Evento organizado pela classe artística da cidade acontece nos dias 16 e 17, e conta com mais de 50 atrações, divididas entre música, produções audiovisuais, dança, entre demais linguagens

Texto / Beatriz Mazzei
Imagem / Beatriz Uehara

Caracterizada como um evento que une cultura, educação e intervenções artísticas, a segunda edição da Virada Clandestina se instala na periferia de Guarulhos em 16 e 17 de junho (sábado e domingo).

Com mais de 50 atrações, divididas em exposições, oficinas, shows, filmes e palestras, distribuídas em 37 horas de apresentação, a Virada desse ano terá suas atividades dividas em três espaços: Escola Estadual Pimentas VII, Arena Quadra dos Pampas e Arena Praça do Tupinambá.

Organizado de forma totalmente independente, a Virada Clandestina é um projeto que começou em 2017 em resposta à falta de incentivos públicos para o setor da cultura dentro da cidade de Guarulhos, um problema bastante sentido pelos artistas e pela população local. A primeira edição aconteceu no bairro Inoocop e foi um sucesso, apesar de imposições da Polícia Militar, que tentou coagir o evento.

Essa carência de fomento faz com que saraus, slams, exposições artísticas e shows ocorram de forma autônoma, sobretudo quando a iniciativa parte de artistas dos bairros periféricos. “A Virada Clandestina leva esse nome porque somos taxados como marginais pelo poder público. Isso acontece porque a gente é preto, mora na favela, faz role aqui. Agora eles acham que falar de políticas públicas é coisa de marginal, não é coisa de acadêmico”, conta Cesar Lima (21), produtor cultural e um dos articuladores da Virada Clandestina.

Além de promover artistas periféricos, a Virada Clandestina de 2018 busca o pluralismo de ideias, o pensamento crítico e o enfretamento do poder popular, por meio de apresentações audiovisuais, rodas de conversas, palestras, entre outras vertentes. As apresentações musicais serão feitas por diversos artistas, como Guilherme Papini (foto).

Para esses aspectos ocorrerem na prática, a Virada desse ano une-se aos professores, estudantes, coletivos, como o CinePreto, e ao movimento Escola Sem Mordaça para ocupar as escolas.

A ideia é promover debate sobre a Lei da Escola Sem Partido, organizando palestras para explicá-la no que diz respeito às suas implicações e sobre as mudanças que ocorreriam caso a lei seja aprovada.

Para o Alma Preta, Cesar já adianta que ano que vem a Virada Clandestina vai acontecer novamente: “ano que vem tem mais e já estamos organizando. A Virada Clandestina é autônoma e orgânica, não depende de nada ou nem de ninguém. Só precisa de espaço.”

Saiba Mais

A Virada Clandestina 2018 acontecerá em 16 e 17 de junho (sábado e domingo, das 9h às 23h), no E.E Pimentas 7 (avenida Marginal Sul, 118-58, Conjunto Marcos Freire, Guarulhos). A programação completa poderá ser conferida no evento do Facebook.

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