Entrevista: Pedro Borges / Entrevistado: Deivison Nkosi

Deivison Nkosi é uma das principais referências no Brasil para discutir a obra do psicalista Franz Fanon. Deivison também faz parte do Kilombagem, organização do movimento negro localizada em São Paulo que trabalha com a formação política da comunidade negra.

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Texto: Divulgação / Edição de Imagem: Pedro Borges

Show de Preta Rara, apresentação da banda Bongar ao lado de Leci Brandão, dramaturgia e oficina de dança gratuita são alguns dos destaques que a mostra do Sesc Belenzinho preparou para o último mês do ano

Desde novembro, quando amostra Motumbá: Memórias e Existências Negras começou, sua curadoria reúne no Sesc Belenzinho nomes que refletem parte da riqueza e da variedade da produção artística e cultural de matrizes africanas e periféricas. Em dezembro não será diferente. O mês começa com peças de teatro, continua com música de qualidade e termina com atrações de literatura infanto-juvenil.

Dentro da programação teatral, O Coletivo Negro traz Ida (3 e 4/12), um experimento cênico que coloca em cena as inquietações, conquistas e perdas da mulher negra. No elenco, nomes femininos em destaque na cena paulistana, como o da cineasta Renata Matins e o da atriz-MC e diretora musical Dani Nega. O mesmo coletivo apresenta também Movimento número 1: O Silêncio Depois (16 a 18/12), que mostra personagens vítimas de um violento etnocídio. Já a peça (9 a 11/12) conta a história de quatro vidas em busca de afeto dentro de um conjunto habitacional.

A seleção musical tem presenças importantes para a cena musical e o ativismo negro. Uma delas é a Preta Rara (10/12), com suas rimas sobre empoderamento feminino, racismo, relacionamentos amorosos e, ainda, história do Brasil.Sobem ao palco também os pernambucanos da banda Bongar(17/12), com participação de Leci Brandão, para apresentar um misto de canto, percussão e outros instrumentos que fazem parte da tradicional festa do Coco.

PretaRaraBaixa

E mais: a agenda de dança apresenta programação gratuita: Oficina de Dança de Expressão Negra com Edileusa Santos (3 a 7/12). Os participantes aprenderão a se conectar com o ritmo da percussão, associado à independência de cada parte do corpo e sua relação com o Orixá. As inscrições serão recebidas até o dia 29 de novembro e comporta no máximo 20 participantes (mais informações na programação abaixo).

Dentro do recorte da mostra, as ações de literatura colocam as narrativas orais em foco, dando a palavra aos grandes mestres e à poesia. É o caso de Encontro de Partilhas: Histórias, Livros e Jogos (3/12 a 28/02), focados nas culturas indígenas, africanas e afro-brasileiras e voltados para o público infantil. Acontece também a intervenção O Cochicho da Iracema (4, 10 e 18/12), baseada nas poesias de Mia Couto. A contação de história Quizumba (4 e 11/12) mistura roda de capoeira, teatro e, com uma narrativa única, mostra a infância de Zumbi dos Palmares intercalada com a de um menino que aprende a se defender ea enfrentar o mundo.

A programação da mostra Motumbá ocupa diversos espaços abertos e fechados do Sesc Belenzinho e segue até março de 2017. Confira abaixo os detalhes de cada atração do mês.

Programação de dezembro na mostra Motumbá – Memórias e Existências Negras:

Teatro

Ida

Dias 3 e 4 de dezembro de 2016, sábado, às 21h30, e domingo, às 18h30

O Coletivo Negro estreia seu novo experimento cênico, que nasce de uma proposta da atriz Aysha Nascimento de trazer à cena as inquietações, conquistas e perdas da mulher negra contemporânea. Para isso, a artista chamou Flávio Rodrigues, também do Coletivo Negro, para dirigir o experimento e uma equipe de mulheres que vem marcando a cena paulistana com seus trabalhos e discursos: a cineasta Renata Martins (Empoderadas), a bailarina Verônica Santos, a cenógrafa e artista gráfica Nina Vieira (Manifesto Crespo), a atriz e figurinista Débora Marçal (Cia Capulanas de Artes Negras/Preta Rainha), a atriz-MC e diretora musical Dani Nega, a fotógrafa e iluminadora Dani Meirelles; as musicistas Fefê Camilo e Ana Goes, e a jornalista e atriz Maitê Freitas, que aqui assina a assistência de processo.Em cena a atriz paulista Aysha Nascimento e a bailarina mineira Verônica Santos dão vida à Ida: mulher e jovem que, a partir da construção de um projeto arquitetônico ousado, traça pontos e contrapontos com a possibilidade de reconstrução da humanidade das mulheres negras. Em sua narrativa, Ida se lembra dos momentos de invisibilidade que viveu no período em que cursou a universidade. Ao passo em que se questiona, Ida reconstrói sua identidade e religa-se às suas raízes ancestrais.

