Texto: Divulgação / Edição de Imagem: Pedro Borges

Evento terá apresentação de trabalho do Alma Preta

A exposição “Capilaridades” propõe um processo investigativo e reflexivo a partir de um elemento estético, o cabelo, dimensionado a partir da premissa de que a cultura, assim como as relações e construções étnico-raciais, é um meio dotado de linguagem visual e corporeidade.

A exposição é proposta com base em três eixos centrais: corpo individual, corpo social e corpo político.

Além da aparente objetividade quanto ao fenótipo, os cabelos crespos representam distintos segmentos de discussões históricas do negro. Há o debate acerca de suas identidades e tradições, sua representatividade, a busca por legitimação na construção e manutenção da autoestima e do protagonismo destes em suas diferentes lutas e conquistas.

Dessa forma, “Capilaridades” lhes faz um convite à reflexão acerca dos processos de construção e luta do negro. Tanto por protagonismo e legitimação social e política, quanto por seu caráter identitário/estético. É preciso questionar a ordem vigente e hegemônica dos cabelos lisos, revendo as trajetórias e espaços de socialização deste universo e explorando a dimensão visual e estética do fenótipo capilar dentro de sua inerente diversidade.

Abertura:

Dia 07 de junho de 2016

Shows musicais e Coquetel (18h às 19h) ;

Apresentações musicais de Wilson Bebel, Marcelo Café e Rosa Luz.

Descerramento da faixa inaugural e Visita guiada com presença dos artistas convidados (19h às 20h).

Local: Enfrente a Biblioteca Central da Universidade de Brasília (BCE/UNB).

Viitação: 08/06/2016 à 15/06/16 (diariamente das 10h às 19h).

Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Pedro Borges

Dez projetos receberão R$ 20 mil

O Prêmio Almerinda Farias Gama está com inscrições abertas até o dia 30 de junho. Com o objetivo de fomentar as mídias negras, a Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial (SMPIR) construiu o projeto para fortalecer as vozes já existentes de negras e negros na cidade de São Paulo.

O concurso visa reconhecer comunicadores negros atuantes nas mais diversas plataformas, como programas de rádio, sites, portais de notícia, colunas, entre outras. O intuito central é incentivar a democratização da mídia no país a partir da ótica e da participação do povo preto.

Diferente de muitos veículos tradicionais, a mídia negra, apesar de ser a primeira comunicação alternativa no Brasil, nunca teve vida longa. Muitas são as iniciativas que nascem e poucos meses ou anos depois se veem obrigadas a fechar as portas. A razão, muitas vezes, é a ausência de recursos financeiros.

A Voz da Raça foi um dos principais jornais de mídia negra da história brasileira

Nathália Rocha, editora-chefe do portal Frida Diria, pensa que a falta de estabilidade financeira das mídias negras é mais um reflexo do racismo estrutural. “O racismo é um sistema de opressão estrutural que atinge e se faz presente em todas as esferas sociais pelas quais a gente transita. A mídia não está longe disso e a mídia faz parte desse sistema, em especial a mídia hegemônica”.

Para ela, o prêmio é uma possibilidade de recurso e reconhecimento que as mídias negras não tiveram ao longo da história. “O prêmio seria uma forma de reconhecer e dar suporte a isso, também considerando que muitas vezes a gente não tenha esse tipo de auxílio vindo das fontes tradicionais”.

Os projetos serão avaliados por uma comissão julgadora formada por representantes da Prefeitura de São Paulo, membros da sociedade civil com envolvimento de destaque na luta antirracista e profissionais da área de comunicação. A análise será realizada de acordo com quatro critérios: impacto da iniciativa para a promoção da igualdade racial; adequação ao conceito de controle social da mídia; promoção da cidadania; e apresentação do conteúdo. As dez propostas vencedoras, além da quantia de R$ 20 mil, receberão também o “Troféu Almerinda Farias Gama”.

Almerinda Farias Gama e a equidade de gênero

Entre as iniciativas a serem homenageadas pela SMPIR, 50% delas devem ser protagonizadas por mulheres negras, ou ter pelo menos mais da metade das funções de gestão e produção encabeçadas por elas.

