Apesar das dificuldades financeiras e jurídicas, Vai-Vai conta com a força da comunidade preta e branca para superar todas as barreiras e retornar ao grupo especial do festejo paulistano

Texto: Pedro Borges | Imagem: Divulgação

São 90 anos e 15 títulos do carnaval paulistano. Com esse único e poderoso cartão de visitas, a Vai-Vai luta para voltar ao grupo especial do carnaval da cidade. Pela primeira vez na história, a agremiação disputará o festejo no grupo de acesso em São Paulo, algo que a comunidade não quer ver se repetir nunca mais.

Em entrevista ao Alma Preta, Thobias da Vai-Vai, presidente de honra da escola, acredita na força da comunidade para superar esse momento.

“A preparação da escola neste ano está dentro do previsto. Já era previsto tudo isso, sem dinheiro, muita dificuldade, mas a comunidade está superando isso daí com a emoção”, explica.

Desde antes do rebaixamento em 2019, a Escola do Povo tem enfrentado dificuldades políticas e financeiras. O descenso para o grupo de acesso, quando a escola completa 90 anos de vida, impactou a todos no mundo do samba.

No dia 19 de dezembro, a Vai-Vai anunciou o cancelamento da tradicional “Festa do Chopp” por conta de uma cobrança judicial de aproximadamente R$ 600 mil. O evento estava marcado para o dia 11 de janeiro, no Anhembi, e comemoraria os 90 anos da agremiação.

A celebração, contudo, ocorreu. A comemoração foi na própria escola, no dia 9 de fevereiro, junto da Unidos do Peruche, Nenê da Vila Matilde, Rosas de Ouro e a carioca Paraíso do Tuiutí.

Para Thobias, contudo, agora não é o momento de lidar com esses problemas. O foco agora é outro, conquistar o carnaval. “A situação política, jurídica, ninguém está pensando nisso agora. Só se pensa em carnaval”, afirma.

A comunidade tem dado uma resposta durante os ensaios, tanto no Bixiga, quanto no Anhembi. Quem teve a oportunidade de acompanhar um ensaio da Vai-Vai sabe que, apesar do momento conturbado, a escola brigará sim para voltar ao grupo especial.

O primeiro técnico da agremiação, junto das tradicionais rivais Camisa Verde e Branco, Nenê da Vila Matilde e Unidos do Peruche, foi de tirar o folêgo. O Vai-Vai mostrou que é Vai-Vai e precisa sempre ser cogitado como um candidato ao título, independente do grupo em que desfile.

Durante esse mesmo ensaio técnico, foi possível notar uma comunidade com evolução, com movimentos sincronizados em quase todas as alas. Esse, que é um pesadelo para a maioria das escolas, pode ser um trunfo da Vai-Vai durante a disputa.

A inteligência para se fazer carnaval e disputar o título persiste entre os componentes da escola, segundo Thobias. Ele diz que a agremiação reuniu pessoas competentes para fazer um desfile a altura da escola.

“É uma coisa nova desfilar no grupo de acesso e espero que a escola consiga voltar para o grupo especial. Tem bastante gente muito competente trabalhando, tem muita ajudando, então a gente acredita que vai dar certo sim”.

Outro forte quesito da Vai-Vai é a bateria. A Pegada de Macaco, como é conhecida a bateria, tem um ritmo único entre as demais escolas de São Paulo e deve estremecer o Anhembi durante a passagem na Avenida do Samba.

A Vai-Vai, que promete arrastar uma multidão para o desfile do grupo de acesso, entra na Avenida do Samba na madrugada de domingo, 23 de fevereiro, às 4h.

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