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Texto: Aline Ramos / Foto: Coletivo336 / Edição de Imagem: Pedro Borges

Primeiro single da cantora, “Breu” tem produção exclusiva do Coletivo336

Consagrada como a voz feminina da banda paulistana Aláfia, Xênia França inaugura nova fase de sua carreira em música que coloca a mulher negra como protagonista. Para celebrar sua etapa solo, a cantora lança o clipe do single “Breu”, canção integrante de EP a ser lançado ainda neste ano.

Produzido em parceria com o Coletivo336, o vídeo compõe o segundo episódio do programa “O Canto”, série que apresenta faixas inéditas sobre o universo feminino interpretadas por diferentes convidadas. 

Composta por Lucas Cirillo, “Breu” trata de importantes questões políticas e debate temas urgentes como o racismo institucionalizado no Brasil. A faixa também é um manifesto contra a desvalorização e a hipersexualização do corpo negro, principalmente o feminino. “Essa música me ajuda a estabelecer uma relação de empatia, me colocando no lugar de diferentes mulheres negras”, revela Xênia França.

A figura de Cláudia Santos foi uma das inspirações para “Breu”. Assassinada pela Polícia Militar do Rio de Janeiro em 2014, a mulher é uma das homenageadas pela canção. “Quando decidi gravar meu primeiro single, Cláudia não saía da minha cabeça, estava falando muito comigo e com o momento em que estamos vivendo”, explica a cantora.

O videoclipe é dirigido por Gabi Jacob e conta com a participação de mulheres que são referências em diversas áreas da cultura negra. “Convidei amigas que me inspiram e sabem o que é ser uma mulher negra em nossa sociedade”, revela.

“Breu” representa o pontapé inicial de Xênia França em seu trabalho solo. A cantora encara a música lançada como o começo de uma série de transformações e desconstruções. Sua intenção é usar a consciência para abandonar coisas aprendidas de forma errada durante toda a vida. “Esse me pareceu um bom tema para começar uma carreira solo. Quis me olhar nesse espelho, com essas reflexões sobre quem eu sou e a minha condição de mulher preta”, finaliza.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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