Valéria Leão, chefe de gabinete da SMPIR, pensa que a decisão é fundamental, na medida em que o Brasil, além de racista, é também machista. “Ela foi uma das primeiras mulheres negras a participar da vida política nacional e, apesar de nunca ter sido eleita a um cargo oficial, sua militância com certeza abriu o caminho para outras brasileiras que vieram depois dela. Em um momento como este que vivemos no país, a SMPIR considera fundamental valorizar o importante papel das mulheres negras, por isso a escolha de homenagear a Almerinda, assim como o critério de ter pelo menos 50% de mulheres entre os premiados”.

Almerinda Farias Gamas foi uma advogada, feminista e líder sindical nascida em Maceió (AL). Atuou como datilógrafa e publicou crônicas no jornal “A Província”, de Belém. Almerinda foi uma das primeiras mulheres negras na política brasileira e única mulher a votar como delegada na eleição para Assembleia Nacional Constituinte de 1933.

Almerinda, ao se candidatar para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, em 1934, tinha escrito em seu panfleto “advogada consciente dos direitos das classes trabalhadoras, jornalista combativa e feminista de ação. Lutando pela independência econômica da mulher, pela garantia legal do trabalhador e pelo ensino obrigatório e gratuito de todos os brasileiros em todos os graus”.

SMPIR e as mídias negras

A secretária tem a finalidade de formular, coordenar e articular políticas e diretrizes para a promoção da igualdade racial e avaliação das políticas públicas de ação afirmativa com ênfase na população negra. O desejo com o projeto é fortalecer as mídias negras e assim consolidar a luta por direitos de afrodescendentes na cidade de São Paulo.

Antônio Carlos Filho, integrante do portal Geledés, destaca a importância de fortalecer as mídias negras e as colocar em contato. “Nós temos vários tipos de blogs e sites que têm todos os tipos de informações sobre o negro e eu acho que a organização entre as mídias pode ser um caminho para unificar e mostrar essa potência”.

Texto: Afreaka / Imagem: Amanda Oliveira / Edição de Imagem: Pedro Borges

O ‘Festival Afreaka: encontros de Brasil e África Contemporânea’ ganhou novas dimensões, e agora, em sua segunda edição, desembarca em São Paulo com programação em centros culturais dos quatro cantos da cidade. Realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, o evento que ocorre entre os dias 1º e 25 de junho, conta com representantes de países como Quênia, Nigéria, Uganda, Zimbábue, Egito, África do Sul, Gana, Moçambique e Angola que veem para trocar experiências, sonhos e reflexões com pensadores e artistas afro-brasileiros, consolidando-se como o maior festival de cultura africana contemporânea do país.

A programação, que nasce para questionar um fluxo de informações estereotipadas das Áfricas e das culturas afro-brasileiras, busca por uma narrativa que enxergue a presença africana como parte fundamental na formação do Brasil, ressaltando a importância de estabelecer uma relação mais próxima com um dos principais centros de origem da nossa gente. Além de palestras e debates inéditos, uma mostra de cinema contemporâneo, seis exposições de arte, uma feira de empreendedorismo negro, apresentações de dança, música, grafite e performances marcam as atrações do Festival Afreaka.

Djamila Ribeiro é presença confirmada no II Festival Afreaka. Foto: Alile Dara

O evento ocorre na Galeria Olido, Centro Cultural de Formação Cidade Tiradentes, Centro Cultural da Penha, Centro Cultural da Juventude e Centro de Pesquisa e Formação do SESC-SP. Assim, os pontos de encontros desse intercâmbio democrático, que descentraliza o acesso à informação, trazem à tona temas relevantes sobre a importância da multiplicidade de versões para a construção identitária, revelando Áfricas ativas e donas de suas próprias histórias.

