Flores de Baobá é o mais novo projeto da cineasta Gabriela Watson 

Texto e Edição de Imagens: Solon Neto 

Filmado simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos, Flores de Baobá é um documentário que aborda racismo e acesso à educação como um problema internacional.

Através das histórias das professoras de ensino médio, Storm Foreman (Nyanza Bandele), da Filadélfia, Estados Unidos, e Priscila Dias, da cidade de São Paulo a diretora Gabriela Watson Aurazo retrata a luta das comunidades negras dos dois países na tentativa de garantir o direito à educação, e é resultado de dois anos de pesquisa.

School 2 Nyanza dando aula

Flores de Baobá usa poesia ao lado da observação para abordar as proximidades entre mulheres negras e as lutas locais relacionadas à educação e igualdade. O documentário questiona a desigualdade no acesso à educação de qualidade pela população negra, aponta necessidades curriculares como uma abordagem positiva da ancestralidade africana, e evidencia o papel das mulheres negras nesse processo. Nyanza e Priscila são postas lado a lado para mostrar essas semelhanças que a população negra tem em suas demandas em diversos países, e se mostram modelos inspiracionais no ativismo anti-racista.

Financiamento Coletivo

Com o objetivo de lançar o trabalho ainda em 2017, Gabriela divulgou no final do ano passada um projeto de financiamento coletivo para o filme. Com meta de R$ 35.000,00, o projeto já alcançou 3% do montante com 17 apoiadores.

Para contribuir basta acessar o projeto aqui, cadastrar-se e realizar a doação. De acordo com a contribuição escolhida, o projeto permite algumas regalias que vão desde sessões exclusivas com prévias do filme e acesso à trilha sonora, a ingressos para a estreia e eventos com a diretora do filme. As contribuições serão arrecadadas até o dia 22 de Março.

 

Formada em Comunicação pela Cásper Líbero e mestranda pela Master Fine Arts da Universidade de Temple, nos Estados Unidos, a diretora Gabriela Watson tem entre seus trabalhos os documentários "Nosotros, afroperuanos" e "Zeca", além dos filmes "O Poeta da Casa Verde" e "CinEdu – Cinema, Educacao e a Formação do olhar". Destaque,"Nosotros, afroperuanos chegou a ser exibido em mais de 10 países. Além de Gabriela, o filme conta ainda com uma equipe de produras executivas. São elas: Dra. Doris Derby, ex-ativista do Movimento dos Direitos Civis no Mississipi, fotógrafa documental; Joyce Prado, fundadora da "Oxalá Produções" e diretora de obras como a websérie "Empoderadas"; Melissa Beatriz Skolnick, documentarista e multimedia storyteller, ativista em ONGs da Filadélfia.

Links:

Página no Facebook: https://www.facebook.com/floresdebaoba/?ref=page_internal

Projeto no Catarse: https://www.catarse.me/floresdebaobafilme

Website: http://www.baobabflowersfilm.com/

FICHA TÉCNICA

Ano de Lançamento: 2017
Direção e Argumento: Gabriela Watson Aurazo

Produção Executiva: Doris Derby Joyce Prado, Melissa Skolnick

Direção de Fotografia: Hannah Angle, Tomires Ribeiro e Renato Cândido

Trilha Sonora: Lucas Cirillo e Giovani Di Ganzá

Assistentes de câmera: Quynh Le, Kayla Watkins

Assistência de Direção: Renata Martins

Assistência de Produção: Aiko Brown, Mark Kaercher, Pamella Aleixo, Talícia Vênancio, Jessica Cruz

Som Direto: Renata Martins, Ana Julia Travia, Lucas Wozniak, Felipe Faria de Miranda

Montadora: Jéssica Queiroz

Assistente de edição: Bianca Santos

Consultoria: Liliane Braga, Maria Giraldo, Dançarina: Cleonice Fonseca 

Texto: Pedro Borges / Foto: Hugo Lima

 Estudante quer criar uma linha de produtos voltada para cineastas negros

“Sempre que encontro alguma dificuldade durante as filmagens e não tenho recurso para executar, nasce o projeto de um novo equipamento”. Esse é Hugo Lima, estudante de Engenharia da Computação na Universidade Veiga de Almeida (UVA-RJ), cineasta, militante do movimento negro e produtor dos próprios equipamentos.

Nascido e criado na cidade do Rio de Janeiro, o jovem, que estudou em escolas pública e particular durante o ensino fundamental, logo na adolescência passou a frequentar o centro técnico estadual Visconde de Mauá. “Como sempre fui apaixonado por tecnologia, quis estudar eletrônica”.

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A paixão, que seguiu pela vida adulta, o acompanha mesmo durante os momentos de folga. “No meu tempo livre eu gosto de criar, literalmente. Estou sempre programando algum micro-controlador ou algum aplicativo. Senão, estou filmando, editando fotos ou escrevendo alguma coisa”.

Hugo foi inclusive notícia do Blog Olhar Digital, quando pedia financiamento coletivo para construir uma ferramenta capaz de abrir fechaduras elétricas, controlar a temperatura de um ambiente fechado, descobrir se há vazamento de gases, saber em tempo real o gasto de energia, e ainda controlar a intensidade das lâmpadas.

O envolvimento com o audiovisual não demorou a vir. No final de 2015, por intermédio da irmã, Nathali de Deus, conheceu o coletivo negro Azoilda Trindade, do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET-RJ). A vontade de registrar as atividades do grupo o levou a gravar seu primeiro documentário, “Negros Dizeres”. 