Local: Sala de Espetáculos
Duração: 80min
Ingressos: R$ 20,00 /10,00/6,00
Não recomendado para menores de 16 anos

Dias 9 a 11 de dezembro, sexta e sábado, às 21h30, e domingo, às 18h30
Um conjunto habitacional e quatro vidas de parede-e-meia: uma mulher com uma criança no ventre; um pai que deseja retornar a vida familiar; um filho que busca se construir, bem como sua identidade e caminho; e um médico que retorna ao local onde se criou para reencontrar o seu passado e origem. Quatro histórias que buscam preservar-criar um sentido pessoal e coletivo de celebração e busca do afeto.Atores-criadores: Flávio Rodrigues, Jé Oliveira, Jefferson Matias e Thaís Dias. Direção: Raphael Garcia. Assistência de direção: Aysha Nascimento. Dramaturgia: Jé Oliveira Provocação dramatúrgica: Grace Passô. Música ao vivo: Cássio Martins / Melvin Santhana e Fernando Alabê. Direção Musical: Fernando Alabê.

Local: Sala de Espetáculos
Duração: 90 minutos.
Ingressos: R$ 20,00 /10,00/6,00
Não recomendado para menores de 16 anos

Movimento número 1: O silêncio de depois...

Dias 16 a 18 de dezembro de 2016, sexta e sábado, às 21h30, e domingo, às 18h30
O Coletivo Negro mostra quatro personagens desterrados que, após uma desocupação violenta para a construção de uma linha férrea, encontram-se no lugar onde moravam.

Por meio de narrativas, buscam, coletivamente, refletir acerca do etnocídio acontecido, bem como enterrar os seus mortos que faleceram, mas nunca chegaram a morrer. A inspiração surgiu da necessidade de aprofundar as relações entre as narrativas pessoais e o modo como representam e refletem a história social, sobretudo acerca das consequências da diáspora África-Brasil. O trabalho baseou-se nas fotografias de família, cartas, poemas, receitas de vó, simpatias, estudos sobre o teatro experimental do negro, leituras de autores africanos como Luis Bernardo Honwana e Mia Couto, Pierre Claster, Walter Benjamin, entre outros, e viagens a comunidades quilombolas.

Local: Sala de Espetáculos
Duração: 80 minutos.
Ingressos: R$ 20,00 /10,00/6,00
Não recomendado para menores de 16 anos

Dança

Oficina de Dança de Expressão Negra

Com Edileusa Santos
Do dia 3 a 7 de dezembro, sábado à quarta, das 15h às 17h

Um novo olhar para o tambor, buscar novas possibilidades de diálogo. Percebê-lo por meio dos cincos sentidos. A oficina terá ênfase na conexão do corpo com o ritmo de percussão, associado à independência de cada parte do corpo e sua relação com o Orixá. Partindo do princípio que no Tambor está o estímulo da construção para a organização de movimento no corpo. O som do instrumento permeia todo o processo da aula, não existe certo ou errado, o que existe é a possibilidade de uma nova relação, uma nova percepção com o tambor. A metodologia atua onde a teoria e a prática caminham juntas. Portanto a oficina terá dois momentos:

1º leitura do artigo Dança de Expressão Negra - Um Novo Olhar sobre o Tambor.
2º aula prática de dança negra.
Inscrições: até o dia 29 de novembro, por meio de envio de currículo resumido para
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Os candidatos selecionados serão avisados por e-mail até 01/12
20 vagas
Local: Sala de Espetáculos II
Grátis
Não recomendado para menores de 16 anos

Literatura

[Mediação de leitura] Encontro de Partilhas: Histórias, Livros e Jogos
Encontros voltados para o público infantil e seus responsáveis, que se caracterizam pela partilha de narrativas e jogos relativas às culturas indígenas, africanas e afro-brasileiras, com mediação de leitura de livros dentro dessas temáticas.