Mirando a multiplicidade de vozes, o II Festival Afreaka traz para a abertura, que acontece na Galeria Olido no dia 1º, Pathisa Nyathi, o reconhecido escritor e historiador do Zimbábue e consultor da Unesco para a Comissão Nacional de Patrimônios Culturais Intangíveis. Marcará também presença na programação Wole Soyinka, considerado um dos maiores intelectuais do século XX e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1986. Os aspectos entre o feminismo negro no Brasil e em Uganda são analisados pela Mestra em Filosofia e Política e doutorando Djamila Ribeiro, defensora da interseccionalidade no movimento brasileiro, e Edna Namara, escritora ugandense que usa a literatura para inspirar e empoderar mulheres.

As conversas promovidas pelo festival também abordarão a produção tecnológica em África e Brasil com a soteropolitana Monique Evelle, criadora do Ubuntu, primeira rede social com material sobre a história da cultura afro-brasileira e o nigeriano Adebayo Adegbembo, responsável pela concepção do aplicativo Asa, voltado para a preservação da cultura e língua Iorubá. Ainda, a cantora soteropolitana Nara Couto leva até a zona leste de SP o show Outras Áfricas, resultado da fusão do jazz com elementos da música baiana e africana contemporânea. O encontro entre as grafiteiras Criola e Aya Tarek resulta em intercâmbio artístico e feminista entre Brasil e Egito. Teatro, dança, performance, oficinas práticas e uma mostra de cinema arrebatam por fim a programação inédita, que será inteiramente gratuita no centros culturais e a preço popular no SESC-CPF.

Wole Soyinka, considerado um dos maiores intelectuais do século XX e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1986

Interatividade, artes visuais e tecnologia: seis exposições espalham a África de leste a oeste

O Festival conta também com seis exposições fixas que vestirão de África os centros anfitriões do evento. A Galeria Olido recebe a mostra ‘África é Você’, que com instalações únicas, jogos de espelhos, frases e registros gastronômicos, aposta na interatividade para que o público conheça e se identifique com sua própria África. No mesmo prédio, o destaque é também da mostra ‘AfriKbytes: Arte Digital Africana’, que de forma inédita no país, recorre aos GIFs, videoarte e desenhos digitais para uma curadoria atualizada dos olhares artísticos da web africana. No Centro Cultural da Penha, o encontro entre os artistas Moisés Patrício e Bianca Leite resulta na exposição Entre o que Nos Forma e Nos Formata, que, partindo da visão transgressora da ativista e feminista negra Bell Hooks e do educador Paulo Freire, trava uma discussão sobre origem, posse, educação, racismo e feminismo na formação do brasileiro. O centro recebe também a mostra de fotografia Olhares Afro-Contemporâneos, em um encontro explosivo de cores e contrastes das lentes africanas e afro-brasileiras. Por fim, no Centro de Formação Cidade Tiradentes, a Exposição Protagonistas Africanos convida o público para um mergulho nas expressões contemporâneas que abordam sustentabilidade, artes e sabedorias complexas do continente negro. Ali, ainda, a mostra Mulheres Africanas, da artista plástica Surama Caggiano, traz composições em mosaico de inspiradoras mulheres negras, que estimulam o povo brasileiro a ir ao encontro de sua origem em África.

Saiba mais:
O Festival Afreaka é inspirado na proposta do Coletivo Afreaka (www.afreaka.com.br), que se apresenta como uma plataforma de mídia, educação e produção cultural, que comunica para desenvolver e quebrar velhos pensamentos estereotipados acerca de África e tudo que envolve suas histórias e culturas. Pensando de maneira horizontal, o projeto se estabelece como alternativa sólida para os que desejam ir de encontro com suas origens.

Serviço:

Onde:

Galeria Olido: Avenida São João, 473 – República, São Paulo.

Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes: Rua Inácio Monteiro, 6900 – Cidade Tiradentes, São Paulo

Centro Cultural da Penha: Largo do Rosário, 20 – Penha, São Paulo

Centro Cultural da Juventude: Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641 – Vila Nova Cachoeirinha, São Paulo

Centro de Pesquisa e Formação do SESC: Rua Doutor Plínio Barreto: 285 – Bela Vista, São Paulo

Quando: Do dia 1 a 25 de Junho

Quanto: gratuito no Centros Culturais e a preço popular no SESC

Evento no Facebook

Confira a programação completa em  www.festivaafreaka.com

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

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