socialmente desigual, mas também a irreverência, força e os embates necessários para sobreviver neste ambiente.

A instalação promove um diálogo entre narrativas femininas dos bairros Campo Limpo (ZS), Capão Redondo (ZS), Jardim Romano (ZL), Jova Rural (ZN), Guaianazes (ZL) e Perus (Noroeste), todos na capital de São Paulo. A proposta é extrapolar as paredes da casa, lugar historicamente destinado à mulher, mas que também representa limitação, e inspira novos canais para a repercussão da luta e sobrevivência de mulheres como Rosana Alves de Castro, uma das entrevistadas e produtoras da exposição, que ainda “só vê mulher da periferia na página policial”.

Com a exposição QUEM SOMOS [POR NÓS], o coletivo Nós, mulheres da periferia busca ultrapassar sua atuação no campo virtual e encontrar formas de atingir um público maior, ocupando espaços públicos e de convivência, tornando o acesso a esses discursos ainda mais próximos do dia a dia.

Serviço
Exposição QUEM SOMOS [POR NÓS]
Abertura: 21/11, sábado, 15h.
Visitação: de 21/11 a 17/12, de terça a sábado, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h.
Local: CCJ – Centro Cultural da Juventude
Endereço: Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641 – Vila Nova Cachoeirinha, São Paulo – SP, 02720-20
Informações: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Sobre o coletivo
O coletivo Nós, mulheres da periferia é formado por oito jornalistas e uma designer, todas moradoras de bairros da periferia do município de São Paulo e por meio de um site e redes sociais produz e divulga conteúdo sobre e para as mulheres da periferia de São Paulo. O coletivo propõe reduzir o espaço vazio existente na imprensa e a falta de representatividade, buscando mais protagonismo e visibilidade. A proposta do coletivo é construir um espaço com informações que extrapolem a questão de gênero a atinja o campo social e étnico. Saiba mais em http://nosmulheresdaperiferia.com.br
Facebook: https://www.facebook.com/nosmulheresdaperiferia

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

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