Coletivo Cafuzas. Local: Biblioteca. Restrição: Livre. Valor: Grátis. De 03/12 a 28/02, às 14h (sábados, domingos e feriados)


[Intervenção] O Cochicho da Iracema
Baseados nas poesias de Mia Couto, Iracema, uma senhora de 90 anos, irá conversar e declamar essas poesias para o público, apresentando o universo descrito pelo autor. Com Coletivo de Ventiladores.
Convivência. Livre. Grátis. Dias 4,10 e 18/12, às 11h (sábados e domingos)

Contação de histórias

Quizumba!
Com Coletivo Quizumba
Dias 4 e 11/12. Domingo, às 16h - No dia 4 de dezembro o espetáculo terá descrição em linguagem de sinais (libras)
Em Quizumba! duas histórias se entrelaçam: a do menino Pastinha e a do menino Francisco. Pastinha é um garoto baiano do começo do século XX que vê sua passagem por uma determinada rua impedida por outro rapaz, que sempre acaba batendo nele. Um dia, vendo a cena por uma janela, o velho mestre Benedito convida o menino a aprender um jeito de se defender. Durante o aprendizado, ensinando-o a equilibrar covardia e valentia, mestre Benedito conta a história de Francisco, o Zumbi dos Palmares.Envolvendo outras vozes, a trajetória deste menino é apresentada, misturando história e ficção, desde seu sequestro, quando criança, do Quilombo dos Palmares, passando pela sua adoção por um padre e seu espírito de busca que o faz procurar sua origem. Assim, Pastinha vai ouvindo e contestando, criando sua própria história.

Local: Convivência
Duração: 60 minutos
Ingressos: Grátis

Música

Preta Rara

Dia 10 de Dezembro,sábado, às 21h
Nascida e criada em Santos, litoral de São Paulo, Preta Rara montou aos 20 anos o grupo Tarja Preta, parceria que durou até 2013, quando resolveu seguir carreira solo. Seu primeiro disco, Audácia, foi lançado em outubro de 2015.Além de cantar, Preta também é militante, turbanista, dona de uma marca de roupas e professora de história. Idealizou o projeto “Eu Empregada Doméstica”, página no Facebook que recebeu mais de 100 mil likes em uma semana e mais de cinco mil relatos de mulheres que sofreram abusos em seus trabalhos como empregadas domésticas.
Suas rimas falam sobre empoderamento feminino, racismo, questões do cotidiano, relacionamentos amorosos e, de quebra, sobre história do Brasil.Com Preta Rara (voz e poesia), DJ Kiko, Sandro Bueno (percussão), Cássio Santos (trompete) e Jaque Fernandes (voz).

Local: Teatro
Duração: 1h30
Ingressos: R$ 20,00 /10,00/6,00
Não recomendado para menores de 12 anos

Bongar

Participação LECI BRANDÃO
Dia 17 de Dezembro, sábado, às 21h30

O Bongar é composto por seis jovens integrantes do terreiro Xambá, do Quilombo do Portão do Gelo, em Olinda. Tem como propósito levar aos palcos a tradicional Festa do Coco da Xambá, realizada na comunidade há mais de 40 anos. O Bongar tem um trabalho voltado para a preservação e divulgação da cultura pernambucana e a formação musical de seus integrantes tem origem no universo popular, especificamente da comunidade religiosa Xambá. Sua forte musicalidade, advinda de diversas influências musicais vivenciadas nos cultos afro-brasileiros, principalmente da linhagem Xambá, é herança deixada desde a infância aos integrantes do Bongar. Os mais velhos ensinaram os toques, as loas e as danças durante as festas da Casa Xambá.

Local: Comedoria
Duração: 1h30
Ingressos: R$ 20,00 /10,00/6,00
Não recomendado para menores de 18 anos

Texto: Divulgação / Foto: Tassia Nascimento e Alile Dara / Edição de Imagem: Pedro Borges

Um Corpo No Mundo é uma canção que intitula o show que vem sendo apresentado pela cantora baiana em São Paulo, mas que também dá nome ao projeto do seu primeiro disco, a ser viabilizado pela campanha de financiamento coletivo a se iniciar ainda em janeiro.

