Em entrevista, a digital influencer Lorenna Vieira falou sobre o relacionamento, a personalidade e a trajetória do artista; segundo a defesa, a condenação foi motivada por preconceito

Texto / Nataly Simões | Edição / Pedro Borges | Imagem / Acervo pessoal

Rennan Santos da Silva, mais conhecido como DJ Rennan da Penha, está encarcerado no Rio de Janeiro desde 24 de abril. Nesses quase seis meses, Lorenna Vieira, digital influencer e namorada do artista, conta ter recebido dele muita força para suportar a distância.

“Mesmo na situação triste e revoltante que estamos vivendo, ele me transmite muita força. Eu me sinto feliz por tê-lo em minha vida e quando nos vemos conseguimos esquecer tudo, pelo menos um pouco”, relata. Lorenna emitiu a carteirinha de companheira para visitar Rennan no Presídio Bandeira Estampa (Bangu 9).

Lorenna Vieira e Rennan da Penha se conheceram em uma festa de um amigo em comum em 2017. De acordo com a digital influencer, eles começaram a conversar pelas redes sociais e quando começaram a namorar foram morar juntos.

“Na nossa rotina estávamos sempre grudados. O Rennan gostava de acordar cedo e ir comprar pão, depois a gente arrumava a casa e lavava a roupa. Ele também é uma pessoa que gosta de cozinhar e fazia o almoço”, lembra.

Rennan da Penha é um dos criadores do funk 150 BPM, uma versão mais acelerada do ritmo musical. O DJ também estava à frente do Baile da Gaiola, no Complexo da Penha. O evento era custeado por comerciantes da região, que lucravam com a venda de bebidas. A cada edição, o baile atraia um público de aproximadamente 25 mil pessoas.

Com o sucesso da carreira, Rennan passou a ter a oportunidade de realizar sonhos como viajar para o exterior com a namorada. Os objetivos do artista foram interrompidos pela condenação por associação ao tráfico.

“O Rennan já realizou o sonho de ser reconhecido pelo trabalho e pela luta dele. Outro sonho dele é morar fora do país”, compartilha Lorenna.

Preconceito e condenação

Em 2016, na época em que não era conhecido, Rennan havia sido condenado em primeira instância por associação ao tráfico. Ele foi absolvido por falta de provas, mas em 2019 o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) o condenou em segunda instância. A pena é de seis anos e oito meses em regime fechado.

Em nota, a defesa do artista afirmou que a condenação em segunda instância foi motivada por preconceito. “Rennan da Penha representa a cultura negra da periferia do Rio de Janeiro e por isso sofre amplo preconceito fora do ambiente onde nasceu e foi criado”, diz o comunicado.

Os advogados recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar um habeas corpus, mas em agosto a corte negou o pedido para o músico responder ao processo em liberdade.

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