Texto: João Victor Belline / Edição de imagem: Vinicius Martins

Conheça Jesse Owens, figura histórica do atletismo mundial, incansável contra a segregação norte-americana
e o nazifascismo  alemão

O Olympiastadion, Estádio Olímpico de Berlim, foi projetado para materializar a imponência alemã e garantir aos Jogos Olímpicos de Verão de 1936 a grandeza que a propaganda nazista queria. Quando entregue, em 1935, aquele cenário fora planejado para consolidar o discurso de superioridade ariana que Adolf Hitler insistia em implementar. Por mais que em 1931, quando Berlim foi escolhida como cidade sede dos Jogos em detrimento de Barcelona, o chanceler ainda não comandasse o país, a possibilidade de usar as Olimpíadas como uma ferramenta propagandista era bem vista aos olhos do Partido Nazi.

Apesar da boa campanha do país sede no quadro de medalhas, o qual a Alemanha terminou liderando, Hitler não contava que toda aquela sua preparação viraria cenário para a exaltação de um atleta negro. O Alma Preta continua a série de artigos sobre grandes nomes do esporte Olímpico dando destaque a um dos mais importantes nomes das edições dos Jogos: Jesse Owens.

Depois de três meninas e seis meninos, o casal Emma Mary Fitzgerald e Henry Cleveland Owens, viu nascer em Oakville, Alabama, no dia 12 de setembro de 1913, o décimo filho, James Cleveland Owens. Descendentes de negros escravizados nas plantações de algodão, a realidade da família sempre foi permeada pela discriminação. Como parte da grande migração ocorrida nos Estados Unidos no século XX, a família se mudou para Cleveland, Ohio, como outros milhões de afro-americanos que deixaram o segregado sul buscando melhores condições de vida.

Na época, James tinha nove anos e ainda não era conhecido como Jesse. E é exatamente nessa transição que a mudança acontece. Em sua nova escola, a Bolton Elementary School, James Cleveland, quando questionado pela nova professora, afirmou que seu nome era “JC”, referindo-se às iniciais. O forte sotaque sulista fez com que ela entendesse “Jesse” e, desde então até o fim de seus dias, ele ficou conhecido como Jesse Owens.

A relação com o atletismo começa no ensino médio. O professor Charles Riley, que se tornaria seu primeiro técnico, percebeu o talento do jovem e o incentivou às práticas esportivas. Em 1932, Jesse disputou as seletivas para as Olimpíadas em Los Angeles em três modalidades, 100 e 200 metros rasos e salto em distância. Não se classificou em nenhuma.

No ano seguinte, Jesse dividia seu tempo entre os estudos, o trabalho em uma sapataria e o atletismo. Quando entrou na Ohio State University, Owens já não era apenas um corredor. Ele tinha resultados notáveis e começou a bater recordes nacionais tanto na corrida como no salto. Em 1935, ele morava com outros estudantes negros, já que fora barrado do dormitório da Universidade. O grupo de jovens também era obrigado a cozinhar sempre, já que nenhum restaurante nas proximidades os atendiam.

Em suas incursões pelo país para competir pela Universidade de Chicago, Jesse deparava-se constantemente com o preconceito. Dependendo do nível de segregação do Estado em que ia competir, ele era obrigado a frequentar restaurantes e hotéis destinados “apenas para negros”. Entretanto, esse ano já anunciava o quanto Jesse Owens poderia ser grande nas Olimpíadas do ano seguinte. Numa competição universitária, a Big Ten Conference, no dia 25 de maio, Owens venceu quatro competições, o salto em distância, as 100 jardas, as 220 jardas e as 220 jardas com barreira, em 75 minutos e todas com recorde mundial.

Em 1936, Jesse Owens vai à Berlim e protagoniza o seu mais conhecido momento. Ele conquista quatro medalhas de outro, nos 100 e 200 metros rasos, no salto em distância e no revezamento de 400 metros. Bate, inclusive, o recorde mundial nos 200 metros e no salto em distância. No Olympiastadion, sob os olhos do então chanceler Adolf Hitler, Owens se destaca na mais valorizada das modalidades Olímpicas, o atletismo.

Muito se discute sob a veracidade desse momento. Há versões que garantem que Hitler se negou a cumprimentar o vencedor e que, até, teria se retirado do estádio. Em outras, o chanceler teria sido orientado a felicitar todos ou nenhum ganhador e, como não poderia acompanhar todas as provas, não faria a nenhum. Ainda assim, afirma-se que esse cumprimento aconteceu sim e que, inclusive, Jesse teria em sua carteira a foto do momento. Fato é que o protagonismo do momento não está na reação de Hitler e, sim, no feito de Jesse Owens. Ele que sofrera preconceito a sua vida inteira, que ainda veria seu país sofrer com leis racistas até os anos 60, que seria pouco valorizado após os feitos Olímpicos, se impôs exatamente num palco preparado para cultuar a supremacia ariana. Jesse não contestou Hitler. Ele contestou todauma realidade de preconceito e discriminação que não se limitavam àquela Alemanha.