Um Corpo No Mundo é uma proposta para se pensar identidade, é um olhar da artista sobre si mesma a partir do contato com imigrantes africanos em São Paulo, e uma busca de reconhecimento de si mesma no outro, uma necessidade de conexão com a ancestralidade através do encontro com quem migrou. Esse encontro acorda memórias e faz pensar como a diáspora anterior e atual podem se interconectar. Faz pensar em qual África a cantora pode chamar de sua.

Com direção e fotografia de Joyce Prado da Oxalá Produções o clipe remete a travessia e o deslocamento. O espaço que se ocupa, mas não se identifica, o não lugar, o não pertencer.

A partir dessa diretriz se imagina um vídeo clipe com Luedji atuando qual este corpo e São Paulo na representação deste não lugar. Na tela, o urbano e o concreto que se sobrepõe aos corpos, suas texturas e grafismos que se opõem s movimentos orgânicos e fluídos, da música e da voz.

Movimentos repetidos afim de se conectar os diferentes espaços através do corpo. Imagens feitas do alto que mostram a trajetória, a travessia. Espera-se que este corpo seja uma presença, que dialogue, mas não pertença ao espaço.

Música: Luedji Luna
Produção Musical: Sebastian Notini
Direção e Fotografia: Joyce Prado
Montagem: Janaina Nascimento

LuedjiLuna

Sobre Luedji Luna

Cantora e compositora com influências do Jazz e da MPB, Luedji Luna iniciou seus estudos em música na Escola Baiana de Canto Popular, fundada pela professora da Universidade Federal da Bahia Ana Paula Albuquerque.

Natural de Salvador, Luedji foi cofundadora do M.O.V.A., coletivo de compositoras de sua cidade, onde também foi membro do Bando Cumatê, coletivo engajado na pesquisa, difusão e fomento das manifestações artísticas tradicionais da cultura brasileira.

Ainda em Salvador, participou da oficina "Alimacanta" de canto essencial – ministrada pela cantora e compositora argentina Mariana Pereiro –, que traz uma abordagem holística ao canto, reunindo técnicas acadêmicas com elementos de Chi Kung e Yoga. 

Desde 2011 vem se apresentando em recitais nos principais palcos de Salvador e cantando em bares do Rio Vermelho, bairro boêmio da cidade. Foi vencedora da etapa regional do Festival da Canção Francesa, realização da Aliança Francesa em 2013. No mesmo ano, cantou no espetáculo "Ponto Negro em Tela Branca" da Diretora Kléia Maquenda. É ex membro do grupo "Uns Zanzoutros", uma das bandas participantes do tributo aos Novos Baianos realizado pelo site Jardim Elétrico em São Paulo, show que reuniu nomes como Cícero, A Banda Mais Bonita da Cidade, Diogo Poças, Thamires Thanouss, Larissa Back, entre outros artistas da nova geração. Em 2014, em curta temporada no sudeste do país (Rio de Janeiro/ São Paulo), participou do Sarau Preto, um evento organizado por Mombaça Momba, cantor e compositor carioca, parceiro de artistas como Mart'nália, e cujo projeto visa o encontro de compositores e poetas afro-brasileiros com o objetivo primeiro em destacar, exaltar e revelar a produção litero-musical de compositores negros. Na mesma oportunidade, ainda no Rio de Janeiro, Luedji abre o show da cantoautora Teka Baluthy e suas convidadas Késia Estácio e Juliana Diniz no projeto "Foco MPB".

Desde 2015 residindo em São Paulo, Luedji vem se apresentando na cidade. Participou do evento de moda "Casa de Criadores", cantando no desfile do baiano Isaac Silva, e fez apresentações em casas como Puxadinho da Praça, Kabul Bar, SESC, Bourbon Street e Café Piu-Piu, onde realizou seu primeiro show na capital paulista: "Um Corpo No Mundo", que dá nome ao seu primeiro disco, a ser lançado no próximo ano com produção de Sebastian Notini, sueco radicado na Bahia, produtor dos dois últimos discos de Tiganá Santana e do aclamado “Mama Kalunga”, de Virginia Rodrigues, vencedor do último Prêmio da Música Popular Brasileira.

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