Coletivo voltado para a comunidade negra e periférica, com sede no bairro da Vila Nova Cachoeirinha, zona norte, corre o risco de deixar de existir por falta de recursos; diversas atividades acontecem no local, como atendimento psicológico, curso de inglês e francês, yoga africana, entre outros

Texto / Pedro Borges
Imagem / Terça Afro

Na ativa desde 2012, o coletivo Terça Afro promove uma campanha de financiamento coletivo para continuar a desenvolver atividades, cursos e rodas de conversa. Com sede na Rua Antônio Botto, 212, Vila Nova Cachoeirinha, zona norte da cidade, o grupo organiza debates, cursos e atividades voltadas para a comunidade negra e periférica.

O espaço, inaugurado em 2017, foi possível com o apoio do Edital de Fomento a Periferia, conquistado em 2016, e que supriu com os custos do grupo até o fim de 2018.

A campanha busca dar continuidade ao local e às atividades desenvolvidas pela Terça Afro. O quilombo urbano, como é descrito, recebe atendimento psicológico, aulas de yoga africana, curso de inglês e francês.

"Eu considero de extrema importância o espaço se manter firme e forte naquele mesmo lugar, naquele mesmo Quilombo integrando as manifestações que nos contemplam tanto em arte, tanto em rodas de conversa e tanto em informações", diz Denna Souza, a primeira cantora a se apresentar na sede da Terça Afro, em em Setembro de 2017.

O espaço também já foi sede de curso de manuseio de ervas, autocuidado, educação financeira, entre outros.

Harry de Castro, quem acompanha o projeto desde 2013 e o compõe há 2 anos, destaca a importância da Terça Afro manter um espaço de resistência preta na periferia da cidade.

"A ideia de ser na quebrada é por que é aqui que tem que se fincar a questão de negritude. O maior número de pretos está na periferia e esse Quilombo tem muita coisa a dizer aos seus vizinhos ainda. Precisamos estabelecer essa conversa mais que depressa pois estamos perdendo nossos jovens a todo momento seja pelo genocídio, seja pela saúde e até pelo que o Terça Afro tem em sua maior representatividade, a construção da auto estima”.

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Encontros do Terça Afro acontecem na zona norte da cidade, na Vila Nova Cachoeirinha (Foto: Terça Afro)

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As fundadoras do projeto, Ana Caroline da Silva e Danuza Novaes, em 2012 jovens monitoras do Centro Cultural da Juventude (CCJ), construíram o coletivo para mobilizar atividades para a juventude negra da região.

Desde então, figuras como Salloma Salomão, Allan da Rosa, Akins Kintê, Carlos Moore, Mafoane Odara, Jairo Pereira, Dona Jacira Roque, Coletivo Negro, Cuti, Carlos Machado, Patrícia Santos, Ana Paula Xongani, Tadeu Kaçula, Seo Carlão do Peruche, Danna Lisboa, Renata Martins, Oswaldo Faustino, Miriam Alves, Raquel Trindade, Dj KL Jay, Sandra de Sá, entre outros, passaram pelo quilombo.

Harry de Castro também destaca a importância de aproximar jovens negros das periferias, hoje em situação de violência, para vivenciar diferentes experiências e os apresentar caminhos profissionais possíveis.

“Ver e ouvir grandes histórias e estudos de pensadores negros faz com que a nossa cabeça se modifique e então obtemos essa auto estima de que podemos ser algo nesse mundo: um professor, um pensador, um médico, um artista e tantas outras possibilidades".

Acesse a campanha de financiamento coletivo aqui.

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