O dia 18 de Julho é a data de nascimento de Nelson Mandela, um dos principais líderes de toda a história da humanidade. O ativista sul-africano foi um dos mais destacados nomes na luta contra o Apartheid.

Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Vinicius de Araújo

Universitários organizam encontro nacional e contam com o Governo Federal para superar o racismo institucional. SEPPIR destaca a importância de um evento autônomo de estudantes pretos

A Executiva Nacional do Encontro de Estudantes e Coletivos Universitários Negros, EECUN, se reuniu em Brasília nesta última quarta-feira, 15 de julho, com a Secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, SEPPIR, com o intuito de discutir parcerias para a realização do Encontro. Estavam presentes os estudantes Pedro Borges (Coletivo Negro Kimpa), Mirt’s Sants (Coletivo Negrada), Miriam Alves (Coletivo Negro da UFMG), além dos representantes da SEPPIR, Larissa Borges (Diretora de Programa), Luiz Barcelos (Gerente de Projetos) e Douglas Santos (Assessor Técnico).

A Executiva Nacional apresentou à SEPPIR as dificuldades enfrentadas até o momento para a realização do evento. Como já fora exposto em reportagem do Alma Preta, os estudantes têm sofrido do racismo institucional imposto pela UFSCar. Enquanto outras atividades receberam o apoio da universidade, ao EECUN tem sido negado alojamento e alimentação.

A SEPPIR se colocou a disposição para ajudar no diálogo com as reitorias para que o evento venha a acontecer. A Secretaria apresentou também as suas limitações financeiras, mas se ofereceu a contribuir na realização do evento por meio de parcerias. Larissa expôs como os recursos para o ano de 2015 estão escassos, pois o governo vive numa conjuntura de corte de verbas.  Ela salientou, porém, que para alcançar qualquer investimento, o EECUN  precisa de um projeto consistente.

Deste modo, Luiz Barcelos indicou a possibilidade de uma aproximação com outros ministérios afim de buscar mais recursos, entre eles o da Educação e do Desenvolvimento Social. Douglas Costa propôs também a parceria com outras instituições estudantis como apoio estratégico para o momento, desde que a Executiva Nacional não perca a sua autonomia.

Como forma de contribuição imediata, Larissa solicitou uma reunião com Nilma Lino Gomes para que a Ministra fique ciente da situação, afinal, Larissa enxerga o Encontro como de extrema importância.

O apoio da SEPPIR é fundamental para a realização do EECUN, evento negro e autônomo cujos objetivos são pautar a questão étnico/racial de modo contundente dentro do espaço universitário e promover o protagonismo do povo preto na luta pela superação do racismo.

Texto: Alane Reis / Edição de Imagem: Vinicius de Almeida

Filme baiano será lançado em Festival Internacional em Brasília

Como todo preto favelado, Toni é um universo em crise, e ele não vive um bom dia: ônibus lotado, salário atrasado, exploração no trabalho, descrença nos estudos, falta de grana, contas vencidas, polícia e solidão. As angústias de Toni, semelhantes com as de tantos outros personagens da vida real, são contadas em Cinzas, segundo filme da diretora baiana Larissa Fulana de Tal (Lápis de Cor, 2014), que será lançado no próximo dia 24 de julho, durante a programação do Festival da Mulher Afro-latino-americana e caribenha, em Brasília.

O curta-metragem, adaptado do conto homônimo do escritor Davi Nunes, tem como personagem principal o jovem Toni: estudante universitário, que trabalha como operador telemarketing na empresa Tumbeiro, na cidade de Salvador. As imagens de Cinzas fogem dos tradicionais planos alegres de propagandas do verão soteropolitano, e poderiam ser bem ambientadas em qualquer cenário urbano do Brasil. “Toni tem o corpo escravizado pela lógica trabalhista contemporânea que quase todos nós estamos submetidos. Ele já não agüenta mais o emprego no Call Center, sabe que é explorado e que precisa sobreviver sem perder a dignidade, e sem surtar. Sua consciência é livre”, comenta a diretora Fulana de Tal.

Cinzas é um filme sobre cotidianos comuns e universos crises, a trama apresenta imposições obvias da vida de tantos jovens brasileiros, e por isso mesmo não surpreende e emociona. Toni é a imagem do espelho de uma multidão acostumada com a negação, mas que não abriu mão da resistência.

O filme é mais uma produção do coletivo de cinema negro Tela Preta, organização que pauta a representatividade negra no audiovisual. Para a Tela Preta, cinema e engajamento político se fundem. “Acreditamos que a temática racial no filme é tão importante quanto a autonomia da voz. Sabemos falar por nós mesmos, e isso é Cinzas. É uma felicidade muito grande para toda equipe lançarmos no Festival Latinidades”, comenta a diretora Larissa Fulana de Tal.

O lançamento oficial de Cinzas acontece no próximo dia 24 de julho, no Festival da Mulher Afro-latino-americana e caribenha, no Cine Brasília (DF), às 14h. O Latinidades é o maior festival de mulheres negras da América Latina, e há oito anos marca a agenda internacional de lutas do movimento de mulheres negras. Este ano o festival tem como tema Mulheres Negras Realizadoras de Cinema.

Uma Tal Fulana Diretora

Larissa, a diretora de Cinzas, decidiu-se pelo pseudônimo artístico “Fulana de Tal” em referência aos inúmeros sujeitos comuns da história. Ela é realizadora no coletivo de cineastas negros Tela Preta e bacharel em Cinema e Audiovisual na UFRB. Em 2013 ela recebeu o prêmio de Mensão Honrosa do videoclipe, no 3º FestClip - São Paulo/ SP, com a direção do videoclipe Axé (2012), do grupo de Rap Conceito Articulado. Em 2014 lançou seu primeiro filme, Lápis de Cor (2014), projeto contemplado pela I Chamada de Curtas Universitários do Canal Futura, e trata sobre racismo na infância.

A Fulana carrega no corpo e transpõe para a sua arte o “fardo da representação” enquanto mulher e negra, identidades por tantas vezes estereotipadas, marginalizadas e folclorizadas no campo cinematográfico. E é daí que ela olha, propõe, dirige e produz.

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