Texto: Divulgação / Edição de Imagem: Pedro Borges

Atividade no dia 5 de agosto, sexta-feira, apresenta o livro e suas reflexões

O livro “O hip hop e as diásporas africanas na modernidade” reflete sobre a reelaboração de culturas e identidades construídas a partir dos processos desencadeados pelas diásporas do passado e dos novos fluxos populacionais verificados no contexto pós-colonial.

Segundo Mônica do Amaral e Lourdes Carril – organizadoras do livro -, o hip-hop pode ser compreendido como estratégia contemporânea de enfrentamento de massas de jovens espalhados pelo mundo à lógica excludente, que tende a se intensificar com a globalização econômica e a mundialização da cultura. A obra tem a contribuição de pesquisadores de diversos países e de diferentes regiões do Brasil – que trouxeram uma discussão atualizada sobre as especificidades do pan-africanismo ao redor do mundo.

Mônica do Amaral participa de palestra sobre o assunto no dia 5 de agosto no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, na Rua Dr. Plínio Barreto, 285. Professora na faculdade de Educação da USP, Amaral é membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e da International Psychoanalytical Association.

Sobre o CPF-Sesc

Inaugurado em agosto de 2012, o Centro de Pesquisa e  Formação do Sesc é uma unidade do Sesc São Paulo voltada para a produção de conhecimento, formação e difusão e tem o objetivo de estimular ações  e desenvolver estudos nos campos cultural e socioeducativo.

Além do Curso Sesc de Gestão Cultural – que visa a qualificação para a gestão cultural de profissionais atuantes no campo das Artes, tanto de instituições públicas como privadas – a unidade proporciona o acesso à cultura de forma ampla, tematicamente, por meio de cursos, palestras, oficinas, bate-papos, debates e encontros nas diversas áreas que compreendem a ação da entidade, como artes plásticas e visuais, ciências sociais, comportamento contemporâneo e cotidiano, filosofia, história, literatura e artes cênicas.

Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Vinicius Martins

Interessados também podem se inscrever para a versão presencial do curso

 

O Coletivo Cultural Dijejê apresenta o curso de formação sobre o pensamento das intelectuais brasileiras Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento. As inscrições podem ser feitas até 17 de agosto e o início das atividades está marcado para o dia 19 do mês. As aulas podem ser vistas pelos participantes na plataforma e-learning Moodle, ferramenta aberta, gratuita e de simples manejo.

A formação está divida em três módulos que ao todo contabilizam 20 horas. O primeiro momento aborda o feminismo afrolatino e os demais tratam sobre os quilombos e a liderança feminina. No terceiro módulo, as participantes serão convidadas a produzir um artigo sobre as reflexões estimuladas pelos encontros virtuais.

Lélia Gonzalez criou o conceito de feminismo afrolatino. Para ela, é necessário que haja um dialogo entre mulheres negras e latinas do continente de maneira pautada pelo panafricanismo, como saída possível para a luta da diáspora negra na região. Beatriz Nascimento pesquisou sobre os quilombos e trouxe muitos elementos para se pensar a organização e articulação das mulheres negras como lideranças nesses espaços.

Lélia Gonzalez é uma das principais referências negras na América Latina

Jaqueline Conceição, integrante do Coletivo Dijejê e organizadora do projeto, destaca a importância de discutir o pensamento das duas autoras como forma de libertação de pretas e pretos no continente americano. “O feminismo negro, pautado em categorias de análise que correspondam à realidade no Brasil, partindo da elaboração teórica de intelectuais negras do Brasil, que pensaram a mulher negra a partir da realidade e do contexto regional, pode incidir na formação de consciência de raça e classe dos negros, sobretudo das novas gerações, que centram seu campo de atuação na estética”.

No dia 13 de agosto, na Casa Comunitária do Coletivo Dijejê, na Rua Caetano Gonçalves, 75, próxima à estação de metrô Santana, o grupo apresenta a formação de maneira presencial. Os diálogos vão das 10h às 18h do sábado e as inscriçõespodem ser feitas até o dia 12 do mês. Para Jaqueline, as duas autoras, “mais do que pautar o pensamento das mulheres negras, são também fundamentais no pensar da diáspora africana”.

Os encontros visam aprofundar a reflexão sobre o feminismo negro no Brasil. No meses de junho e julho, o curso “A História do Feminismo Negro” trabalhou duas categorias essenciais para a atuação política de pretas e pretos: o movimento negro e a mulher negra.

Serviço:

Valor: 80 reais tanto para o online, quanto para o presencial.

Mais informações

(11) 9 44681000

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