A partir de então, as coisas caminharam. A namorada Carol Netto o alertou sobre o Festival 72h e, mesmo sem muitas esperanças de vencer, reuniu os colegas e se inscreveu. O resultado foram dois prêmios, 3° Melhor Curta e Melhor Roteiro. “Ficamos muito felizes e acabamos criando um coletivo com o mesmo nome do filme “Siyanda”, que em Zulu significa “Estamos Crescendo”. Desde então temos produzido juntos”.

Luz, câmera e criação

Foi durante esse processo que surgiu a necessidade de construir seus próprios equipamentos. O desejo de melhorar a qualidade dos vídeos logo esbarrou no valor dos materiais. Foi nesse momento que Hugo colocou em prática sua facilidade e experiência em projetos de automação e eletrônica.

Ele enaltece os pontos positivos de construir seus próprios materiais. “Eu consigo exercer minha criatividade para além do fazer o audiovisual. Consigo um equipamento com qualidade semelhante a um equipamento profissional por até 1/20 do preço de mercado e consigo compartilhar esse conhecimento com minha comunidade”.

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Hugo (agachado e segurando troféu) e toda equipe do curta Siyanda

O alto valor dos equipamentos audiovisuais se transformam em uma barreira para a maior participação de negras e negros no mercado, de acordo com o cineasta. “Eu entendo esses valores extremamente altos dos equipamentos como uma estratégia racista de manter o poder da comunicação onde sempre esteve: longe de nós”. Ele acredita já ter economizado cerca de R$ 5.000 com a produção de seus equipamentos.

Hugo lamenta a falta de negros nesses espaços, muito importantes para a construção do imaginário coletivo. “Eu, como a maioria de nós, aprendi a entender que quem fala com você através de uma tela merece credibilidade só por estar ali. E esse ‘poder’ sempre foi usado contra o povo preto, através da má representação dos pretos e pretas na TV e no cinema, construindo a ideia de um negro/a inferior”.

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Alguns dos produtos criados por Hugo Lima

As produções do coletivo Siyanda seguem. Nathali de Deus dirige o curta “Manga com Leite” e Hugo, o documentário “Quem nos educa”. O planejamento de novas obras é o pontapé inicial para a construção ferramentas inéditas. “Alguns equipamentos estão em processo de aprimoramento de software. Estou desenvolvendo um conjunto de luminárias inteligentes que se auto-regulam durante a filmagem. Pretendo criar uma linha de equipamentos para cinema e audiovisual, de baixo custo e alto desempenho, voltada para cineastas negros”.

Texto e Imagem: Divulgação

Filme integra projeto "Apareceu a Margarida"

"Todo dia, no dia a dia aqui, eu vou no mercado. Um dia falta pão, manteiga, leite: aí eu vou e compro aquelas três coisas. No outro dia tem pão, manteiga, leite, mas não tem sal, açúcar, café... Eu vou assim. E não falta, eu não deixo faltar".

Este é um pedaçinho do cotidiano de "Nena", catadora de material reciclável residente na zona leste da cidade e personagem da vida real do documentário do Coletivo Sankofa, que será exibido no próximo dia 04 de fevereiro, às 14, no CEU Vila Nova Curuçá (Av. Marechal Tito, 3.400).

Nordestina, vive há 13 anos na Zona Leste da cidade de São Paulo. NENA é o retrato de uma entre as milhares de mulheres brasileiras que catam e reciclam materiais pelas ruas de todo o país.

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O filme integra o projeto "Apareceu a Margarida" tem o objetivo de jogar luzes na invisibilidade nua e crua sobre da mulher catadora de materiais recicláveis. O projeto visa também contar as histórias de luta e resistência dessas mulheres dentro de um sistema patriarcal de consumo.

Marcados por estigmas que as associam ao próprio lixo e a tudo que é descartável, as dificuldades dessa atividade tornam-se mais complexas quando essas mulheres se deparam com o machismo na vida pública. Sendo assim, ser mulher no seu fazer profissional, surge como um agravante para a invisibilidade da mulher catadora.

A partir deste projeto, o Coletivo Sankofa quer mostrar esse universo das catadoras utilizando o resultado das oficinas culturais, das rodas de conversa e da própria pesquisa que vem sendo desenvolvida com material bruto para a concepção de uma performance de rua: uma mulher catadora vaga pelas ruas de São Paulo, interagindo com seus objetos do carrinho e com os olhares que a observa durante os caminhos. Escolhe um ponto para a projeção e convida os transeuntes para assistirem.

Coletivo apresenta outra "faceta" no fazer artístico

"Além de ser a primeira produção audiovisual do Coletivo, nosso objeto de pesquisa também é diferente. Em nossa caminhada esta muito presente produções que coloquem as questões da população lgbt em cena e em pauta. Para nós é inovador experimentar um projeto que contemple a produção de um documentário que nos aproxima da realidade de mulheres que reciclam suas histórias de vida por meio do trabalho de reciclar", explica Anderson Maciel, do Coletivo Sankofa. Além disso, Anderson destaca que compartilhar essas histórias é uma oportunidade de visibilizar resistências cotidianas de mulheres que lutam as tentativas de serem apagadas do sistema.

Ficha Técnica

"Nena"

Duração: 13 minutos Roteiro, direção e edição: Carol Pitzer Direção de fotografia: Jeremias Nunes de Jesus Pesquisa: Tata Ribeiro, Edna Rosane, Rodrigo Mar e Anderson Maciel Produção: Coletivo Cultural Sankofa

Serviço

Filme: "Nena"
Quando: dia 04 de fevereiro, às 14h
Local: CEU Curuçá, Av. Marechal Tito, 3400 - Itaim Paulista
Informações: Coletivo Sankofa
(11) 98314-4598 e Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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