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 A Praça da Sé, em São Paulo, recebeu neste domingo manifestantes em prol das vidas negras e da democracia

Texto: Pedro Borges e Guilherme Soares Dias | Imagem: Pedro Borges

Líderes de torcidas organizadas e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) realizaram um ato inter-religioso neste domingo (12) na Praça da Sé, no centro de São Paulo. Cerca de 300 pessoas participaram da manifestação que seguiu de forma tranquila e contou com discursos de líderes religiosos e de movimentos sindicais. Entre os religiosos, falaram o Pastor Ariosvaldo Ramos, um dos fundadores da Frente de Evangélicos Pelo Estado de Direito, e o o líder mulçumano Sheikh Rodrigo Jalloul. 

As falas destacaram a importância das vidas negras, o combate ao racismo religioso e a defesa da democracia. O pastor Ariosvaldo Ramos destacou que muitas pessoas estão morrendo, passando fome e perdendo a esperança. “Nós temos que resistir pela democracia, pelos direitos humanos que devem ser a espinha dorsal do Estado. Trabalhadores devem lutar pelos direitos perdidos. O povo de periferia, pobre, são a base motora da nação. Precisamos denunciar, tomar posição, deixar evidente que não participamos disso”, clamou.

O líder evangélico lembrou ainda que a vida é o que mais importa nesse momento e que não vai compactuar com a morte, nem com a mentira. “A bíblia diz que o pai da mentira é o diabo. Tomar posição de resistência contra esse estado é tomar posição de resistência contra o diabo. Em nome de Jesus. Não podemos permitir que isso avance”, afirmou. De acordo com ele, a manifestação era para assegurar direitos. “Essa é a vontade de Deus. Cristo veio para que tivéssemos vida em abundância e esse governo optou pela morte e ainda usa o nome de Jesus para apoiar a morte. Nós nos levantamos contra e denunciamos que é mentira, que é falso e queremos o direito humano como prioridade”, defendeu.

Os representantes da igreja católica e das religiões de matriz africana não compareceram ao ato. Já Bruno Almeida, diretor da Gaviões da Fiel, afirmou que o movimento das torcidas organizadas na manifestação é uma forma de representar contra opressão e fascismo. “As torcidas fazem frente as lutas. Temos experiência de estar sempre lutando pelo povo, contra a desigualdade racial e social”, ressalta.

A defesa de política pública que possa atender a população que se encontra na rua foi defendida pelos líderes da manifestação. “Isso ocorre por conta do descaso, da falta de projeto político do presidente, do governador e do prefeito. Por isso, estamos junto do povo. As torcidas organizadas estão se sensibilizando nesse período pela população que sofre. Mas os políticos deveriam estar aqui, no marco zero de São Paulo, na Praça da Sé, para lutar com o povo”, afirmou Alex Minduin, presidente da Associação Nacional das Torcidas Organizadas.

A manifestação começou às 14h e terminou por volta das 15h30. Esse foi o nono ato do Movimento Somos Democracia. “Não vamos nos calar do descaso do governo Jair Bolsonaro”, garantiu Minduin. Os representantes de torcidas organizadas entregaram máscaras para as pessoas que vivem em situação de rua na Praça da Sé, além de cerca de 1,5 mil marmitas de comida. O próximo ato deve ocorrer no dia 26 de julho e depois a intenção, segundo os organizadores, é realização de manifestações nas diferentes periferias de São Paulo, como Brasilândia, região norte, e no Capão Redondo, região sul.

 

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